21/08/2026
“Onda”, da ilustradora sul-coreana Suzy Lee, não tem uma palavra sequer — e ainda assim conta uma das histórias mais reconhecíveis da infância: a de se aproximar, com cautela, daquilo que ainda não se conhece.
A menina da história chega à praia sozinha e observa o mar à distância. Se aproxima, recua, tenta de novo. A ilustradora usa até a dobra física do livro como parte da narrativa — de um lado, a menina; do outro, o mar — até que essa fronteira começa a se misturar.
Não é preciso nenhuma legenda para reconhecer esse sentimento. É o mesmo que atravessa uma criança subindo mais alto no balanço, andando sozinha até o fim do quintal, tocando a água fria pela primeira vez sem soltar a mão de ninguém — ou soltando, só para ver o que acontece.
Na abordagem Pikler, isso tem nome: liberdade de movimento. Dar espaço para que a criança teste seus próprios limites, no próprio tempo, com um adulto por perto — presente, mas sem antecipar o risco por ela. É um exercício de confiança dos dois lados.
O que acontece depois que a página vira, cada família descobre em casa. Mas f**a uma pergunta boa para conversar depois da leitura: o que muda em nós depois que enfrentamos aquilo que nos dá um pouco de medo?
“Onda” faz parte da curadoria Circular em Casa. Disponível pelo link da bio.
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