Conversa de Quintal

Conversa de Quintal 📖 🍃 assessoria literária e (per)cursos de (trans)formAÇÃO para escolas, educadoras e amantes das artes e da literatura para as infâncias.

03/09/2026

“Quando o livro não tem palavras, eu devo inventar a história?” Essa é uma pergunta frequente por aqui quando o assunto é mediação de livros-imagem.

Sem o texto escrito para conduzir a leitura, é comum que o adulto mediador sinta que precisa preencher todos os silêncios, explicar cada cena ou inventar uma história para acompanhar as ilustrações.

E essa insegurança ajuda a explicar por que esse gênero ainda é tão subestimado nas escolas.

Livro-imagem não é um livro “mais fácil”, indicado apenas para crianças que ainda não sabem ler e tb não deve ser levado para a sala de aula somente como pretexto para que as crianças maiores produzam textos.

Ele convida leitores de todas as idades a observar, estabelecer relações, formular hipóteses, interpretar pistas e atribuir sentidos ao que veem.

Neste trecho, você acompanha um minuto da minha mediação de “Monstros”, de Alice Hoogstad, com um grupo de crianças lá no Instituto Dona Carminha 💚

O video da mediação completa, o material complementar sobre livros-imagem e um catálogo com indicações para ampliar o repertório já estão disponíveis exclusivamente para as folhinhas assinantes da plataforma Caminh(ar) 👣🍃

E, no nosso encontro ao vivo do dia 9/9, vou responder essa pergunta e vamos conversar mais sobre tudo isso 🥰

Quer aprender a escolher livros melhores, mediar com mais segurança e ressignif**ar suas práticas de formação de leitores?

🗣️ Comente CAMINHAR que eu te envio as informações para fazer parte da nossa comunidade.

Tem uma ideia do Daniel Pennac (musoo) de que eu gosto muito: o verbo ler não suporta o imperativo.E, ainda assim, quand...
02/09/2026

Tem uma ideia do Daniel Pennac (musoo) de que eu gosto muito: o verbo ler não suporta o imperativo.

E, ainda assim, quando queremos formar leitores, é muito fácil transformar a leitura justamente nisso: obrigação, cobrança, tarefa, desempenho.

Em Como um romance, Pennac nos lembra dos 10 direitos imprescritíveis do leitor e eu gosto deles porque devolvem à leitura uma coisa que, às vezes, nós adultos tiramos dela sem perceber: a liberdade.

Liberdade para não ler.
Para pular páginas.
Para abandonar um livro.
Para reler.
Para ler qualquer coisa.
Para ser completamente “contaminado” por uma história.
Para ler onde quiser.
Para ler só um trecho.
Para ler em voz alta.
E até para não dizer nada sobre o que leu.

Porque formar leitores não deveria signif**ar formar pessoas que obedecem às nossas expectativas sobre como, quanto ou o que devem ler.

Deveria signif**ar criar condições para que cada um possa construir uma relação própria, íntima e viva com a leitura.

Agora quero saber: qual desses direitos você acha que nós, adultos, temos mais dificuldade de respeitar?

📖
PS: O livro, infelizmente, está esgotadíssimo. Mas, se por acaso você passar por um sebo e encontrar um exemplar perdido por lá, agarre com força! E considere essa a sua sorte do dia. 🍀📚

[ ]Se em julho eu descansei, em agosto eu trabalhei, hein!? 😮‍💨Passando pela minha galeria de fotos para o nosso desafio...
31/08/2026

[ ]

Se em julho eu descansei, em agosto eu trabalhei, hein!? 😮‍💨

Passando pela minha galeria de fotos para o nosso desafio mensal , o que eu mais encontrei foram registros na frente do computador. Trabalhando em projetos incríveis, é verdade, estudando, criando, colocando um monte de coisa bonita no mundo… mas ufa! Como esse mês exigiu disciplina e organização da minha parte.

Justo eu, uma personalidade com instinto social dominante! 😂

E olha como os registros também servem para isso: não só para lembrar da vida que passou, mas para PERCEBER como a gente está vivendo.

As fotos de agosto já estão me dando uma pista importante para setembro: preciso equilibrar melhor essa agenda e colocar um pouco mais de vida social no meio dela. (Amigos, me convidem para cafezinhos! ☕️)

O único compromisso externo do mês foi o lançamento dos livros da Rosinha , na Livraria Candeeiro, onde ainda tive a alegria de conhecer pessoalmente uma folhinha querida da nossa comunidade. 💚

Agosto foi de muito trabalho, muitos projetos saindo do papel, muita coisa linda vindo ai… foi preciso dar esse gás! E, olhando agora para tudo isso, f**a o lembrete que sustenta esse nosso exercício mês após mês:

registrar para lembrar, sim. Mas também registrar para perceber, agradecer, ajustar rotas e transformar.

Agora quero saber de você: se olhar para os seus registros de agosto, o que eles contam sobre a forma como você viveu este mês? Me conta aqui nos comentários 🥰

Com certeza “Como um romance” entraria em uma lista com meus 5 livros favoritos da vida (se tiver curiosidade posso te c...
28/08/2026

Com certeza “Como um romance” entraria em uma lista com meus 5 livros favoritos da vida (se tiver curiosidade posso te contar quais são os outros 4 🤭).

Como diz minha amiga Aluah Bianchi Pedagoga, esse é um daqueles “livros que não me livro”. Qual é o seu? 💚

19/08/2026

Se você quer exercitar seu olhar para os livros e qualif**ar a sua mediação de leitura, o Caminh(ar) é o meu convite para você.

Ao assinar a comunidade, você tem acesso a:

• encontros mensais ao vivo de formação pessoal, pedagógica e literária, para estudarmos e pensarmos juntas sobre literatura, leitura e infância - sem esquecer de olhar também para a mulher que existe para além da educadora, pq aqui a gente cuida de quem cuida;

• uma plataforma de estudos, com aulas gravadas, convidados especiais e conteúdos para aprofundar temas como escolha de livros, mediação de leitura, formação de leitores e projetos literários;

• materiais de apoio e propostas práticas para ajudar a transformar estudo em ação no cotidiano, como e-books e catálogos com indicações literárias;

• uma comunidade de educadoras no WhatsApp, onde as conversas continuam para além das aulas, com trocas, dúvidas, indicações e reflexões sobre a prática;

• acesso ao curso Travessia, uma formação gravada completa sobre mediação de leitura e projetos literários, com 22 horas de certif**ação, para você pensar estratégias que possam ressignif**ar a formação de leitores.

Exercitar o olhar não acontece de uma vez. É um processo contínuo de leitura, estudo, conversa e prática. Por isso, no Caminh(ar), seguimos passo a passo, no seu ritmo.

Quer Caminh(ar) com a nossa comunidade de educadoras em movimento? Escreva QUERO CAMINHAR nos comentários que eu te envio o link 👣🍃

Foram 3 meses lendo “Um defeito de cor”.Três longos meses lendo sem pressa, fazendo pausas, chorando, voltando páginas, ...
18/08/2026

Foram 3 meses lendo “Um defeito de cor”.

Três longos meses lendo sem pressa, fazendo pausas, chorando, voltando páginas, pesquisando personagens e acontecimentos históricos (eu já disse chorando?), f**ando com raiva e fazendo terapia literária com o ChatGPT, a cada nova reviravolta na vida de Kehinde, a protagonista do livro.

Terminei. E estou naquela ressaca em que não quero nem pensar em começar outro livro pq sinto que não saí completamente deste ainda.

Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves, tem quase mil páginas. E quantas vezes, durante a leitura, eu pensei: quantas vidas cabem dentro da vida dessa mulher?

Eu sabia sobre a escravidão antes de ler este livro. Claro que sabia. Mas existe uma diferença enorme entre conhecer a escravidão como acontecimento histórico e se aproximar, pela literatura, da experiência de uma pessoa atravessada por ela. Datas, leis e números dizem muita coisa. Mas não contam como é sentir saudade, medo, desejo, amor. Perder pessoas. Construir vínculos. Ter sua identidade ameaçada. Tentar preservar uma religião, uma língua, uma memória. Recomeçar quando parece não existir mais nada de onde partir.

Também descobri uma África que eu conhecia muito pouco. Fui atrás de povos, religiões, cidades e acontecimentos históricos. Pesquisei a Revolta dos Malês. Procurei Uidá, Porto-Novo e Lagos no mapa. Quis saber mais sobre Luiza Mahin e Luiz Gama. Estou devorando e amando o podcast Thiago André que me indicaram durante a leitura e eu recomendo demais para quem já leu o livro!

Foi uma leitura que transbordou o próprio livro e me devolveu curiosidade pelo mundo. Não vou romantizar as quase mil páginas. Houve momentos em que achei longo. Quis que a história andasse logo. Fiquei brava com Kehinde. Fiquei brava com Ana Maria Gonçalves. 😂

Mas também sofri, torci, me emocionei e cheguei às últimas páginas com aquela sensação de me despedir de alguém que me acompanhou durante muito tempo. Por isso que eu ainda não consigo escolher o próximo livro. Ainda estou me despedindo de Kehinde.

Se as quase mil páginas assustam você, eu te digo sem medo: se joga e não tenha pressa. Eu faria essa travessia inteira outra vez. 💚

Eu acho tão lindo como a literatura infantil ajuda a retomar certas coisas da infância que nós, adultos, já esquecemos. ...
17/08/2026

Eu acho tão lindo como a literatura infantil ajuda a retomar certas coisas da infância que nós, adultos, já esquecemos. Acabei de conhecer esse livro e ele me fez pensar nisso.

Tota tem um calombo. Um calombo enorme, que atrapalha na escola, nas br**cadeiras, na hora de comer e até para dormir. Mas, para Tota, ele não é apenas um calombo. Ele tem nome, é o Tato.

Tota conversa com Tato, br**ca com ele, cuida dele, divide a cama, a comida e a vida. Dar nome para as coisas, conversar com o que não responde, inventar companhias, transformar uma caixa, um pano, uma pedra, um pedaço de qualquer coisa em algo que, por algum tempo, existe de verdade é algo tão próprio da infância.

E eu confesso que, na primeira leitura, caí naquela tentação tão adulta de querer entender quem era Tato. Um medo de Tota? Uma dificuldade? Um sentimento? O que será que os autores quiseram dizer com isso?

Até que me rendi a essa capacidade das crianças de dar vida às coisas e habitar com naturalidade um lugar onde realidade e imaginação não precisam estar tão separadas.

Tato é o calombo que vive com Tota. E, para ela, isso basta. E para mim, como leitora, também deveria bastar. E tenho a impressão de que, se eu ler esse livro com uma criança, para ela também vai bastar. Porque essa mania de querer explicar tudo é muito mais nossa do que delas. As crianças costumam entrar com muito mais naturalidade nesses mundos em que uma coisa pode ser outra, um calombo pode ter nome e nem tudo precisa de explicação.

No fim, acho que é esse um dos grandes baratos da (boa) literatura: ela não precisa nos entregar todas as respostas. Pode simplesmente abrir uma fresta e nos convidar a entrar.

E ainda bem que existem autores que levam a imaginação da criança a sério. Que confiam na infância e, de quebra, arrastam nós, adultos, de volta para um lugar que conhecemos um dia: aquele em que nem tudo precisava fazer sentido para ser de verdade.

Adultos, recomendo: leiam boa literatura para as infâncias 💚


📖 Tota e o Calombo
✍🏼 Texto de Maya Foigel e Marcelo Soriano
🎨 Desenhos de Rafa Campos
📚 Editora Incompleta
🏠 Livro que conheci nas minhas andanças pela Livraria Candeeiro | Campinas 😍

13/08/2026

Uma conversa sobre maternidade, trabalho, infância e literatura 💚

Neste sábado, 15/08, tem lançamento do livro “Para onde a mamãe vai quando ela não está aqui?”, da Editora Biruta ▪︎ Gaivota, com as autoras Carolina Moreyra Carolina Moreyra e Natália Gregorini Natália Gregorini

🗓 15/08 — sábado
⏰ das 11h às 13h
📍 Livraria Candeeiro
Rua Dr. Vieira Bueno, 170 — Cambuí, Campinas/SP

Vai ter leitura da história e desenho com as crianças. Bora lá, folhinhas campineiras? 🥰🍃

Acabo de receber “A última palavra”, lançamento de André Neves pela Editora Telos, e fiquei pensando não sobre o que o l...
11/08/2026

Acabo de receber “A última palavra”, lançamento de André Neves pela Editora Telos, e fiquei pensando não sobre o que o livro diz, mas justamente daquilo que o livro escolhe não dizer. Pq é o que ficou mais forte em mim, depois da leitura.

A história nos apresenta uma avó que começa a esquecer. As palavras escapam, as lembranças se confundem, algumas coisas deixam de estar onde sempre estiveram.

Nós, adultos, sabemos dar um nome ao que está acontecendo: Alzheimer. André Neves não dá. E essa é uma de suas maiores delicadezas.

Ele não transforma essa avó em um diagnóstico. Não explica a doença, não tenta ensinar sobre ela, não conduz o leitor pela mão para garantir que ele compreenda “o tema”. Ele faz literatura, simplesmente. E confia que (adultos e crianças) somos capazes de perceber o que acontece pelos gestos, pelas ausências, pelos não ditos.

No fundo, esse nem é um livro sobre esquecer. É um livro sobre cuidar diante do esquecimento. Sobre continuar ali quando as palavras já não chegam com a mesma facilidade. Sobre os vínculos que permanecem mesmo quando a memória começa a falhar. É, sobretudo, um livro sobre o amor.

No final do livro, em um texto que aparece depois da história, André escreve: “(…) para todos os que cuidaram e cuidam até a última palavra.”

Ele trata de um assunto imenso sem precisar levantar a voz. E que maravilhoso é termos um autor que confia tanto na literatura e no leitor. Obrigada Andre Neves, mil vezes obrigada 💚

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São Paulo, SP

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