22/10/2024
Por anos venho refletindo sobre a relação entre os “gurus” e seus seguidores sob a ótica da Psicologia, especialmente a Psicanálise. Vou compartilhar, de forma muito resumida, o que aprendi sobre o tema na faculdade de Psicologia.
Freud, em sua obra “Psicologia das Massas e Análise do Eu”, argumenta que há uma tendência em buscar líderes messiânicos, frequentemente idealizando-os e atribuindo-lhes qualidades quase sobrenaturais. No contexto educacional, podemos ver como alguns alunos elevam certos “especialistas” a um status quase divino. Por isso, os tais divos e divas se multiplicaram em nosso meio.
Segundo Freud, esses indivíduos regridem a um estado mais primitivo, buscando uma figura paterna (ou materna) idealizada. No caso dos gurus educacionais, eles podem representar essa figura de autoridade que promete orientação e soluções milagrosas para os desafios complexos do ensino.
Além disso, Freud destaca o papel da identificação nesse processo. Os seguidores se identificam com o líder e entre si, criando um senso de pertencimento tribal. Isso explica por que muitos se sentem parte de uma “comunidade iluminada” ao seguir determinados gurus. O pertencimento tribal faz a vida ficar mais leve para os seguidores, mesmo que seja apenas em um plano subjetivo e efêmero.
Um aspecto particularmente interessante é como muitos, incluindo nós mesmos, às vezes, podem ser críticos em relação aos gurus do ensino do inglês, mas simultaneamente seguir com fervor “messias” de outras áreas, inclusive da própria educação. Projetamos nossa crítica em uma área para nos proteger de reconhecer nossa própria susceptibilidade em outras.
É importante notar que a busca por orientação e a identificação com líderes podem ser fontes de inspiração e crescimento. No entanto, como educadores, devemos cultivar uma consciência crítica, equilibrando nossa abertura a novas ideias com um ceticismo saudável.
Portanto, deixo as seguintes reflexões:
Como podemos aproveitar os benefícios da liderança inspiradora sem cair na armadilha da idealização excessiva? Como podemos diferenciar as lideranças messiânicas das genuínas?
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