08/05/2014
O método da conversação.
É difícil aprender uma segunda língua. Quando um aluno me procura para aulas de inglês, geralmente é por alguma razão específica: precisa melhorar o domínio do inglês para realizar melhor suas pesquisas, seu trabalho, é para fazer uma prova ou porque vai começar a trabalhar em um grupo com pessoas de outras nacionalidades. Ter estes objetivos específicos é o maior motivador para que as aulas sejam eficazes e esta é a razão de ter desenvolvido um sistema para as aulas em que os materiais de aula são buscados nas áreas de interesse do aluno.
Em minha experiência como professor utilizei alguns cursos sistematizados em livros e arquivos de áudio mas logo reparei que ao utilizar estes materiais genéricos, todo o entusiasmo e objetividade inicial se perdem. Ao final de um longo dia, se na aula o aluno se depara com um assunto que não tem nada a haver com o seu interesse, todo o investimento, de tempo e dinheiro, perde o sentido. Estes livros de exercícios são bons para quem gosta e tem tempo para fazer lição de casa. Se este é o caso, gosto dos sistemas "New Total English" e do "New Market Leader", dependendo do aluno.
Outra característica do meu método é o forte apoio na prática da conversação. Minha história de vida, tendo crescido em Boston e San Diego, me fez bilíngue inglês-português. Desta forma tenho fluência nas duas línguas, com a pronúncia nativa americana no inglês. Por ter um íntimo conhecimento da sonoridade natural da língua, consigo trabalhar muito bem a articulação fonética com os alunos. Isso é importante porque a sonoridade das palavras individualmente e a musicalidade da língua é o que vai permitir que um interlocutor compreenda a conversa.
Isto também é muito importante, por exemplo, para adquirir vocabulário. Quando ensino uma palavra nova, seu uso e ainda trabalhamos a pronúncia, o aluno vai começar a usar a palavra em conversas e quando percebe que o interlocutor compreende bem o sentido, o aluno sente segurança e continuará a usar a palavra. Se a pronúncia não estiver correta, o aluno percebe a confusão no interlocutor, sente insegurança e vai deixando de usar a palavra, que acaba esquecida.
Esta não é uma invenção minha, é uma estratégia bastante conhecida e utilizada, e o segredo é a referência da sonoridade correta das palavras, que será mais facilmente adquirida com um professor nativo.
Esta ideia é mais desenvolvida em um outro post: O vocabulário nas aulas de inglês.
É como todo mundo aprende a falar: escutando e interagindo na fala, e em seguida parte-se para a escrita. O texto escrito também é trabalhado através de ditados em que gosto de utilizar videos de programas de televisão e palestras sobre assuntos do universo do aluno.
A gramática é importante mas é discutida na medida da necessidade, que vai surgindo naturalmente através de minhas observações sobre o aluno em suas dificuldades. Mas insisto: a gramática não deve ser a maior preocupação porque o perfeito domínio da língua, cá entre nós, só é possível quando se vive inserido na cultura. O que vai trazer a maior diferença para o aluno é a desenvoltura na capacidade de se comunicar verbalmente. A partir desta capacidade, o domínio da língua se desenvolve naturalmente ao longo do tempo de prática.