Orlando Fedeli

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Doutor

“50-68 milhões” de mortos na Inquisição? 12/03/2017

“50-68 milhões” de mortos na Inquisição? A apologética (a defesa do catolicismo e, por vezes, do cristianismo em geral) é geralmente muito divertida. Eu amo meu trabalho, mas às vezes é irritantemente frustrante. Nesta mesma semana, eu ti…

Photos 04/10/2016

::São Francisco não era pacifista::

Pobre São Francisco, tão mal compreendido, hoje, e tão abandonado e até de imagem deformada.
Querem fazer dele um santo romântico e ecológico. Pior ainda um santo pacifista.
Costuma-se dizer que os santos sofrem durante a vida, e que, mesmo no céu, tem que suportar a deturpação de seus atos, nas páginas de seus biógrafos, que muito deturpam seus passos e intenções.
São Francisco jamais pregou contra as cruzadas.
Nem poderia fazê-lo, pois que senão, ele não seria santo.
Durante a Quinta Cruzada, quando os cristãos cercaram Damietta, no delta do Nilo, no Egito, São Francisco foi para lá.
O cerco durou 17 meses.
Certa vez, São Francisco teve uma visão de Deus, que lhe disse que os cristãos seriam derrotados num combate que preparavam. São Francisco os preveniu, mas não foi ouvido, e, nesse combate, os cristãos perderam 6.000 homens. Mas o cerco de Damietta prosseguiu.
São Francisco, então, resolveu ir até os maometanos, para tentar convertê-los ou morrer mártir. Foi até as tropas maometanas que aprisionaram ao santo e ao frade que o acompanhava, batendo muito nos dois frades.
Levado diante do sultão do Egito, Malek Kamel, São Francisco pregou valentemente o cristianismo, a Santíssima Trindade, e atacou Maomé de modo nada ecumênico. Queriam matá-lo por isso, mas o Sultão não deixou.
São Francisco desafiou, então, os ulemás maometanos a entrarem com ele numa grande fogueira.
Quem saísse vivo da fogueira teria provado que seu Deus era o verdadeiro.
Nenhum ulemá aceitou entrar na fogueira.
São Francisco propôs, então, a Malek Kamel, que ele entraria sozinho no fogo. Caso ele morresse, seria como punição de seus pecados. Caso ele saísse vivo, seria a prova de que o Cristianismo era a religião verdadeira. E, nesse caso, o sultão deveria se fazer batizar com todo o seu povo.
Desta vez, foi o sultão que ficou com medo...
O Sultão Malek Kamel, de medo de ser deposto pelos seus homens, não aceitou nem essa proposta.
Ofereceu então muitos presentes ao santo da pobreza, que os rejeitou todos.
A pregação de São Francisco, que foi ouvida até pelos lobos, não foi aceita pelos muçulmanos, que provaram assim serem mais duros que lobos.
Malek Kamel deixou partir São Francisco que voltou ao campo cruzado.
A guerra prosseguiu, e depois de 17 meses de cerco, Damietta foi tomada.
Hoje, se procura denegrir São Francisco, como se ele tivesse combatido a Cruzada.
Os pacifistas modernos -- contrários às guerras e às polêmicas -- e sempre dispostos a dialogar com os inimigos de Deus e da Santa Igreja, dizem inspirar-se no exemplo de São Francisco.
Se fossem sinceros, eles deveriam ir até os inimigos de Deus, e, como São Francisco, pregar a eles a religião verdadeira com destemor, e atacando as falsas religiões, assim como São Francisco atacou Maomé, diante dos maometanos.
Se fossem mesmo sinceros imitadores de São Francisco, esses pacifistas deveriam propor, como ele, entrarem numa fogueira junto com os hereges e ateus, para ver quem sairia vivo.
Desconfio de que ninguém, aí, sairia vivo.
Mas, assim como não ouve nenhum ulemá disposto a aceitar o desafio de São Francisco, duvido que qualquer padre pacifista e ecológico atual enfrentasse o fogo de um palito de fósforo para defender suas heresias.
O que prova esse caso da vida de São Francisco é que certos hereges e infiéis nem com o exemplo de um santo como São Francisco se convertem. Nem com a promessa de um milagre. Ora, se nem a santidade de um São Francisco conseguiu converter certos pecadores, não será o diálogo ecumênico -- um bla-bla blá pseudo teológico --- que vai conseguir isso.
Como disse Santa Joana d´Arc, uma santa de couraça e de espada na não, "só se conseguirá a paz na ponta da lança"
in Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

17/07/2016
28/04/2016
Photos 20/04/2016

EUCARISTIA NA MÃO OU NA BOCA?
(Cartas de Leitores)

*Pergunta: Professor Orlando Fedeli, que a Virgem Santíssima lhe proteja sempre.

Recorro ao senhor porque esta dúvida me aflige. Sou paulista mas moro atualmente na cidade paranaense de Londrina. Lá em São Paulo (pelo menos não me lembro) nunca vi ninguém receber a Eucaristia diretamente na boca, embora eu soubesse que é possível e que era o costume antigo, uma vez que meu pai, quando criança, recebia a Eucaristia na boca. Todavia, aqui em Londrina, percebi que algumas pessoas recebiam a Eucaristia diretamente na boca. Para mim não foi espanto porque, como já disse, sabia que era possível. O que me espantou foi que muitas das pessoas que recebiam a Eucaristia nas mãos lambiam-nas depois de levarem a Hóstia à boca. Quando digo "lambiam-nas" é porque literalmente lambiam a mão. Mesmo. Claro, lambem-nas para que não reste nenhuma partícula do Santíssimo Corpo do Senhor em suas mãos. Mas seria isso necessário? Não seria mais fácil receber a Eucaristia na boca? Então comecei a me perguntar se o mais correto não seria realmente receber a Eucaristia diretamente!

na boca. Um dia tomei coragem e a recebi sem tocá-la. Depois daquele dia nunca mais a recebi pelas mãos.

E eu lhe pergunto, professor Orlando, quem está certo, ou então, quem está mais certo?

Já li algo a respeito, mas queria que o senhor esclarecesse de uma vez por todas a questão.

Obrigado.

Glória a Deus, à Virgem Santa e à Santa Igreja.

*Resposta: Muito prezado Geraldo, salve Maria!

Sua pergunta é muito importante, para muitas pessoas, de modo que, embora eu já a tenha respondido em outras ocasiões, repito a resposta. para ajudar a muitas pessoas.

Entre os abusos que se introduziram após o Vaticano II e a reforma litúrgica de Paulo VI -- que consistiu, segundo o Cardeal Ratzinger, na "fabricação" de uma Nova Missa -- um desses abusos foi o de dar a comunhão na mão.

A princípio, se determinou que seria possível dar a comunhão na mão, para quem preferisse assim. Era uma concessão e uma exceção. Depois, se instituiu, -- por vezes aos gritos -- que a comunhão só podia ser dada a quem ficasse de pé, e recebesse a comunhão na mão. Por vezes, impondo aos gritos esse abuso. Outras vezes, impondo-o "suavemente", em nome da "obediência".

Quem insistia em comungar de joelhos era bem maltratado.

(Ainda esta semana, um jovem conhecido meu, que se colocou de joelhos, para comungar, foi publicamente humilhado por um sacerdote, em São José dos Campos, que recusou dar-lhe a comunhão, por causa disso).

Não importa que a Santa Sé tenha determinado que é um direito do fiel receber a comunhão de joelhos e na boca. Alguns padres, infelizmente, se acreditam donos da Missa e da liturgia, assim como senhores da lei.

Que comungar na boca é mais perfeito, é evidente, pois evita muitas possibilidades de sacrilégio, pela perda de partículas consagradas, já que Nosso Senhor está inteira e realmente presente, com seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade, em qualquer partícula da Hóstia Consagrada. Além disso, receber a comunhão na mão facilita o roubo de Hóstias consagradas, para serem usadas em cerimônias satânicas, a fim de serem propositalmente profanadas. E isso não é tão incomum.

A razão profunda pela qual se forçou, contra o costume e contra o que a Igreja determinara, a recepção da comunhão na mão, foi que isso sugeria que não há diferença entre a mão do sacerdote e a mão do simples fiel.

Queria-se dar a entender que o fiel é igual ao padre, ou pior, que o padre é igual ao fiel, que "o padre é um homem como qualquer outro. O padre não é um homem "como qualquer outro". O sacerdote é um homem que tem, na alma, a marca indelével de sacerdote de Cristo, e de sacerdote "in aeternum". Desse erro de querer considerar o sacerdote como um simples homem, e "como qualquer outro", se pretende tirar duas conseqüências péssimas: 1) Se o padre é igual a qualquer pessoa, qualquer pessoa poderia rezar a Missa.

Daí a proliferação, abusiva, de ministros e ministras da Eucaristia, as chamadas Missas secas ou celebrações dominicais sem padre, o fazer até mulheres ler a Epistola e o Evangelho, etc.

No etc. se inclui um caso a que assisti, quando rezava o terço numa igreja de um bairro, aqui, em São Paulo.

De repente, entrou o Padre para rezar a Missa, mas ele entrou acompanhado de duas senhoras paramentadas quase como padres, uma portando o Missal e a outra portando outro objeto. Um absurdo que agrada velhas beatas de sacristia, e as famosas "gerentes de paróquia" -- porque há, infelizmente, hoje, "mulheres-gerentes de paróquia". E tirânicas! E até bem tirânicas!! -- Paremos por aqui!!! -- mas um abuso, um erro, e pior uma coisa que contraria a doutrina, o costume e a lei da Igreja.

2) Segunda conseqüência lógica, se o padre é "um homem como outro qualquer", porque o padre não pode ter... sogra, porque o padre não pode casar como "um homem qualquer"?

Exatamente porque o padre não é um homem qualquer.

Voltemos à sua pergunta: porque é melhor receber a comunhão na boca?

Já lhe mostrei os males decorrentes de receber a comunhão na mão.

Vejamos agora por que é melhor receber a Hóstia consagrada na boca.

É melhor receber a comunhão sobre a língua, porque a língua é o órgão da palavra, e Cristo é o Verbo, a Palavra de Deus encarnada. Nada mais próprio, então, do que receber o Verbo de Deus encarnado, presente realmente na hóstia consagrada, sobre a língua, que deve ser órgão da verdade. E Cristo é a Verdade.

Nossa língua deve ser o trono da Verdade encarnada, Cristo, Deus e Homem, assim como o trono da verdade comum.

Se a mão é o meio que normalmente se usa para fazer as coisas, a língua é o órgão que expressa o pensamento. Ora, o pensar é superior ao fazer, e portanto a língua é mais nobre que a mão.

Alguém poderia dizer que São Tiago (Ep.de São Tiago, III) previne contra os pecados cometidos pela língua, as mentiras, as murmurações, as calúnias e as heresias que a língua pode exprimir, e que levam mais à perdição do que as obras das mãos. A língua , lembra São Tiago, é capaz de bendizer a Deus e de maldizer do próximo (Cfr. Tg. III, 9). Por isso mesmo, então, a língua é mais nobre, porque só o que é capaz do pior é capaz do melhor. E se a língua é órgão mais fácil para pecar, ela é que precisa de mais remédio.

A princípio, dava-se a comunhão na mão, mas os abusos que isso permitia fizeram a Igreja logo mudar a forma de recepção da Hóstia consagrada, determinando que ela fosse dada na boca. Creio que já no século IX, um Concílio, em Reims proibiu que fosse dada a comunhão na mão.

Por tudo isso, sem desrespeitar o sacerdote, receba a comunhão sempre na boca, e estando você de joelhos, para expressar claramente a fé na presença rela de Cristo na Eucaristia. Isso é um direito do fiel, como ainda recentemente reconheceu a Santa Sé.

Esperando tê-lo atendido, me subscrevo cordialmente
in Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

Photos 13/02/2016

"O anel de tucum na mão de um Bispo é uma ostentação de pobreza. E ostentar virtude é vaidade que anula toda virtude.

Usar isso, para demonstrar amor aos pobres, mais é demagogia do que virtude.

Se alguém é realmente pobre, deve praticar essa pobreza e o desprezo das riquezas, sem ostentação, porque se não é pura vaidade e desejo de ser considerado pobre e bom. Isso é orgulho mascarado de pobreza.

Um Bispo é sucessor dos Apóstolos.

Quem é elevado pelo Papa a tão grande honra, deve saber distinguir entre o seu cargo e função episcopal, e a sua pessoa. Enquanto Bispo, ele deve compreender que deve usar todos os símbolos de sua honra apostólica. Enquanto pessoa, ele deve ter sempre diante de seus olhos, o seu pouco valor pessoal para tão alta honra. Quando o Bispo pensa que o anel episcopal é dele, enquanto pessoa individual, isso é sinal de que ele se esqueceu da dignidade altíssima de seu encargo apostólico. E isso é um grande mal. É exatamente isso que faz o Bispo que ostenta anel pobre, porque julga que o anel é para ele enquanto pessoa, esquecendo-se de sua missão de Apóstolo.

São Roberto Belarmino, que era Cardeal Arcebispo de Milão, e Príncipe, usava roupas e carruagens magníficas. Mas, no assento de sua carruagem, colocava escondidamente pontas de aço, para fazer penitência ocultamente em todo o percurso em carruagem dourada."

In Corde Jesu, semper,
(Orlando Fedeli).

"O anel de tucum na mão de um Bispo é uma ostentação de pobreza."

http://www.montfort.org.br/old/index.php?secao=cartas&subsecao=outros&artigo=20040806130522

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