25/05/2026
Onde estão seus pés agora?
A gente pode estar com a mente espalhada. Há uma palavra que o português não tem com precisão para isso. Os ingleses dizem “elsewhere”. Outro lugar. Mas não traduz o que eu quero dizer. Porque não é apenas estar em outro lugar, é estar fora. Fora do corpo, fora do agora, fora da própria vida que está acontecendo enquanto a gente se ausenta dela. É uma forma sutil de evasão, tão sutil que se confunde com produtividade, com responsabilidade, com cuidado. A gente diz que está pensando. Está só fugindo, com método.
E os pés ficam.
Lealdade é uma palavra que a gente usa pouco para falar de corpo. Costuma servir para amigos, para amores, para alguns animais. Mas há uma lealdade do corpo que antecede todas as outras, e que continua acontecendo mesmo quando a gente esquece de retribuir. O coração que bate sem licença. O pulmão que insiste. Os pés que sustentam.
Eu passei anos achando que cuidar era um verbo que ia de mim para fora. Cuidar dos pacientes, cuidar da casa, cuidar de quem amo, cuidar das palavras que escrevo. Demorei a entender que existe uma direção inversa, mais antiga e mais silenciosa: o corpo me cuida sem que eu tenha pedido. Os pés são uma das formas mais nuas desse cuidado.
Voltar é uma palavra que aprendi a respeitar. Volta-se de uma viagem, de um susto, de um pensamento longo, de uma fuga sutil. Volta-se também, várias vezes ao dia, daquele fora onde a gente passa a maior parte do tempo sem perceber. E o lugar para onde se volta nem sempre é uma pessoa, uma casa, um país. Às vezes é só isso: o ponto exato onde os pés tocam o chão.
E essa pequena coluna de pertencimento: pé, piso, terra; é mais real do que qualquer cenário que minha cabeça consiga inventar.
A vida não acontece em outro lugar. Ela acontece exatamente aqui, no ponto em que o corpo encontra o mundo. E o corpo, generoso como é, fez dos pés a primeira fronteira desse encontro.
Os pés ficam.
Mesmo quando eu não fico, eles ficam. E é por isso que sempre há para onde voltar.
Onde estão seus pés agora?
24/05/2026
Chegamos a São Luís do Maranhão.
Daqui seguimos para o encontro em Santo Amaro com o grupo que vai atravessar comigo os Lençóis Maranhenses. Essa vai ser mais uma experiência surreal do Conexões em Viagem, ideia do meu querido amigo Jota. Mesmo que não seja a trabalho como eu, ele e , não tem como fazer viagens com outra agência que não seja com a .
Seremos uma pequena duna feita de 21 grãos de areia.
Cada um vindo de uma vida diferente. Cada um carregando o que só ele sabe. Por oito dias, 21 vidas se movendo juntas, ao vento, rumo a si mesmas.
24/05/2026
Hoje, em Fortaleza, uma banda de mulheres cantou Alcione num quintal. Não deixe o samba morrer, não deixe o samba acabar. Era uma banda só de mulheres. Era sol forte, chão de cerâmica, pandeiro, suor. E eu, médica de quase trinta anos cuidando de quem parte, abri os braços e sambei.
Dancei com a dor nos joelhos, no quadril, na alma. Dancei com o cansaço de décadas cuidando de quem morre, vivendo.
Dancei pela menina que me habita. Dancei pelas mulheres que vieram antes, as que pariram, as que enterraram, as que cantaram baixinho enquanto trabalhavam para os outros.
Eu sambei para elas. Por elas. Através delas.
Sambar é legado. É o que sobrou e o que floresceu depois do navio, do tronco, da senzala, do silêncio imposto. É a umbigada bantu atravessando séculos para chegar aqui, neste quintal, nesta tarde, neste meu gesto. Cada umbigada é uma avó africana dizendo que esteve aqui, e que eu existo porque ela resistiu.
Diante da dor, do envelhecimento, da misoginia, da rejeição, eu escolho sambar.
Escolho a alegria como ato político. Escolho o corpo como território. Escolho a roda como genealogia.
Não deixe o samba morrer.
Não deixe a samba morrer.
21/05/2026
Existe uma diferença entre ler um livro e deixar que ele te atravesse de verdade.
Quando você lê sozinho, as reflexões ficam guardadas. Quando você lê em comunidade, elas ganham voz, encontram eco, se transformam em conversas que você leva para a vida.
O Clube nasceu desse desejo: criar um espaço onde quem leu possa falar sobre o que sentiu, perguntar o que ficou sem resposta, e descobrir camadas que sozinho talvez não tivesse visto.
E estar ao lado de quem escreveu essas histórias muda tudo. Porque eu vou contar o que não está nas páginas. O que eu não consegui dizer. O que aprendi depois de escrever.
Comente CLUBE para receber o link de inscrição.
21/05/2026
Seis meses comigo, ao vivo.
Seis livros. Um por mês.
Vamos nos aprofundar nas histórias, nas entrelinhas, no que ficou por dizer.
Com encontros ao vivo aos domingos, das 18h às 19h30, convidados especiais, playlists de músicas para cada livro e lives-surpresa com leitores.
Você também garante acesso à Jornada Relacionamentos Saudáveis e ao Workshop Morte em Paz, com aulas gravadas que ficam disponíveis para assistir quando quiser.
Digite CLUBE nos comentários para receber link de inscrição.
21/05/2026
Este é um sonho antigo meu que finalmente ganhou forma.
Um espaço para estar mais perto de vocês que já leram meus livros e querem ir além das páginas. Para conversar sobre o que ficou nas entrelinhas, sobre as histórias por trás das histórias, sobre o que cada livro despertou em vocês.
Serão seis meses juntos, ao vivo. Um livro por vez. Vamos nos aprofundar em cada página, em cada reflexão, em cada história que escrevi a partir do que vi e vivi ao lado de tantas pessoas.
Não é um curso. Não é uma leitura obrigatória.
É um encontro. Uma troca verdadeira entre quem escreveu e quem leu.
Entre quem vive essas histórias todos os dias e quem se reconheceu nelas.
- 6 meses de Clube
- 1 encontro por mês
- Cronograma de leitura
- Convidados especiais
- Playlists para leitura
- Instagram do Clube
- Lives surpresa com leitores
✨ Se você gostou da ideia, comente CLUBE para receber o link de inscrição.
20/05/2026
É hoje, às 20h30
Você já parou para pensar quantas vezes na vida a gente escuta "aproveite o momento" e continua fazendo exatamente a mesma coisa?
A verdade é que a gente sabe que a vida passa. Mas saber não muda nada. O que muda é olhar de frente para aquilo que a maioria prefere ignorar.
Hoje, às 20h30, vou compartilhar o que vi ao lado de centenas de pessoas em seus últimos dias. O que elas me contaram. O que descobriram tarde demais. E o que você pode descobrir agora, sem precisar esperar uma doença grave bater na porta.
É online, ao vivo e gratuito.
Se você ainda não se inscreveu, comente QUERO ASSISTIR para receber o link de inscrição.
19/05/2026
Essa semana, “A morte é um dia que vale a pena viver” foi subindo no ranking dos mais vendidos da Amazon. Já estou entre os 20 primeiros, quase chegando ao top 10.
Mas confesso: o ranking que me move é outro.
O lugar onde eu realmente quero estar com meu livro é na sua casa. Na mesa de cabeceira. Ao alcance das suas mãos, nas noites em que a vida pesa e nas manhãs em que ela recomeça. Pertinho, pra ser aberto quantas vezes for preciso.
Porque ele não foi escrito pra ser número. Foi escrito pra ser companhia, pra que cada pessoa leitora possa seguir a vida mais viva.
Marca aqui alguém que você gostaria que me lesse.