07/06/2016
As lições da melhor escola estadual da capital - O que a Rui Bloem melhor escola estadual de Ensino Médio da capital paulista fez para chegar ao topo do ranking Educar
Texto
Marina Azaredo
A tradição da Escola Estadual Rui Bloem não é de agora, a escola também já ficou em primeiro lugar no Enem por dois anos
Campeã do Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo) entre as escolas paulistanas de Ensino Médio, a Rui Bloem alcançou uma média de 3,71. Também já foi primeiro lugar no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) - por duas vezes, o colégio obteve o melhor desempenho entre as unidades da rede estadual na capital paulista - e acabou se transformando em uma escola-modelo.
É verdade que o Idesp, um índice que combina o desempenho dos alunos no Saresp (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo) com o fluxo escolar, é medido em uma escala de zero a 10, o que torna preocupante que a escola com nota mais alta tenha uma média de apenas 3,71. No entanto, é preciso lembrar que, de uma lista de 573 escolas, a última teve nota 0,40. Diante desses números, o resultado da Rui Bloem deve, sim, ser encarado como exemplo para outros colégios. Afinal, é a escola que mais se aproxima da meta da Secretaria de Estado da Educação, que é 5 para o Ensino Médio. Mas o que essa escola tem de diferente?
A escola é bem cuidada, bonita, organizada e limpa. Não há vandalismo. "Somos rigorosos, vigilantes", afirma a diretora Maria Cleusa dentro de sua sala envidraçada, enquanto observa os alunos que estão no pátio, na aula de Educação Física. Diretora da Rui Bloem há seis anos, ela credita o bom desempenho da escola de 2 mil alunos nas avaliações governamentais a um conjunto de fatores. "Temos excelentes professores e pais muito participativos", afirma. Segundo ela, a APM (Associação de Pais e Mestres) é muito atuante e as famílias mais interessadas são aquelas que lutam muito para conseguir uma vaga na escola. "Eles ficam tão felizes que, depois, fazem questão de acompanhar o desenvolvimento dos filhos".
Outro ponto de destaque é o centro de línguas. O centro, fruto de uma parceria com a Secretaria Estadual de Educação, tem 900 alunos, entre jovens da própria escola e de outros colégios, e oferece aulas de francês, alemão, japonês e espanhol.
"Os professores e os alunos são interessados", respondem quase em uníssono Caio Alves, 15 anos, João Batista, 15, e Henry Hortega, 16, quando questionados sobre a qualidade da escola. Embora ainda não tenham certeza sobre qual profissão seguir, todos pretendem fazer vestibular e consideram as aulas de línguas um "investimento para o futuro". Moradores de bairros da zona sul de São Paulo, os três chegam à escola todos os dias de ônibus e, da mesma maneira, voltam para casa no final do dia.
Esse também é o caso de Thuany Cristini Cardoso, 16 anos. Moradora do Jabaquara, ela vai para a escola de carro, com a mãe, e volta de ônibus, mas não reclama da distância. "Eu estudava em uma escola particular antes de vir para cá, mas as nossas condições financeiras pioraram e tive de mudar para uma pública. Como a Rui Bloem tem toda essa fama de ser ótima, achamos que seria a melhor opção", conta. Aluna do 3º ano, ela afirma não perceber grandes diferenças em comparação com o colégio privado em que estudava. "A única diferença é a quantidade de alunos por sala (são cerca de 40 na Rui Bloem), mas, com a colaboração de todos, isso não chega a influir no nosso aprendizado", afirma Thuany, que pretende prestar vestibular para Artes Cênicas e virar atriz de televisão.
Além do centro de línguas, que conta com salas exclusivas, a Rui Bloem tem também sala de leitura, laboratório, sala de informática com 22 computadores novos, anfiteatro, sala de TV e quadras de esportes. Na sala de informática, estagiários da própria escola trabalham como monitores. É o caso de Paula Maria Suassuna, 16 anos. Aluna de uma turma noturna do 3º ano, a adolescente ganha R$ 340 por mês para trabalhar das 8h às 12h na sala. Ela coordena a distribuição dos computadores entre os alunos, que têm meia hora para utilizá-los, caso a demanda seja maior do que o número de máquinas. "Vale a pena estudar aqui, porque tem disciplina, a direção é boa e a escola é 'arrumadinha'", resume a garota.
Enquanto isso, na sala dos professores, Adamaris Corrêa e Sandra Serafim aproveitam o horário livre para preparar uma aula de português. Elas contam que fazem de tudo para tornar as aulas mais interessantes. "Usamos materiais diversificados e trabalhamos com filmes e músicas", exemplificam, enquanto manuseiam o material didático usado pela escola, cedido pelo curso Objetivo. Por meio dessa parceria, os alunos de 2º e 3º ano da Rui Bloem também podem tirar dúvidas com os professores do curso e têm descontos no curso pré-vestibular.
Pais participativos, professores motivados, alunos interessados, ambiente limpo e organizado, uma boa estrutura física, aulas de línguas no contraturno, parceria com uma instituição privada. Tudo isso está na fórmula da Rui Bloem para ser uma escola campeã. Mas a diretora Maria Cleusa resume esse conjunto de fatores em uma única palavra: perseverança. "Aqui a gente veste a camisa da escola e corre atrás dos objetivos", afirma. De acordo com ela, não há nenhum segredo para o bom desempenho da escola em avaliações como o Enem e o Idesp. "O que nós fazemos aqui é algo que qualquer escola pode fazer. Basta querer", garante Maria Cleusa.