21/07/2020
MUSICALIZAÇÃO PARA BEBÊS - uma perspectiva walloniana
Por Leila Sugahara
(Artigo publicado na revista Cenário Musical n.5 - 2005)
Musicalização para bebês é um processo que visa contribuir para o desenvolvimento integral da criança através da música. As atividades musicais envolvem o movimento expressivo e criativo e a participação ativa dos pais e educadores. (Leila Sugahara).
Nas aulas de musicalização para bebês até um ano de idade (estágio impulsivo-emocional), quando a criança interage mais com a mãe, que participa da aula ativamente auxiliando nos movimentos (embalar, balançar, rolar ou abraçar) ao som de música, nota-se que esses estímulos provocam reações afetivas de alegria ou surpresa. Assim que começa a andar (estágio sensório-motor), a criança volta seu interesse para os objetos que a rodeiam. É nesse momento que oferecemos uma variedade maior de instrumentos e brinquedos sonoros, além de atividades com movimentos de locomoção. A partir dos dezoito meses (quando a criança já anda sozinha), a mãe passa a ficar por menos tempo na aula e a atenção da criança volta-se para a educadora, que passa a ser o modelo. Dos dois aos três anos de idade, as aulas de musicalização oferecem atividades de discriminação auditiva e visual, esquema corporal, histórias,fantoches, músicas cantadas com gestos e jogos cantados. É nesse estágio que a atividade projetiva e de imitação, abre caminhos para a representação, porque é pelo movimento que a criança dá forma ao pensamento. Com o desenvolvimento da função simbólica e da linguagem, e a consequente diferenciação e desdobramento entre a sua imagem e o corpo concreto, ocorre a tomada de consciência de si como sujeito social. Nas aulas de musicalização de crianças dos três aos quatro anos de idade, é possível reconhecer as fases descritas por Henri Wallon (SUGAHARA, 2008) de oposição, sedução e imitação, pois as crianças tornam-se competitivas e ciumentas, buscando atenção e aprovação para si, principalmente da educadora, a qual também imitam. Assim, a criança está à procura não só de admiradores, mas também de modelos. E quando pensamos em aulas de musicalização para bebês, pensamos nas atividades, os organizamos de acordo com uma seqüência didática e a criança não reage como esperávamos? A resposta está no fato de que o desenvolvimento não é linear e não ocorre sem crises nem retrocessos. Para Wallon, a pessoa está continuamente em processo e a concepção de desenvolvimento em movimento, gera conflitos, crises e regressões que propiciarão a passagem de um estágio para outro, ou seja, é necessário e faz parte do processo do desenvolvimento. Isso também pode ser claramente observado no processo de musicalização infantil. Algumas vezes, aquele bebê ora tão atento às canções, parece interessar-se mais pelos objetos da sala do que pelas atividades propostas (período de conflito para a mudança de estágio). Por volta dos dois anos de idade (estágio projetivo), a criança passa a cantar finais de frase e a representar as canções com gestos, ora imitativos, ora tentando reproduzir as canções apreendidas, dando-lhes significado. Nesse estágio, as crianças adoram histórias sonorizadas, fantoches (que muitas vezes acreditam ter vida própria) e músicas que cantamos com o nome das respectivas crianças. Conhecer as necessidades das crianças em cada estágio do desenvolvimento oferece a possibilidade de se compreender com maior clareza a importância do trabalho de musicalização infantil e determinar com mais segurança os objetivos das aulas de musicalização, já que educar musicalmente significa educar o indivíduo como um todo. E o que seria essa totalidade? Diversas teorias trazem diferentes abordagens sobre o desenvolvimento humano. Entre tantas teorias, escolhi a teoria de Henri Wallon justamente por facilitar a compreensão do indivíduo em sua totalidade.
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Uma perspectiva empática, afetiva e walloniana de musicalização, desenvolvida por Leila Sugahara em suas aulas, ao longo de 25 anos. DIA 25 de julho - das 10h às 12h