11/07/2025
A Incalculável Herança de O Homem que Calculava
Crônica-memória do Vello
A crônica, com seu estilo de linguagem, bem ao gosto do brasileiro, é também apropriada para o registro da memória pessoal.
O título desta crônica é o mesmo de meu primeiro estudo sobre a vida e a obra de Júlio César de Mello e Souza, que publiquei em 1976 na Revista SESI em São Paulo e em jornais no io de Janeiro.
Todo fim de tarde, por um bom período, marquei presença na centenária biblioteca Mário de Andrade. Fucei sua ótima hemeroteca, folheei as revistas semanais e jornais e, também, descobri livros-tesouros de Mello e Souza, publicados como Malba Tahan, seu famoso heterônimo. E garimpei entre livros uma joia rara
escrita por seu irmão João Batista: o livro Os Meninos de Queluz. Uma história gostosa de ler, que conta sobre a infância de Julinho com seu costume de inventar personagens com nomes curiosos. Suas brincadeiras com seu cão Sultão e com os sapos de seu quintal próximo da margem do Rio Paraíba, em Queluz. É marcante nesse livro a presença do menino Júlio César na escolinha de sua mãe, na própria casa. Vivências que conferiram a Malba Tahan habilidades de excelente professor. A riqueza de sua infância criativa está na origem de seu brilhante O Homem que Calculava, livro traduzido nas principais línguas em todo o mundo. Uma das mais belas edições foi da Editora Phenix, de Barcelona.
O gênio de Malba Tahan foi o de casar com maestria a Matemática com a Literatura!
Por me engajar e divulgar as maravilhas da matemática divertida e delirante de Malba Tahan, fiz a curadoria da exposição comemorativa do centenário de nascimento de Júlio César de Mello e Souza, realizada no IMEUSP em 1995. Lembrando, agora, também, que há 100 anos foi lançado seu primeiro livro, entitulado Contos de Malba Tahan.