22/05/2020
Construindo um caminho suave.... A psiconcologia é definida como o estudo das variáveis psicológicas e comportamentais no processo de adoecimento e cura.
Quando adicionamos a este processo a palavra câncer, o imaginário das pessoas associado ao medo da morte e a certeza do câncer ser uma doença incurável, nos vemos frente a tutores ansiosos por respostas e inseguros pelos medos que os cercam.
As dúvidas mais comuns se relacionam a possibilidade de cura, a existência de sequelas do tratamento, aos efeitos colaterais da quimioterapia, ao tempo de sobrevida do paciente e ao custo do tratamento, tornando o tutor inseguro, desnorteado e amedrontado.
Por vezes o tutor carrega o sentimento de culpa por achar que não percebeu a doença no início, ou que tenha demorado a buscar ajuda. Alguns são verborrágicos enquanto outros calados, por vezes parecem ignorar os argumentos apresentados pelo veterinário, como forma de defesa. Tutores ansiosos também tendem a reter a informação passada de forma negativa, sobrecarregando o veterinário com suas exigências.
Cada vez mais o veterinário busca desenvolver habilidades na comunicação com seus clientes, os tutores. Esta comunicação clara e efetiva é um processo que se constrói aos poucos desde o primeiro contato, através de várias pequenas atitudes, resultando em um tutor consciente e confiante, mesmo sofrendo com a doença do seu animal.
Iniciamos com a escuta ativa do tutor, de seus anseios, medos e dúvidas. Ouvimos de corpo e alma, sem julgamentos, permitindo que nosso corpo demonstre o interesse.
Passamos a falar sobre o diagnóstico, de maneira clara e objetiva, construindo um caminho que o tutor compreenda e se sinta confortável, sabendo o que o aguarda em cada etapa do tratamento.
As lembranças de momentos agradáveis vividos em família, de situações rotineiras de harmonia entre os pacientes e seus tutores, muitas vezes auxilia a diminuir o peso carregado neste caminho.
As habilidades em comunicação permite uma melhor construção de vínculos, auxiliando tutor e veterinário a encontrar apoio mútuo, bem como suavizar a expectativa do diagnóstico e prognóstico na difícil jornada do tratamento oncológico.
Texto: Aline Zoppa