The Nest Egg

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Discussões sobre finanças sustentáveis

Photos from The Nest Egg's post 15/05/2026

No começo de maio foi realizada, em Zurique, a primeira Climate Week da Suíça. O fato é relevante porque o país ocupa uma posição central no sistema financeiro global. Nesse contexto, a decisão de sediar, pela primeira vez, uma semana inteiramente dedicada às discussões climáticas sinaliza a crescente incorporação dos riscos climáticos à agenda financeira internacional.

Durante os debates, a Swiss Re apresentou um relatório com dados sobre perdas associadas a catástrofes naturais. Segundo o Swiss Re Institute, essas perdas permaneceram elevadas em 2025, impulsionadas principalmente por incêndios florestais, tempestades severas e enchentes. Os incêndios em Los Angeles geraram cerca de US$ 40 bilhões em perdas seguradas, o maior evento desse tipo já registrado pela série histórica, enquanto as tempestades convectivas severas continuaram entre os principais vetores de perdas globais.

O relatório argumenta que o aumento dessas perdas possui caráter estrutural. Isso ocorre porque mais ativos de alto valor vêm sendo construídos em áreas vulneráveis e os custos de reconstrução seguem aumentando. Em algumas regiões, porém, a intensificação dos riscos parece ir além do simples crescimento da exposição econômica, sugerindo mudanças relevantes nos padrões climáticos e na vulnerabilidade dos territórios.

As perdas econômicas globais associadas a catástrofes naturais alcançaram US$ 220 bilhões em 2025, dos quais cerca de 49% estavam cobertos por seguros, a maior proporção já registrada pela série histórica. Apesar desse avanço, o relatório destaca que as lacunas de proteção permanecem muito elevadas nas economias emergentes, onde entre 80% e 90% das perdas normalmente não possuem cobertura securitária.

A conclusão do Swiss Re Institute é clara: ampliar a resiliência econômica exigirá combinar adaptação, gestão de riscos e expansão do acesso a seguros.

13/05/2026

A proposta da U.S. Securities and Exchange Commission é de tornar opcional o relato trimestral obrigatório das empresas listadas nos Estados Unidos, permitindo que companhias divulguem resultados apenas semestralmente. A iniciativa é defendida pelo presidente da SEC, Paul Atkins, como parte de um esforço para reduzir exigências regulatórias e estimular mais IPOs.

Reduzir a frequência dos relatos tende a diminuir a quantidade de informações disponíveis aos investidores. Algumas empresas poderiam deixar de divulgar atualizações trimestrais, enquanto outras poderiam publicar apenas comunicados resumidos, utilizando métricas ajustadas. Isso dificultaria comparações entre empresas e períodos, poderia aumentar a volatilidade das ações e ampliaria o intervalo em que gestores possuem informações não acessíveis ao mercado.

Os defensores da mudança afirmam que ela permitiria maior foco no longo prazo, reduziria custos de compliance e teria menor impacto hoje porque as regras de divulgação já exigem comunicação rápida de eventos materiais e informações financeiras relevantes.
Sem dúvida, há casos específicos em que o relato trimestral pode fazer menos sentido, como pequenas empresas de biotecnologia sem receitas relevantes durante fases de te**es clínicos.

A SEC estima que a economia financeira para as empresas seria relativamente pequena (em torno de US$ 198 mil por ano) e que os encontros trimestrais com investidores ajudam a fortalecer visibilidade e confiança no mercado.

12/05/2026

Seguro como infraestrutura econômica.

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A partir de uma perspectiva histórica e econômica, o vídeo do meu canal do YT explora como o seguro tornou o risco administrável e por que o aumento dos riscos climáticos coloca novos desafios para a estabilidade econômica no Brasil e no mundo. Discuto também o relatório da CNseg sobre eventos climáticos extremos no Brasil. Link no stories.

07/05/2026

Nesse artigo acadêmico, escrito com meus colegas Frederic de Mariz e Camila Yamahaki investigamos a transparência e as práticas de relato de empresas brasileiras emissoras de títulos verdes, sociais e de sustentabilidade. Identificamos um baixo nível de divulgação de informações, constantando que a maioria das organizações não cumpre os compromissos assumidos de publicar relatórios de impacto ou de alocação de recursos após a captação.

Os principais fatores associados a esse comportamento são os altos custos de conformidade e a baixa exigência por parte dos investidores. Analisamos esse contexto à luz da teoria da legitimidade, segundo a qual empresas tendem a adotar compromissos voluntários de forma simbólica para fortalecer sua imagem institucional.

Por fim, recomendamos a criação de bases de dados públicas e o estabelecimento de normas de divulgação mais rigorosas, de modo a fortalecer a integridade e a credibilidade do mercado de finanças sustentáveis.

Pesquisas dessa natureza são importantes por ao menos dois motivos. Primeiro, porque ajudam a compreender os caminhos necessários para fortalecer a disciplina de mercado, elemento fundamental para ampliar a escala da alocação de recursos em projetos alinhados à sustentabilidade. Segundo, porque permitem avaliar se os recursos financeiros já direcionados a projetos por meio de títulos verdes estão, de fato, entregando os impactos ambientais esperados, como reduções efetivas de emissões, ou se existem alternativas mais custo-eficientes para promover a descarbonização da economia.

06/05/2026
20/04/2026

Estatística ❤️

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A partir de uma perspectiva histórica e econômica, o novo vídeo do meu canal do YT explora como o seguro tornou o risco administrável e por que o aumento dos riscos climáticos coloca novos desafios para a estabilidade econômica no Brasil e no mundo.

Discuto também o relatório da CNseg sobre eventos climáticos extremos no Brasil. Link no stories.

08/04/2026

A qualidade do vídeo, não está lá essas coisas. Mas a conversa foi de alto nível!

Esse é um trecho de uma reunião aberta da ANBIMA. Nela discutimos a agenda de sustentabilidade no mercado de capitais, com foco nos resultados da quarta edição da pesquisa da ANBIMA sobre o tema, realizada em parceria com o Datafolha.

A conversa contou com a participação de Luzia Hirata, gerente de ESG da Santander Asset Management, Marcelo Billi, superintendente de Sustentabilidade, Inovação e Educação da ANBIMA, e eu.

A gravação completa está disponível no canal da ANBIMA no YouTube.

02/04/2026

A partir de uma perspectiva histórica e econômica, o novo vídeo do meu canal do YT explora como o seguro tornou o risco administrável e por que o aumento dos riscos climáticos coloca novos desafios para a estabilidade econômica no Brasil e no mundo.

Discuto também o relatório da CNseg sobre eventos climáticos extremos no Brasil. Link no stories.

25/03/2026

A notícia do dia é a decisão de um júri em Los Angeles que determinou o pagamento de US$ 3 milhões em compensação a uma jovem.

Essa decisão estabelece um precedente relevante ao responsabilizar a Meta Platforms e o Google por danos psicológicos associados ao uso de redes sociais. O veredito aponta que as plataformas falharam ao não alertar adequadamente sobre os riscos de mecanismos potencialmente viciantes e seus impactos na saúde mental de menores, resultando em indenizações expressivas.

Talvez o valor pareça pequeno diante do dano causado e do valor de mercado dessas empresas. Ainda assim, a decisão merece uma reflexão mais aprofundada.

Primeiro, ela reforça um movimento global de pressão jurídica e regulatória sobre as grandes empresas de tecnologia, frequentemente comparado às disputas legais enfrentadas pela indústria do tabaco no passado. Durante o processo, evidências internas indicaram que executivos priorizaram o engajamento dos usuários em detrimento do bem-estar, mesmo diante de alertas sobre distúrbios de imagem e dependência digital.

Segundo, enquanto as empresas argumentam que as decisões ferem a liberdade de expressão e as proteções legais vigentes, governos ao redor do mundo avaliam restrições de acesso e investigam como o design algorítmico influencia o comportamento de crianças e adolescentes.

Terceiro, a “responsabilidade pelo produto ou serviço”, incluindo o potencial dano a clientes e terceiros decorrente de seu uso, é uma categoria clássica de análise ESG.

Essa notícia merece atenção porque pode não ser um caso isolado. Do ponto de vista de mercado, pode indicar uma reprecificação de risco: o que antes era tratado como externalidade difusa começa a ser internalizado via litígios, provisões e, potencialmente, custo de capital.

Do ponto de vista de ESG, o caso é particularmente emblemático porque recoloca no centro da dimensão social uma questão clássica e muitas vezes subestimada: a responsabilidade pelo produto/serviço.

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