03/06/2021
Imediatamente a percepção de um ambiente sem ansiedade, onde as relações de hierarquia são horizontais e, portanto, mais democráticas. Elas favorecem a transparência das ações da escola e, essencialmente, as necessidades dos estudantes.
Essas escolas optam pelo modelo de reuniões em círculos de decisão, com no máximo 10 pessoas por grupo. Podem e devem se reunir dessa forma alunos, professores, o setor administrativo e operacional, as famílias e responsáveis. Um outro círculo de gestão se forma com dois representantes de cada grupo quando um problema não alcança consenso. O formato em círculo é intencional porque todos sabem que falarão no momento em que chegar a sua vez. A metodologia se chama sociocracia e, diferentemente da democracia, onde o mais votado é que ganha, enquanto houver uma objeção a decisão não acontece. E quando surgem as objeções, elas são percebidas como um presente para o grupo. É a partir delas que se constrói um caminho melhor e confortável para todos. Para que alguém que tem uma objeção é necessária uma proposta, e a partir dela o grupo busca encontrar uma alternativa.
Um dos desafios dos círculos de debate é lidar com as pessoas que querem bloquear o processo. Perguntas como "isso é bom o suficiente para você ou é seguro o suficiente para você?" são comuns nesses momentos. Certas pessoas têm uma preferência para algo e não abrem mão dela, mas existe o entendimento do grupo de que devemos dar alguma margem de tolerância para a nossa convicção quando o consenso for o objetivo. Toda objeção precisa de um argumento forte e importante para ser alterado.
Assim funciona a sociocracia. Poder de voto, debate e consentimento, que é diferente de simplesmente concordar ou discordar. Em síntese, nessas escolas não se notícia de bullying. Não há espaço para conflito quando os anseios de todos da comunidade escolar têm espaço, escuta ativa e colaboração solidária.