22/02/2021
Investir é uma coisa, especular é outra.
Distinção importante e pouco enfatizada pelo mercado.
As duas abordagens fazem parte da dinâmica do mercado financeiro (todo investimento possui um grau especulativo, pois não existe previsão definitiva de nada).
Uma definição que gosto sobre o que é investir, do Benjamin Graham: investimento é aquela alocação que, após profunda análise, promete segurança do principal investido e retorno adequado. Alocações não enquadradas nisso são especulativas.
O termo “investidor” não se aplica a todos que estão no mercado de ações.
A mídia contribui para essa confusão: quem compra ou vende um ativo virou "investidor", não importa o que comprou, por qual motivo, a que preço, a vista ou alavancado.
Coloca na mesma categoria o apostador “tudo ou nada” e os mais preparados.
Assim como existe investimento inteligente, existe especulação inteligente.
Mas há situações em que especular pode ser perigoso:
1) especular e achar que está investindo;
2) especular seriamente quando você não tem conhecimento adequado e habilidade para fazer isso sozinho;
3) arriscar mais dinheiro especulando do que deveria.
De forma geral, quem compra uma ação por conta de dica ou se pq a empresa está “na moda” tem que aceitar o fato de que isso é uma especulação ou uma aposta.
Especular é sempre fascinante e pode ser bastante divertido quando você está ganhando.
Se quer tentar a sorte, separe uma fração do capital especificamente para esse intuito e internalize o fato de que esse é o dinheiro da especulação.
Um benefício da especulação para o mercado é o caso de empresas não testadas (como Amazon, Apple, Microsoft etc) que nunca conseguiriam levantar capital suficiente para expandirem. A remota chance de um ganho monstruoso no caso do negócio decolar é o lubrificante da máquina da inovação.
Resumindo:
1) Investir e especular são coisas diferentes;
2) Existem maneiras inteligentes de avançar nas duas frentes;
3) Saiba quando você está especulando e não investindo.
Eai, de qual lado você está?