Dra Ana Claudia Quintana Arantes

Dra Ana Claudia Quintana Arantes Por aqui vou compartilhando a agenda de cursos e eventos bem legais! Especialização em Cuidados Paliativos pelo Instituto Pallium e Universidade de Oxford.

Sou médica, formada pela USP com residência em Geriatria e Gerontologia no Hospital das Clínicas da FMUSP. Fiz pós graduação em Psicologia - Intervenções em Luto pelo Instituto 4 Estações de Psicologia. Sou sócia fundadora da Associação Casa do Cuidar, Prática e Ensino em Cuidados Paliativos. Atualmente sou a vice presidente da instituição e coordeno os cursos de formação Multiprofissional na área desde 2007. No Hospital Israelita Albert Einstein fui a responsável pela elaboração e implementação das políticas assistenciais e treinamentos institucionais em Cuidados Paliativos e Terapia da Dor segundo as recomendações da Joint Comission. Implantei as políticas e protocolos assistenciais a pacientes em Cuidados Paliativos no Hospice do Hospital das Clinicas da FMUSP onde fui a médica responsável pela unidade entre 2011 e 2015. Sou atualmente docente da The School of Life, ministrando as aulas "Como lidar com a morte" e "Como ter melhores conversas". Participei do TEDx FMUSP com a palestra " A Morte é um dia que vale a pena viver" e acabei de lançar um livro pela editora Leya - Casa da Palavra com o mesmo título e já está entre os mais vendidos e recomendados. Desde 2015 venho desenvolvendo cursos e intensivos de Conversas sobre a Morte voltado ao publico em geral além de profissionais de saúde, pacientes e familiares.Trabalho em meu consultório particular em São Paulo, no atendimento de pacientes na Geriatria, Cuidados Paliativos e suporte ao luto.

Este mês a Voa me fez um convite bonito: escrever a carta que eu gostaria de ter recebido no começo da carreira, quando ...
23/09/2026

Este mês a Voa me fez um convite bonito: escrever a carta que eu gostaria de ter recebido no começo da carreira, quando eu f**ava insegura diante do primeiro paciente que sabia que não ia sobreviver.

Ficar. Essa foi a parte que tive que aprender sozinha. Continuar ali quando a medicina já fez tudo o que podia e sobra só a minha presença. Levei muitos anos, aprendendo com cada pessoa que me deixou acompanhá-la até o fim.

Cuidar assim sempre pediu a minha atenção inteira. E durante muito tempo, eu dividi essa atenção com o prontuário e com uma papelada que não acabava nunca. Hoje a Voa faz essa parte comigo. Organiza o registro da consulta e, quando aparece uma dúvida, me ajuda a chegar mais rápido à evidência. As decisões continuam comigo. O que ela me devolve é o que sempre importou: estar ali.

Se você trabalha com saúde assim como eu, guarde esta carta para reler naquele dia em que o peso chegar maior do que a gente dá conta de carregar, e mande também para quem você percebe tão exausto que já nem consegue mais pedir ajuda, porque há horas em que o que nos sustenta de pé é escutar, de alguém que também já esteve nesse lugar, um simples eu sei como é.

Existe um tipo de fim de vida que assusta até profissionais muito experientes: o das doenças neurológicas.Alzheimer, ELA...
21/09/2026

Existe um tipo de fim de vida que assusta até profissionais muito experientes: o das doenças neurológicas.

Alzheimer, ELA, sequelas graves de AVC. Doenças em que a pessoa vai perdendo, aos poucos, a fala, o movimento, às vezes a própria capacidade de dizer o que sente e o que quer. Cuidar bem dessas pessoas exige um conhecimento muito importante, pois reúne duas áreas: a neurologia e os cuidados paliativos.

A professora Vanessa Hachiman é exatamente essa ponte. Neurologista formada pela Unicamp, e paliativista, ela cuida desses pacientes no Hospital de Clínicas da Unicamp e coordena o comitê de neurologia da maior academia de cuidados paliativos do país.

Ter a Vanessa coordenando e ensinando na nossa pós é garantir que os nossos alunos não fiquem perdidos diante desses casos, que estão entre os mais delicados de toda a medicina.

A Pós-Graduação em Cuidados Paliativos está com as últimas vagas disponíveis, e a aula inaugural é dia 30 de setembro.

Comente MATRICULA para receber o link com todas as informações.

O que mais me chama atenção nessa história não é o que aconteceu com ele, é o nosso espanto, que se repete toda vez e qu...
20/09/2026

O que mais me chama atenção nessa história não é o que aconteceu com ele, é o nosso espanto, que se repete toda vez e que diz muito mais sobre nós do que sobre ele.

Como exemplo, uma história real e que feriu cada um de nós de jeitos profundos.

Robin Williams fez o mundo rir a vida inteira e, quando morreu em 2014, a pergunta que ficou no ar foi como alguém assim poderia estar sofrendo daquele tamanho, uma pergunta que a autópsia respondeu depois de um jeito que quase ninguém acompanhou, porque o que havia no cérebro dele era uma doença que em vida nem tinha sido nomeada.

Convivo há muitos anos com pessoas que estão morrendo e com as famílias que as acompanham, e uma das coisas que mais aprendi nesse tempo é que sofrimento não tem aparência única, não se anuncia, não pede licença, e muitas vezes mora exatamente em quem todo mundo acha que está bem, em quem sustenta a casa, em quem faz a piada, em quem cuida dos outros sem que ninguém pergunte quem cuida dele.

Entre profissionais de saúde isso é quase regra, porque aprendemos cedo que é preciso estar inteiro para poder servir, e então carregamos sozinhos o que deveria ser dividido.

Quando a morte de alguém assim chega até nós e a primeira reação é quem diria, estamos confessando que esperamos que a dor apareça, que ela se mostre, que se comporte de um jeito reconhecível, e enquanto esperamos isso quem está sofrendo aprende que precisa disfarçar melhor.

Se tem alguém perto de você que faz todo mundo rir, pergunta como ele está, pergunta de verdade, e f**a para ouvir a resposta.

As fontes desta informação estão no último card.

Chegar tarde não é um diagnóstico, é o veredito sobre a vida inteira que essa pessoa viveu antes de adoecer, sobre ter s...
20/09/2026

Chegar tarde não é um diagnóstico, é o veredito sobre a vida inteira que essa pessoa viveu antes de adoecer, sobre ter sido atendida depois dos outros, escutada por menos tempo, encaminhada com menos insistência, e quando esse percurso se repete sempre com as mesmas pessoas não é azar, é distribuição desigual de esforço.

Isso quase nunca aparece como xingamento, aparece como economia de compaixão, e é a mesma coisa que faz um companheiro de trinta anos f**ar no corredor porque alguém decidiu que ele não é familiar.

Um dia todos nós vamos passar pelo intervalo em que não se sustenta o próprio corpo, e nesse intervalo quem vai te virar na cama e perceber a sua dor antes que você consiga nomeá-la vai ser, com altíssima probabilidade, alguém que você aprendeu a considerar inferior.

É que as cores das mãos que você despreza hoje podem ser as únicas mãos capazes de lhe oferecer alguma dignidade.

Essa história tem uma segunda parte, e ela é a razão de eu ensinar. Em poucas horas, profissionais que passaram pela formação se moveram, encontraram uma médica na cidade dele, alguém disposto a escutá-lo à distância, um caminho para ele gravar um vídeo para a família no Senegal.

Nenhuma delas vai mudar o prognóstico e ainda assim mudaram a única coisa que ainda podia mudar, que é quem estará do lado.

Quando a morte chegar, é preciso ter uma vida para entregar a ela, diz um ditado africano, e a única vida que ela vai aceitar é a sua. Comporte-se como um ser humano: a única espécie do mundo capaz de cuidar de todas as outras.

Toda vez que alguém morre sofrendo diante de uma equipe de saúde, uma parte desse sofrimento vai para casa no peito da f...
20/09/2026

Toda vez que alguém morre sofrendo diante de uma equipe de saúde, uma parte desse sofrimento vai para casa no peito da família, disfarçada de culpa.

A filha que acha que devia ter brigado mais, a neta que acha que devia ter entendido antes, o marido que se pergunta por que não exigiu outro médico, e ninguém conta a essas pessoas que não era delas a obrigação de saber que havia remédio, técnica e conhecimento para aliviar aquela agonia.

Essa obrigação é nossa, de quem estudou, de quem assina o prontuário, de quem está no plantão quando a respiração muda, quando o olhar pede socorro, quando a pessoa tenta falar e não consegue.

Assistir a uma agonia sem saber o que fazer não é neutralidade, é falha de formação, e seguir sem aprender depois disso já é escolha.

Não existe boa morte pelo abandono, e deixar alguém morrer sofrendo porque ninguém ali sabe manejar dor, falta de ar, delirium ou angústia é abandono, mesmo com o soro correndo e a pressão sendo medida de hora em hora.

E se você é da saúde e se reconheceu no oitavo card, não passe adiante como se não fosse nada.

Quem está inteiro não ri do sofrimento que tem diante de si, e quem começou a rir está pedindo socorro do jeito que consegue, então procure ajuda, porque esgotamento tratado devolve para você a capacidade de cuidar, e esgotamento ignorado custa caro a cada família que passa pelo seu plantão.

A família precisa sair de uma morte sabendo que fez tudo o que cabia a ela, porque a equipe fez tudo o que cabia à equipe.

Se você carrega essa culpa, olhe de novo para o que você fez, o banho, a presença, a vigília, e devolva esse peso a quem ele pertence.

E se você cuida de quem está morrendo, estude cuidados paliativos, porque ninguém deveria morrer sofrendo no seu plantão.

18/09/2026

É hoje, gente boa!

Daqui a pouco estarei na Livraria Universos, em Porto Alegre, para uma tarde de autógrafos com o Alcio Braz. A partir das 18h, na Alameda Eduardo Guimarães, 100.

Se você está por perto, vem. Vai ser bom te ver por lá.

Quando esse órgão adoece, ele mantém desregulados os comandos que levam o corpo a produzir cortisol fora de hora, inflam...
17/09/2026

Quando esse órgão adoece, ele mantém desregulados os comandos que levam o corpo a produzir cortisol fora de hora, inflamação persistente, menos renovação dos neurônios e plaquetas mais reativas, e essa é a dose que ninguém escolheu tomar, administrada pelo próprio corpo hora após hora, sem intervalo, enquanto a doença não for tratada.

É essa continuidade que aparece depois no coração, no intestino, nos pulmões, na memória e no tempo de vida, e escrevi essa bula para que cada um desses efeitos f**asse visível.

Nas pessoas idosas quase nada disso é falado como tristeza, e sim como apatia, dor pelo corpo, queixa de memória, perda de peso e abandono do autocuidado, confundidos com o envelhecimento.

Tratar não é desistir de si, é cuidar de um órgão que adoeceu, e o cérebro responde: psicoterapia, medicação quando indicada e movimento atuam exatamente onde a doença está.

Se você se reconheceu aqui, procure um profissional de saúde, e se houver pensamentos de morte, ligue 188 (CVV, 24 horas, gratuito).

Salve e envie para quem ainda acha que isso é frescura...

16/09/2026

Já anota na agenda: nessa sexta, dia 18, eu vou estar na Livraria Universos, em Porto Alegre, numa tarde de autógrafos com o Alcio Braz.

A partir das 18h. Se você é daí ou está por perto, já se programa e vem. Vai ser bom demais te ver.

O cérebro é um órgão como o coração e o intestino, e quando adoece fabrica, todos os dias, adrenalina, cortisol fora de ...
16/09/2026

O cérebro é um órgão como o coração e o intestino, e quando adoece fabrica, todos os dias, adrenalina, cortisol fora de hora e inflamação que circulam pelo corpo inteiro e vão deixando marcas nos vasos, na digestão, na respiração, na memória e no tempo de vida.

Por isso escrevi a “bula” do transtorno de ansiedade generalizada, com o que a ciência já mostrou sobre o que acontece com quem vive anos em estado de alarme sem cuidado.

Nada disso é para assustar, e sim para que a decisão de tratar ou não tratar seja tomada com as duas bulas nas mãos, a do remédio e a da doença. Psicoterapia, atividade física, sono e, quando indicado, medicação, mudam esse percurso, pode salvar sua história e, principalmente, parar de fazer você perder TEMPO de vida boa de viver.

Se você se reconheceu aqui, converse com um profissional da saúde mental, e se houver pensamentos de morte, isso também é sintoma, então peça ajuda! Pode ligar 188 (CVV, 24 horas, gratuito) ou 192 - SAMU.

(Salve para ler com calma e envie para quem precisa ler também.)

É nessa sexta, gente boa.Vou estar em Porto Alegre, na Livraria Universos(), ao lado do Alcio Braz, para uma tarde de au...
15/09/2026

É nessa sexta, gente boa.

Vou estar em Porto Alegre, na Livraria Universos(), ao lado do Alcio Braz, para uma tarde de autógrafos e conversa.

Se você é daí ou está por perto, aparece. Leva o seu livro, escolhe um novo por lá, ou vem só para trocar um abraço e um dedo de prosa.

Além de comemorar os dez anos de "A morte é um dia que vale a pena viver", conversarei com sobre seu livro O Encontro, que trata de vida, morte, luto e regeneração, temas que partilham tanto com o que eu amo discutir.

Sexta, 18 de setembro, a partir das 18h, na Livraria Universos, Alameda Eduardo Guimarães, 100.

Para mais informações, é só chamar no WhatsApp (51) 99703-8903.

Te esperamos lá.

Endereço

São Paulo, SP

Notificações

Seja o primeiro recebendo as novidades e nos deixe lhe enviar um e-mail quando Dra Ana Claudia Quintana Arantes posta notícias e promoções. Seu endereço de e-mail não será usado com qualquer outro objetivo, e pode cancelar a inscrição em qualquer momento.

Entre Em Contato Com A Escola/colégio

Envie uma mensagem para Dra Ana Claudia Quintana Arantes:

Atalhos

Compartilhar