25/04/2019
De acordo com o físico David Bohm, a visão que retalha o universo e a pessoa, dissociando o que é indissociável – e à qual se referiu como “fragmentação” –, é a “fonte oculta” das múltiplas crises do nosso tempo. E podemos afirmar, da crise da educação brasileira. E mais, de acordo com Henri Bortoft, físico e filósofo da ciência, "Tudo está em tudo, a parte é um local para se presenciar o todo”. Segundo essa perspectiva teórica, dois fundamentos são ignorados por "especialistas" e acadêmicos, sobre as questões que envolvem a Educação, dentre tantas, a violência. O primeiro é a abordagem sistêmica e o segundo , a conectividade entre "todos" e "partes" do sistema educacional.
No que tange à violência, a abordagem sistêmica conduzirá a uma visão ampla e aprofundada da real dimensão do problema. No presente, a violência é um fenômeno global, produto da desvalorização da vida, que gera comportamentos egocêntricos e intolerantes, e disputas de poder de indivíduos e de grupos. Já, a conectividade de "todos" e "partes", permite compreender que a violéncia está presente não apenas no comportamento das famílias e dos alunos, e das comunidades em que habitam, mas, mesmo mascarada, em todas as instâncias de poder do sistema educacional. Por meio dos autodenominados "gestores" do sistema, nas três esferas de governo, professores foram desautorizados, bem como, chefias, alunos e famíliares, foram empoderados.
Nesse cenário, atividades pontuais, com base na "fragmentação", junto aos alunos são ineficazes. Uma revisão completa da "Matriz de Responsabilidades" do sistema educacional - da alta gestão à sala de aula - é fundamental. mas acima de tudo, exige-se a formação permanente e com qualidade superior dos gestores do sistema, com o propósito de resgatar, apoiar e autorizar a genuína relação "professor-aluno" , que é a essência da instituição de ensino.
País é líder em ranking da OCDE sobre violência nas escolas. No município do Rio, um professor é licenciado a cada três horas por doenças ligadas ao estresse. Especialistas defendem plano para convivência escolar.