17/08/2022
Divinizar mãe me incomoda. Não por discordar dos atributos especiais que, na minha opinião, as fazem mesmo diferentes dos demais mortais mas pelo engodo de elevá-las a uma perfeição irreal... e inatingível.
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Para mim, mães são seres especiais, não divinos como muitos pintam e, nem por isso, menos admiráveis e merecedoras de especial consideração. Pelo contrário: são diferenciadas porque tem a capacidade de fortalecer a família... quando se dispõe a continuamente crescer junto com ela; quando se entende eterna aprendiz na vitalícia função... humana.
A imagem de mãe perfeita
As propagandas e os discursos enaltecendo mães como seres divinos me soavam forçados e idílicos. Quando criança e depois jovem, a imagem de mãe irretocavelmente perfeita de fato me assegurou o exemplo e a confiança de contar com aquela que sempre foi meu porto seguro e modelo.
Adulta, e depois também mãe, esta lente mudou. A segurança deu lugar à responsabilidade de replicar o modelo “perfeito” que logo virou peso na recém assumida função. A ousada meta de perfeição me levou ao excesso das virtudes, ao perfeccionismo e consequentemente, à inflexibilidade e intolerância às fragilidades humanas.
A imagem nutrida em família – e reforçada pela sociedade - me fez crer que mães seriam incontestáveis, incorrigíveis e irrepreensíveis, donas de verdades absolutas... perfeitas:
- Errada, eu?? Você é que é cabeça dura! Não me ouve... na minha época, mãe falava, filho obedecia e pronto! – repetia a cada discussão com meu adolescente.
Contestações e opiniões contrárias pareciam arranhar minha imagem logo defendida por críticas pessoais que invariavelmente terminavam entre bicos e rançosa memória latente até a discussão seguinte.