O Grupo tem como tema central a constituição da infância, na qual se inclui a primeira adolescência, em suas dimensões históricas e sócio-culturais. Tem como objetivo estudar, em âmbito nacional e internacional, as práticas e os dispositivos atuais e históricos de conformação da criança e o jovem entre os quais se incluem a família e a escola, seus espaços, tempos e agentes, as concepções e as pol
íticas públicas para a infância. O grupo realiza eventos para a apresentação de diferentes tipos de trabalhos visando a publicação dos seus resultados; desenvolve pesquisas organizadas e sistematizadas por meio de editais de pesquisa e extensão; realiza sistematicamente seminários de estudos com orientandos da graduação, pós-graduação e pós-doutorado. De 2014 a 2019, o grupo pretende desenvolver um amplo programa investigatório com o título "Moldando a infância: sujeitos e instituições [entre o século XIX e o século XXI]", que se desdobra em três linhas de pesquisa.
1. Nesta linha os estudos e pesquisas recaem sobre tanto os mais remotos veículos impressos até a internet, passando por outros meios como rádio e televisão, exploração suas funções modeladoras da infância, ou como diria Norbert Elias, na constituição das identidades eu-nós da infância. Aqui se interroga se essas funções têm se alterado substancialmente desde o século XIX, e se têm reforçado o papel e a função da escola, ou vem disputando a criança e o adolescente em outros padrões modeladores. Esses veículos não interessam apenas na sua busca de comunicação direta com as crianças e os jovens, mas também por suas funções modernas de “formadores de adultos”, na qual homens e mulheres atualizam o que aprenderam na escola e são conduzidos à atualização da sua moralidade adulta em relação a questões pessoais e coletivas.
2. A escola e a modelação da infância
Esta linha compartilha com as demais a preocupação de examinar que sujeitos, instituições e atos específicos vêm ganhando prevalência ou vêm sendo subordinados no amoldamento da infância tal como ela nos chega aos dias atuais. Na dinâmica de prevalentes e subordinados, a esta linha interessa em particular o exame do lugar a escola vem ocupando e afunção que vem exercendo na modelação da infância. Os currículos, as práticas, os aparatos, assim como a distribuição dos tempos e espaços são alguns dentre os temas de análise da escola de sorte a nela desvendar as imagens de infância que produzidas/reproduzidas, as condutas que amoldadas, os sentimentos nutridos.
3. Os discursos científicos e a construção da infância
Nesta linha, são examinados os discursos acadêmicos produzidos sobre a infância, sendo privilegiado o discurso psicológico, não importa quem o tenha enunciado uma vez que desde fins do século XIX tem ganhado prevalência através de diversos sujeitos, práticas e instituições. A literatura disponível sobre o assunto oferece respaldo para que se busque aquele discurso nos cursos superiores de medicina e de direito, nos cursos superiores de educação e nos cursos normais, tanto quanto em veículos de divulgação quer os dirigidos aos iniciados quer ao público em geral. Aqui, interessa também investigar historicamente o discurso psicológico no sentido apontado por Elias: examinar o seu papel na construção da ideia de individuo em face da sociedade. Também aqui, e contraditoriamente, estudar a função que vem exercendo em relação à escola: reforçando a ideia do eu-autônomo, do homo clausus que se apresenta como “um pequeno mundo em si mesmo” ou somando em favor da função bifronte de cimentar as identidades singulares e coletivas.