A vida é um paraíso, mas os homens não o sabem e não se preocupam em sabê-lo.
- Fiódor Dostoiévski
Danny Rosa
✨Psicanálise | Esquizoanálise
ouvinte da clínica das delicadezas com sussurros da filosofia e da arte
⏳Agenda fechada
O Quintal Terapêutico é um canal digital de agenciamento de conteúdos e práticas revolucionárias para potencializar a vida. Através de produção e compartilhamento de conteúdos, promoção de encontros alegradores e práticas clínicas esquizoanal
Noite prematura esta que os fazia jogar baralhos, apostar até a camisa. Tédio, tempo arrastado, frio compacto. Mais tarde compreendi que a falta de liberdade não consiste jamais em estar segregado, e sim em promiscuidade, pois o suplício inenarrável é não poder estar sozinho. A vida comum é fenômeno social escolhido, voluntário, ao passo que companheiros de presídio são impostos pela sorte aziaga e niveladora de instintos, e não pela vontade selecionadora de inclinações. Inconscientemente, todos os detentos sofrem quando em promiscuidade, bem mais do que sozinhos com seus devaneios limitados.
— Fiódor Dostoiévski, in Recordações da Casa dos Mortos – segundo capítulo, página 35.
a poesia não pertence a quem escreve, mas àqueles que precisam dela.
"O Carteiro e o Poeta" (1994)
Dir. Massimo Troisi & Michael Radford.
15/09/2021
Os belos livros estão escritos numa espécie de língua estrangeira. - Proust, CONTRE SAINTE-BEUVE
14/09/2021
Escrever é um caso de devir. Sempre inacabado, sempre em via de fazer-se, e que extravasa qualquer matéria vivível ou vivida. - Deleuze em Crítica e Clínica
13/09/2021
"A função da literatura está ligada à complexidade de sua natureza, que explica inclusive o seu papel contraditório mas humanizador (talvez humanizador porque contraditório). Analisando-a, podemos distinguir pelo menos três faces: ela é uma construção de objetos autônomos como estrutura e significado; ela é uma forma de expressão, isto é, manifesta emoções e a visão de mundo dos indivíduos e dos grupos; ela é uma forma de conhecimento, inclusive como incorporação difusa e inconsciente. (...) Uma sociedade justa pressupõe o respeito dos direitos humanos, e a fruição da arte e da literatura em todas as modalidades e em todos os níveis é um direito inalienável."
Antonio Candido, "O direito à literatura"
Se alguém pergunta: como ler mais? Eu esquivo. Esquivo porque essa estante paranoica, essa sociedade utilitária, essa obsessão pelo quantitativo é demasiado pesado.
Se mete na nossa cachola e faz a gente se desdobrar para terminar um livro ensosso enquanto outro fresquinho está brilhando na prateleira.
Eu quero ler mais, queremos todos sempre mais: ler mais, saber mais, estudar mais...forçamos o desejo a empurrar muros de demandas, de obrigações e muita, mas muita idealização.
"O ideal é ler 4 livros por mês!"
"Como assim você nunca leu Schopenhauer?"
"Tem que ler os clássicos!"
Tem que nada!!!
É bem melhor você fechar os olhos e passar o dedo nas lombadas dos livros na estante, puxar um e ler. Veja, parece que o acaso é bem mais prudente, é mais interessante se encontrar com um bom amigo caminhando pela rua que sustentar um encontro forçado, sejam eles com livros ou pessoas.
Sugiro não ter que entregar seu próprio desejo a competição, ao mercado ou aquele sá**co que acha que para você ser intelectual tem que ler 426656541 livros num ano.
Sugiro que pare de contar e se puder esqueça, esqueça os livros que leu! Isso...esqueça tudo! Se entregue aos efeitos que uma leitura possa produzir em seu corpo.
Diante de uma demanda que te obriga a ler se inspire em Bartleby.
a ultima frase é uma provo-contradição: Se você não leu Bartleby, não vai entender e pode se sentir "obrigado" a ler.
Pois bem, se não do seu desejo: não leia.
22/06/2021
Iniciamos hoje nos stories uma série deliciosa no quintall falando sobre a solidão. O que deu abertura para pensar esse tema além da pandemia são os estudos que inicia a respeito da solidão na era medieval. Estamos começando por aqui a pensar esse e outros temas medievais ao longo dessa semana.
Durante essa semana pensaremos a questão das fundações monásticas do deserto-floresta, do isolamento e como compreender melhor o lugar da solidão e outros afetos na organização social medieval.
Nos stories indiquei um filme belíssimo de Kim Ki-duk.
Vão lá conferir o papo e fiquem por aqui para saber mais!
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03/06/2021
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