25/07/2014
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Confiança do consumidor seguiu trajetória de alta em julho
Mantendo a tendência positiva do mês anterior, a confiança do consumidor mostrou alta de 3,0% na passagem de junho para julho, conforme divulgado há pouco pela FGV. Para tanto, o índice que mede a avaliação da situação atual avançou 3,1%, com melhora da satisfação dos consumidores com a economia no momento. Já as expectativas exibiram alta mais moderada, de 0,5%, no período. Diferentemente do apontado pelas sondagens de outros setores, especialmente da indústria, esse resultado sugere alguma retomada do consumo das famílias nos próximos meses, após desaceleração observada ao longo da primeira metade deste ano.
Política Monetária
BC: ata do Copom reiterou estratégia de manutenção da taxa de juros por um período prolongado
A explicitação da “não redução do instrumento de política monetária”, presente na Ata do Copom divulgada ontem pelo Banco Central, está em linha com a sinalização dada recentemente pelo presidente da instituição, Alexandre Tombini, que já vinha defendendo que “mantidas as condições monetárias”, a inflação tende a convergir à meta. Assim, a autoridade monetária reiterou sua estratégia de manutenção dos juros em 11% ao ano, entendendo que as pressões inflacionárias, hoje elevadas, irão ceder no horizonte relevante para a política monetária. Tal postura, por sua vez, reforça nossa expectativa de que a Selic ficará estável por um período prolongado. Na nossa visão, neste momento, apenas mudanças drásticas do cenário poderiam alterar as futuras decisões do BC. A economia brasileira vem desacelerando através da perda de ritmo da demanda, fechando o hiato do PIB. As projeções para a inflação deste ano, segundo os cenários de referência e de mercado, subiram em relação ao valor publicado na reunião anterior, de maio, mantendo-se acima da meta de 4,5%. O mesmo foi observado para 2015, em ambos cenários. O parágrafo 31, sem dúvida, trouxe as principais informações para os próximos passos da política monetária. O documento reforçou que a taxa de juros no patamar atual promoverá o arrefecimento ou até mesmo o esgotamento das pressões inflacionárias, hoje existentes, no horizonte relevante para a política monetária. Além disso, o comitê entende que o hiato do produto, deslocando-se para o campo negativo, deverá contribuir para a descompressão da inflação no curto prazo. Finalmente, reduzindo qualquer dúvida que possa ter ficado por ocasião de seu último comunicado, quando a expressão “neste momento” foi mantida, o BC reiterou que: “mantidas as condições monetárias – isto é, levando em conta estratégia que não contempla redução do instrumento de política monetária”, a inflação “tende a entrar em trajetória de convergência para a meta nos trimestres finais do horizonte de projeção”. A expressão “trimestres finais”, presente neste parágrafo, sugere que a estratégia de manutenção compreende um período bastante prolongado.
Atividade
IBGE: mercado de trabalho se manteve apertado nas quatro regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE em junho
A paralisação dos servidores do IBGE voltou a afetar a apuração dos dados da Pesquisa Mensal do Emprego referentes a junho. Com isso, o instituto divulgou ontem apenas os dados para as regiões metropolitanas de Recife, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo – deixando de fora Salvador e Porto Alegre, como aconteceu com os resultados de maio. De todo modo, os dados disponíveis, referentes a junho, não parecem divergir muito da tendência recente de acomodação dos ganhos nominais de renda, de queda da população economicamente ativa e da estabilidade da ocupação. Fazendo uma extrapolação dos dados das regiões metropolitanas de Salvador e Porto Alegre, disponíveis até abril, e compatibilizando com os dados observados das demais áreas pesquisadas, observamos um comportamento bastante semelhante ao observado no primeiro semestre do ano. O baixo patamar da taxa de desemprego nos últimos meses tem sido explicado principalmente pela retração da população economicamente ativa (PEA), conforme temos enfatizado em nossas publicações. De fato, em junho, estimamos nova queda interanual da PEA, próxima a 1%. Ao mesmo tempo, temos a estabilidade da população ocupada. Assim, a taxa de desemprego deve ter permanecido no patamar de 4,5%, constante, portanto, nos últimos meses. Comportamento semelhante ao observado nas regiões metropolitanas de Belo Horizonte (onde a taxa de desocupação passou de 3,8% para 3,9% entre maio e junho), do Rio de Janeiro (com queda de 3,4% para 3,2%), de São Paulo (que exibiu estabilidade da taxa de desemprego em 5,1%). Por outro lado, a taxa de desemprego em Recife caiu de 7,2% para 6,2%. Dessa forma, as condições de oferta e demanda do mercado de trabalho seguem apertadas. No entanto, estimamos que, após acelerar para um crescimento superior a 10% ao ano em maio, o rendimento nominal voltou a crescer em torno de 9,0% no mês passado, mais perto dos números do primeiro semestre. Mantemos o nosso cenário de elevação gradual da taxa de desemprego ao longo deste ano, acompanhando a moderação da ocupação (em resposta à atividade econômica e em linha com o movimento já apresentado pelos dados de empregos formais, do Caged) e a normalização da PEA. Nossa estimativa aponta uma taxa média de desemprego de 5,2% neste ano e 5,7% em 2015. Por fim, vale reforçar que as condições apertadas do mercado de trabalho, ao mesmo tempo em que favorece o consumo das famílias, também impõe desafios à desaceleração da inflação de serviços, como temos observado nos últimos meses.
Internacional
Alemanha: tensões na Ucrânia impactaram negativamente a confiança dos empresários em julho
O clima de negócios na indústria e no comércio da Alemanha voltou a cair em julho, conforme apontado pela pesquisa do instituto Ifo. O índice de confiança dos empresários recuou pelo terceiro mês consecutivo, atingindo o menor patamar desde outubro de 2013. Segundo o próprio levantamento, o conflito na Ucrânia tem sido o principal responsável por essa piora do sentimento. Tanto o componente de expectativas como o da situação atual dos negócios impulsionaram a queda do indicador. Entre os setores pesquisados, todos exibiram o mesmo comportamento do índice composto (indústria, comércio atacadista, varejo e construção). Tais resultados, no entanto, divergem da prévia do índice PMI divulgada ontem, que apontou para ligeira melhora da confiança dos empresários alemães neste mês. Na mesma direção, o instituto GfK revelou novo aumento da confiança dos consumidores no período, em sondagem anunciada há pouco. Em especial, as expectativas de renda atingiram o maior patamar desde a reunificação, enquanto as perspectivas para o desempenho da economia mantiveram-se praticamente inalteradas em patamar recorde. De modo geral, portanto, as tensões geopolíticas no leste europeu têm impactado de forma mais significativa o comportamento dos empresários alemães do que dos consumidores. Ainda assim, esse continua sendo o maior risco à recuperação recente da economia do país.
Tendências de mercado
As bolsas asiáticas encerraram o último pregão da semana em alta, puxadas especialmente por empresas do ramo de metais e carvão. Em sentido contrário, as bolsas europeias exibem perdas refletindo a queda apontada pelo índice IFO de sentimento econômico e o agravamento das tensões geopolíticas. O índice futuro norte-americano também aponta queda na abertura do mercado, mesma direção que a bolsa brasileira deve seguir.
Diante desse cenário, no qual a cautela prevalece, o dólar ganha valor frente às principais moedas, com destaque para o rublo russo. Com isso, podemos esperar que o real siga a mesma tendência, depreciando neste último dia da semana. Entre as commodities, destaque para a alta dos preços do cobre e do trigo e para a queda das cotações de soja e milho. Por fim, o mercado doméstico de juros futuros deve responder ao resultado da sondagem do consumidor, divulgada há pouco pela FGV, e da nota do setor externo, que será divulgada às 10h30 pelo Banco Central.
Octavio de Barros
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