19/05/2023
AI art: Adorei essa! Da série Venenosas, Nocivas e Suspeitas, título que emprestei de um manual científico do século 19. O foco são plantas que foram banidas pelo processo “civilizatório” colonial pelos seu uso em rituais sagrados, potências alucinógenas e afrodisíacas, contradizendo o cânone do ideal do ser humano moral e fisicamente superior (ou seja, homem, branco e europeu). Paradoxalmente, muitas dessas plantas condenadas, têm sido rediscutidas pela indústria farmacêutica, apropriando-se do repertório de conhecimentos ancestrais que sabiam de seus poderes de cura. Tomo-as nesse projeto como um Phármakon, que opera ao mesmo tempo cpmo remédio e veneno, introduzindo-se no corpo do discurso com toda sua ambivalência. Desenvolvidas com recursos text-to-image e image-to-text. Todas as imagens têm como referência mulheres naturalistas dos séculos XVII ao XIX, como Giovanna Grazoni (1600-1670), Maria Sybilla Meriam (1647-1717), Jeanne Baret (1740-1807), Anne Kingsbury Wollstonecraft (1791-1828), Marianne North (1830-1890), Constancia Paca (1844-1920) e outras, que foram apagadas da história natural e da arte. Por causa disso, eu as assino com seus nomes e o software utilizado para desenvolver as imagens. É um processo distribuído de autoria com todas essas diferentes espécies companheiras (humanas e não humanas). Nas legendas, descrevo os "novos" usos terapêuticos que a indústria farmacêutica atualmente dá a essas plantas.
A desta daqui foi Um campo, junto ao mar, repleto de Cannabis sativa com muitas Papaver somniferum (papoulas), e Catharanthus roseus (maria-sem-vergonha) em uma floresta de Physostigma venenosum (feijões-de-calabar).
Essas plantas possuem agentes terapêuticos utilizados em cuidados paliativos, analgésicos e contra fadiga muscular.
Giovana Grazosi (1600-1670)+Giselle Beiguelman+DALLE2+Runway.