18/05/2020
José do Patrocínio, o jornalista negro que dedicou toda a sua carreira a combater a escravidão.
Nascido em Campos dos Goitacazes, no Rio de Janeiro, José Carlos do Patrocínio era filho de uma escrava alforriada e do cônego João Monteiro. Aos 14 anos deixou a fazenda da família para tentar a vida no Rio de Janeiro, onde chegou a ingressar na Escola de Medicina. Ao fim de alguns anos abandonou o curso e formou-se em farmácia, em 1874.
Ainda estudante, fundou uma revista mensal, "Os Ferrões", onde começou a revelar seu talento como jornalista que o tornaria famoso. Em 1877, começou a trabalhar no "A Gazeta de Notícias", onde escreveu diversos artigos de propaganda abolicionista. Nos anos seguintes, adquiriu e fundou vários jornais, e em todos passou a escrever e a combater ferrenhamente a política escravocrata do império.
Mas José do Patrocínio não lutou apenas por escrito pelo abolicionismo. Realizou conferências públicas, ajudou a fuga de muitos escravos, organizou núcleos abolicionistas e militou ativamente até o triunfo da causa com a Lei Áurea de 1888.
Mas após proclamação da República seu grade prestígio conquistado durante os últimos anos do Império decaiu, principalmente porque José passou a lutar por um governo liberal, indo contra o autoritarismo da República da Espada. Acabou afastado da vida pública, teve seu jornal interditado e foi deportado para Cucuí, no Amazonas, sob a acusação de ter participado de uma revolta contra o governo de Floriano Peixoto.
Libertado pouco tempo depois, afastou-se da vida pública, colaborando de vez em quando na imprensa. Nos últimos anos de vida interessou-se pela navegação aérea, chegando a construir um aeróstato (uma espécie de balão dirigível) denominado Santa Cruz.
Patrocínio também escreveu obras de ficção, mas sem a repercussão nem o talento do jornalista. Foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira de no.21.