23/09/2026
Este mês a Voa me fez um convite bonito: escrever a carta que eu gostaria de ter recebido no começo da carreira, quando eu f**ava insegura diante do primeiro paciente que sabia que não ia sobreviver.
Ficar. Essa foi a parte que tive que aprender sozinha. Continuar ali quando a medicina já fez tudo o que podia e sobra só a minha presença. Levei muitos anos, aprendendo com cada pessoa que me deixou acompanhá-la até o fim.
Cuidar assim sempre pediu a minha atenção inteira. E durante muito tempo, eu dividi essa atenção com o prontuário e com uma papelada que não acabava nunca. Hoje a Voa faz essa parte comigo. Organiza o registro da consulta e, quando aparece uma dúvida, me ajuda a chegar mais rápido à evidência. As decisões continuam comigo. O que ela me devolve é o que sempre importou: estar ali.
Se você trabalha com saúde assim como eu, guarde esta carta para reler naquele dia em que o peso chegar maior do que a gente dá conta de carregar, e mande também para quem você percebe tão exausto que já nem consegue mais pedir ajuda, porque há horas em que o que nos sustenta de pé é escutar, de alguém que também já esteve nesse lugar, um simples eu sei como é.