Andrea Cavinato

Andrea Cavinato

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Curso Poéticas da criação e Imaginário online em fevereiro, inscrições abertas.

O curso é fruto de uma extensa pesquisa desenvolvida por Andrea Cavinato que se concretizou na tese de doutorado: “Processos de criação: Teatro e Imaginário”, proposta de formação em busca da poiésis, criação e expressão.

Photos from Andrea Cavinato's post 03/06/2026

Ei-la: flor de maio!

02/06/2026

Foi muito emocionante assistir Massapê, espetáculo dirigido pelo Rogério Tarifa com texto de Solange Dias que conta a história do meu amigo , de sua família e do grupo Andaime.

A força, a determinação e a doçura exalam da história e são contagiantes.

A música ao vivo é linda com direção do .terrenobaldio com e .

O figurino é da amiga .

São muitas as camadas sobrepostas em se fazer um espetáculo teatral, chegar à sua concretude é uma realização tamanha, com tantos desafios que quando se assiste à essa beleza a gente até esquece o trabalho que dá. Parabéns, minha gente.

Recomendo muito, imperdível.

No Sesc Belemzinho, sexta a domingo, só até 14/06.

27/05/2026

Saudade!

16/05/2026

Eu frequento cinema de rua, ouço rádio, vou à cafés e esta semana São Paulo perdeu - de uma tacada só - a Rádio Eldorado, ouvida pelos "melhores ouvintes" e a sala de cinema e o Café Fellini na Augusta, meu preferido.

Tenho me queixado da cidade feia, pouco acolhedora, que vem perdendo seus espaços de encontro populares, teatros demolidos.

A cidade cada vez mais dá medo, celulares roubados, zumbis (seriam seres humanos?) que andam pela rua ignorando a presença dos outros e que se assustam quando falamos com eles, - sim, eu falo com estranhos.

Ou, olham como fazem as pessoas no interior, com olhar que mede o outro de cima a baixo.

Que dó, São Paulo.

Perdeu seu ar cosmopolita para expor sua essência conservadora, arreganha sua goela preconceituosa e normativa sobre nós, sua sanha de gentrificação.

Saudade de quando éramos coloridos, alegres, deselegantes e discretos. Era andar pela Roosevelt e se maravilhar.

O mais assustador, entretanto, é que se continua a agir como se nada estivesse acontecendo, gente pedindo nas calçadas de Higienopólis, a praça do Patriarca tomada por pessoas em situação de rua, a rua Direita toda arregaçada, prédios novos pra todo lado sem telas de segurança e orientação de passagem de público.

Espaços verdes desaparecendo, mulheres seguem sendo mortas nos arredores de parques e metrôs.

Uma lógica perversa rege o perder o direito à cidade, não somos um coletivo, não somos sujeitos com direitos, só deveres, o da obediência - dependendo da cor, do bairro desobediência leva à morte.

Impera na cidade a lógica da especulação imobiliária, padecemos de privatizações. Bairros explodem

Uma cidade que nos anos 80 foi visitada por Foucault, pensem...

Tem um limite para aturar feiúra, violência, desconforto e descaso? A crise que se abate sobre a cidade não é só ética, é estética.

Foi uma semana difícil, tantas perdas, agradeço a compreensão pelo desabafo, sei bem que existem oásis de resistência.

Photos from Andrea Cavinato's post 12/05/2026

Livro 7 do ano de 2026.

Foram quase dois anos lendo toda semana um pouquinho e traduzindo palavras novas, valeu muito a pena. É o livro de arte mais bonito que já li e olha que já li alguns.

Jacopo Veneziani é um ótimo narrador e sem perder o fio da meada conta sobre o período de 1900 a 1920 a partir do encontro de alguns artistas em Paris que foram o responsáveis por uma revolução na Arte e nos costumes.

Emocionante em alguns momentos, acompanha a vida de Picasso desde sua chegada à Paris e a de Amedeo Modigliani e os encontros e amores dos artistas na cidade luz que se tornaria capital da Arte ocidental.

Como em um conto de tradição oral temos as aventuras de Picasso, Matisse, Modigliani, Soutine, Chagal, Brancusi e dos poetas Guilllaume Apollinaire, Max Jacob e Jean Cocteau e das heroínas - como sempre silenciadas - aqui não é diferente -, embora tenham tido vidas interessantes, feitos incríveis e salvado a vida de muitos deles, as mulheres, - mesmo Gertrude Stein - são vistas como coadjuvantes: Berthe Weill, Fernande Olivier e Jeanne Hebuterne.

São os anos dos salões de arte, da pobreza, do interesse pelas arte africana e oriental, do cubismo, futurismo e outros ismos. Anos da primeira grande guerra mundial e da destruição e reconstrução de Paris.

O livro traz ilustrações excelentes, referências bibliográficas (em italiano e francês) muito úteis para quem estuda história da arte e também referências iconográficas, que nem sempre sabemos, ( o google também não consegue saber) onde se encontram algumas obras dos artistas, mas o Jacopo fez a pesquisa e a lista está no livro.

Faz referência inclusive ao gesso original de Umberto Boccioni, guardado pelo MAC (Museu de Arte Contemporânea de São Paulo), raridade da versão original da escultura "Formas únicas de continuidade no espaço" (1913), o artista morreu jovem nas trincheiras da Primeira Guerra. Em muitos momentos, o autor nos leva também à cemitérios, um dos que mais aparecem no livro é o Pere Lachaise em Paris. Se morria cedo, de doenças hoje curáveis como a tuberculose, mas as guerras mataram mais. Guillaume Apollinaire escreveu na época um dos textos mais bonitos sobre a função dos artistas.

Photos from Andrea Cavinato's post 09/05/2026

Livro 6 do ano de 2026

Foi um livro ambicionado e o único na minha vida em que tive uma experiência ruim em uma compra online, enfim demorou, mas chegou.

Queria ler a Ilaria Gaspari por que é filósofa e ensina na escola de narrativa Holden em Torino ( chego lá, me aguardem), li em português mesmo e adorei a tradução, é ótima.

O livro parece difícil por ter passagens que falam sobre a vida de alguns filósofos e suas proposições das quais a personagem tenta extrair lições para sua vida.

Recém-separada a personagem ao fazer sua mudança decide iniciar pelos livros e faz uma "escola de filosofia" por semana para superar as dificuldades e a tristeza. É comovente, é sim difícil, é emocionante e é engraçado.

Eu adorei o livro e recomendo para todo mundo. Inclusive dei de presente por ter o adorável título de "Lições de felicidade" só que tem um subtítulo, pessoalmente tenho dúvidas com as preposições, aqui ficou muito interessante "Exercícios filosóficos para o bom uso da vida" Tendo lido o livro eu acho que na vida poderia funcionar, mas o uso da vida muda tudo e deixa mais interessante.

Ler a Ilaria teve um impacto extremamente positivo por conta do estilo, ela narra, é uma narradora, o livro tem zero diálogos. Eu gosto muito e fiz várias oficinas de escrita em que é uma questão bastante discutida, na supervisão que faço com uma professora de literatura ela me pediu para encontrar partes em que a autora mostra ( ah, show don't tell - ) e la Gaspari descreve, narra maravilhosamente.

É interessante como a autora extrai dos personagens mais comuns uma boa história A personagem encontra nos livros, na filosofia, nos encontros com as pessoas mais improváveis motivações para mudar, de verdade.

Alguém conhece? Já leram?

Livro: Lições de Felicidade. Exercícios filosóficos para o bom uso da vida.

Autora: Ilaria Gaspari

Editora: Âyné

Coleção: Das Andere

Tradução: Cezar Tridapalli

Ano de publicação na Itália: 2019 ( Giulio Einaudi) no Brasil 2024.

25/04/2026
13/04/2026

Tem espetáculos que "conversam" muito com a gente, pela linguagem, pelo tema.

Falar sobre a Morte é um tabu, ainda que seja o final conhecido de todos nós.

Ritualizar é o que nos torna parte de grupos humanos, e o teatro foi o rito que a escolheu para elaborar a morte do pai.

O "rito" celebrado na Capela do Cemitério do Redentor, na esquina da Cardeal com a Dr. Arnaldo trata de perda, de luto, toca feridas sociais abertas dialogando com obras literárias, canções e "digressões".

Com construção corporal poderosa, característica bem marcante da pesquisa da o espetáculo é de profundidade aos abismos dos nossos medos.
Estive pensando em quanto é importante agora este espetáculo, obrigada a equipe, a generosidade dos artistas.
Eu recomendo muito e o lugar é bem tranquilo, rss! Vai até fim de abril.

*Talvez para quem tem sensibilidade à cemitérios a noite ou está muito ansioso, melhor esperar um pouco, ela volta!





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