02/09/2023
UM MUNDO NÃO PROMETIDO NO MITO DO PROGRESSO.
Em 2 de setembro de 1935 nasceu Marc Augé, um dos mais importantes antropólogos contemporâneos, falecido em julho deste ano:
«Se um lugar pode ser definido como identitário, relacional, histórico, um espaço que não pode ser definido como identitário, relacional ou histórico definirá um não-lugar. [...] Um mundo em que se nasce numa clínica e se morre num hospital, em que se multiplicam os pontos de trânsito e as ocupações temporárias, de forma luxuosa ou desumana (redes de hotéis e ocupações ilegais, férias, campos de refugiados, favelas destinadas a em colapso ou pútridos para sempre), em que se desenvolve uma densa rede de meios de transporte que são também espaços habitados, em que grandes armazéns, máquinas de venda automática e cartões de crédito renovam os gestos de um comércio "mudo", um mundo prometido à individualidade solitária, à o passageiro, ao provisório e ao efêmero, propõe ao antropólogo (mas também a todos os demais) um novo objeto cujas dimensões inéditas devem ser medidas antes de se perguntar qual olhar é transitável”.