09/02/2024
No palco da cidade de São Paulo, onde os contornos da realidade se entrelaçam com a fantasia do Carnaval, vislumbramos a efervescência popular, embora sua essência democrática se veja abalada pelas garras do padrão e pelos avanços do capital. O Carnaval ainda, mesmo contra tudo e todos, continua sendo a festa do povo, um caleidoscópio de vivências entre idas e vindas, entre limpezas e sujeiras.
Nesse cenário, desfilamos pelas ruas do Pari-Canindé com o Bloco de Bitita, entre bicicletas, catraias, carrocinhas, lixos e outros objetos que testemunham a perversidade deste mundo chamado progresso, especialmente para nossas crianças. Enquanto nossos passos se entrelaçavam com os batuques, observamos as casas tingidas em tons acinzentados e as fábricas de costura que pontilham a capital mais rica da América Latina.
No território de Carolina Maria de Jesus, entre sabores e dissabores, a vida pulsa, habitada por aqueles que, após incontáveis escárnios do sistema, permanecem à espera da próxima chance para um "sim" à vida. Os sinais se manifestam timidamente hoje, anunciados pelos ritmos das percussões e desfiles de fantasias, entoando alegrias para aqueles que assistem, tocando o ombro de seus companheiros de luta para que também apreciem.
Em choros espontâneos, no topo das exclusões que a vida lhes apresenta, expressam gratidão pelas crianças que passam cantando, pulando, mostrando que ainda há esperança. A alegria, não gratuita, tampouco romântica, persiste como um suspiro nas veias dos trabalhadores e nas almas de nossas crianças, marcando um território que ainda continua sendo e sempre será de Bitita.