08/03/2021
“Por conseguinte, evitai a todo preço os sistemas de meditação, porque uma mente mecânica não tem possibilidade alguma de descobrir o que é a verdade. A mente mecânica pode tornar-se bem disciplinada, ter muita ordem, mas essa ordem está em contradição com a ordem de que falamos, porque, há contradição entre o que sois e o que deveríeis ser — o ideal. Existe, pois, essa contradição. E onde há contradição, há deformação; e a mente deformada, torturada, jamais descobrirá qualquer coisa nova. Portanto, não adoteis nenhum sistema, não sigais nenhum guru.
Não há sistema de meditação. Se compreenderdes isso, vossas mentes se tornarão despertas, penetrantes, capazes de descobrir. Mas, que desejais descobrir? Nós, em maioria, desejamos experiências diferentes das experiências ordinárias, de todos os dias. Queremos “experimentar” um transcendental estado de “iluminação”. A palavra “experiência” signif**a “passar por” (um certo estado), e, ao desejardes “experiências transcendentais”, isso quer dizer que estais cansado do viver diário. Todos os que tomam dr**as supõem que, por meio delas, terão experiências extraordinárias. Em suas “viagens”, ** suas experiências são expressões de seu próprio condicionamento. As dr**as lhes dão uma certa vitalidade, uma certa lucidez, que nenhuma relação têm com o esclarecimento ou “iluminação”. Deste modo, por meio das dr**as jamais se iluminarão.
Assim, que buscamos nós? Que deseja o homem? Ele vê o que é sua vida — tédio, rotina, um campo de batalha, luta constante, nunca um momento de paz, a não ser, talvez, ocasionalmente, por meio do s**o ou de outra coisa. Daí conclui que a vida é transitória, a vida é mutável e, portanto, deve haver uma coisa superior e permanente; essa permanência ele deseja, deseja algo diferente da mera rotina física, da mera experiência de cada dia. A essa coisa ele chama “Deus”. Conseqüentemente, crê em Deus; e todas as imagens e ritos baseiam-se nessa crença. A crença é produto do medo. Se não há medo, podeis ver a folha, a árvore, o céu estrelado, a luz, os pássaros. . . Há, então, beleza, e, por conseguinte, bondade; e onde está a bondade, aí se encontra a Verdade. [...]”
(Krishnamurti )