HISTORIA
O espírito de caridade de dona Maria Angélica era conhecido por todos, assim como a sua fama de grande anfitriã, que ficou deveras evidenciada, nos últimos anos em que viveu no casarão da sua propriedade na Chácara das Palmeiras, onde dava magníficas recepções. Para agradá-la, o Barão arrematou num leilão em 1872, a Chácara das Palmeiras, de Domingos Marques da Silva Airosa, com mais de 25 alqueires, que começava na esquina das atuais ruas Martim Francisco e das Palmeiras, subindo até emendar com a Chácara de Dona Veridiana Prado de um lado e com as esquinas da rua Conselheiro Brotero (Dr. José Maria de Avelar Brotero) e das Palmeiras do outro, possuindo um caminho de palmeiras que seguia até a atual Rua das Palmeiras. Suas terras ficavam no lado par do Caminho do Pacaembu – formado pela atual rua Maria Antonia seguindo pela Avenida Higienópolis - desde a Estrada de Campinas – iniciada na Av. São João e seguindo pela Rua das Palmeiras até o Largo das Perdizes - depois chamada Estrada da Alegria, antes de seu nome atual Sebastião Pereira e Rua das Palmeiras, que subiam até a atual rua Dr. Martim Francisco (Ribeiro de Andrade), defrontando com as ruas Jaguaribe – limite da chácara do Dr. Domingos J.N. Veridiana (da Silva Prado), seguindo ao lado esquerdo da rua Dr. Veiga Filho (Dr. João Pedro da Veiga Filho – um dos fundadores da Escola de Comercio Álvares Penteado). Na Chácara das Palmeiras, Angélica tinha um grande pomar, plantações de chá, de mandioca e capim que lhe auferiam bom rendimento. O primeiro proprietário dessa chácara foi o brigadeiro Francisco José Leite Pereira da Gama Lobo, que a vendeu ao Dr. Frederico Borghoff, famoso médico alopata, ambos amigos de longa data, pois o brigadeiro fôra da primeira diretoria da Sociedade Portuguesa de Beneficência, eleita em 1859, onde o Dr. Borghoff costumava atender graciosamente a pacientes daquela instituição. No dia 24 de janeiro de 1872, o jornal "O Diário de São Paulo" estampou o seguinte anúncio: "Chamamos a atenção do público para a acquisição de um prédio, de uma chácara sita nos subúrbios desta Capital, no lugar mais pitoresco, ameno e saudável possível, podendo não somente servir de recreio, como para estabelecimento de qualquer fábrica". Tratava-se da Chácara das Palmeiras. Com a intenção de mudar-se, o dr. Borghoff resolvera desfazer-se da propriedade cuja "...casa de moradia, reedificada, pintada e empapelada, dá commodo para grande família, e outros edifícios, armazéns, cocheiras, estrebarias, senzalas etc., acham-se em bom estado". Arrematada em leilão, a 23 de janeiro de 1874, por Domingos Marques da Silva (ou da Silveira) Airosa, a Chácara das Palmeiras, que em seguida seria adquirida pelo Barão Barros, depois daria origem ao bairro das Palmeiras, um enclave de Santa Cecília que hoje ninguém cita mais. O Almanack Paulista de 1878 trazia uma lista de capitalistas, proprietários de prédios etc., onde figurava entre outros os nomes de: Domingos Marques da Silveira Ayrosa - Chácara das Palmeiras – como proprietário de Padarias e possuidor de carroça na rua. Angélica, mãe de onze filhos e seu marido, proprietários de grande quantidade de terrenos nessa região, doaram uma parte deles para o arruamento desses bairros. Daí nasceram ruas como Brasílio Machado, Rosa e Silva, Gabriel Ribeiro dos Santos, parte das ruas Albuquerque Lins e São Vicente de Paulo, Tupi, Conselheiro Brotero e Alameda Barros - em homenagem a seu marido - na ocasião do início do loteamento, mas o Barão, tendo morrido 2 anos após a aquisição da Chácara, não viu suas terras transformarem-se no bairro de Santa Cecília. A pomposa avenida Angélica, uma das mais longas ruas que nasceram na área da antiga chácara, anteriormente denominou-se Rua Itatiaia, indo inicialmente da rua Jaguaribe até a avenida Municipal, atual avenida Dr. Arnaldo (Vieira de Carvalho), sendo que, em 1898, a Itatiaia – que em tupi guarani significa ponta que se ergue ou se levanta - teve o trecho inicial ampliado até a rua das Palmeiras que passava pela área da atual Praça Marechal Deodoro (Manuel Deodoro da Fonseca) até terminar no Largo das Perdizes, atual Largo Padre Péricles (Padre Péricles Barbosa), passando a chamar-se Angélica em 31 de maio de 1907, em homenagem à ilustre Baronesa, que morava na mansão que mandou construir por arquiteto europeu, com material vindo da Alemanha após a morte de seu marido, quando doou a sede da sua chácara, e parte das terras ao redor para as “Irmãs de Caridade Vicentinas” para ali montarem um orfanato, datado de 1894. Hoje ainda funciona o Externato Casa Pia São Vicente de Paulo, de educação infantil, fundamental, médial, mas, com a promessa de jamais ser demolida a casa onde seu marido faleceu, estando atualmente tombada. Por essa razão, até a bem pouco tempo, as irmãs do Colégio e outras pessoas do bairro referiam-se ao local como a “Casa da Baronesa”. Em 1893, mudou-se para a nova casa que havia mandado construir na esquina da atual Av. Angélica com a Alameda Barros, no meio de um belíssimo jardim com chafariz, que infelizmente foi demolido para a construção de um complexo de edifícios residenciais com centro comercial no térreo...
A Casa Pia São Vicente de Paulo tem como endereço a Alameda Barros 539, assim denominada em homenagem ao seu marido, o barão Dr. Francisco Aguiar de Barros, industrial paulista do século XIX.