12/02/2020
OS 7 Processos Mentais básicos para aprendizagem de Matemática nos anos iniciais do Ensino fundamental 1:
O jogo pedagogicamente planejado,enquanto uma das formas culturais de a criança se relacionar com o meio onde vive, pode significar desafio e desenvolver estratégias para resolver problemas muitas vezes transcendentes ao próprio jogo. É um meio interativo no qual as crianças aprendem umas com ao outras. Frequentemente, o jogo solicita a imaginação da criança, que atribui aos objetos dos cotidianos significados novos conforme seu objetivo. Assim, um cavalo de vassoura pode representar um cavalo, a mão, uma unidade de medida, um pedaço de barbante, um comprimento, uma fileira de lajotas, a distância entre dois pontos, e assim por diante.
Tanto o jogo como qualquer outro material pedagógico são meios que podem tornar mais próximos da criança linguagens e significados matemáticos,mas não encerram em si mesmos a possibilidade de formar o pensamento matemático e nem a de criar uma relação de construção humana desse conhecimento, pois não é o material didático que realiza a aprendizagem, mas a própria criança, pela reflexão que faz com o acompanhamento e a orientação do professor.
É fundamental que o professor trabalhe os sete processos mentais básicos para aprendizagem da matemática, sem o domínio desses processos, as crianças terão grandes dificuldades para aprender número e contagem, entre outras noções, poderão até dar as respostas corretas,segundo a expectativa e a lógica dos adultos mas certamente, sem significados ou compreensão para elas.
Vejamos o que significa cada um desses processos:
1. Correspondência: é o ato de estabelecer a relação um a um, presente em toda matemática, esta também no mundo que envolve a criança. A correspondência é um processo mental e fundamental para a construção dos conceitos de número e das quatro operações e para facilitar a compreensão desse processo deve ser abordada por etapas. São quatro, com objetos bem distintos.
a) Percepção visual direta, apresentando uma disposição espacial que ressalta a correspondência ótica, visual, de elemento para elemento.
b) Percepção visual indireta,pois a disposição espacial dos elementos de um conjunto é diferente da disposição espacial dos elementos do outro conjunto.
Ex:
§ // /
§ // /
c) Percepção de correspondência de um elemento de um conjunto, com vários elementos de outro conjunto, e vice e versa.
Ex: dados dois palhaços, dois chapéus, quatros sapatos, quatro botões.
d) Associação de uma mesma ideia presente em dois objetos diferentes.
Ex: uma cartela com os desenhos de martelo, trem, escova de pente, pé e árvore.
São atividades básicas para as futuras atividades visando à compreensão de que dez unidades correspondem a uma dezena, que 1000 possuem 10 centenas e igualmente para compreender por que, em 11 os algarismos iguais possuem significados distintos e, ainda, porque 17+17+17 equivale a 3x17.
2. Comparação:É o ato de estabelecer diferenças ou semelhanças, é fundamental para classificar, seriar, incluir e para conservação, um dos processos mais utilizados, que envolve noções elementares como de tamanho, de distância e de quantidade, com as quais as crianças convivem desde cedo.
Algumas observações devem ser consideradas pelo professor:
a) Comparação entre sós dois elementos de mesma espécie.
b) Comparação entre dois elementos de espécie diferentes
c) Comparação entre três elementos, comparação direta do par ou se é consequência da comparação indireta.
d) Comparação que pode possibilitar a criança intuir a adição (ou subtração).
Ex: José ganhou 4 bolas e João 6. O que fazer para que fiquem iguais?
e) Noção de igualdade está ligada às noções de adição e de divisão, duas partes iguais, mesma coisa, o mesmo número, igual metade.
f) Utilizando tanto quantidades contínuas como discretas:
Quantidades contínuas- são compostas por partes não distintas, Isto é, que são percebidas como um todo. Ex: uma fruta, uma bola de massa de modelar etc.
Quantidades descontínuas ou discretas- são compostas por elementos distintos. Ex: um conjunto de figurinhas, de bonecas de botões etc.
3. Classificação:É o ato de separar em categorias de acordo com semelhanças ou diferenças. A classificação operatória segundo Piaget consiste em distinguir as características dos objetos e agrupá-los de acordo com essas características. E classificando os objetos que a criança estrutura o real, formando conceitos através do qual a criança organiza mentalmente o mundo que a cerca.
4. Sequenciação:é o mecanismo mais simples para explicar a ordem de execução das instruções de um programa e consiste em executar, uma a uma.
Exemplo: instrução 1, 2, 3, ...
A sequenciação é de fundamental importância para que se desenvolva o conceito de número. Pois, na escrita dos numerais, a criança passa a perceber que o numeral 12 é diferente do numeral 21, por exemplo, embora esses sejam formados pelos mesmos algarismos, são diferentes porque procedem da sequenciação em que os algarismos aparecem.
5. Seriação: É o ato de ordenar uma seqüência segundo um critério, também chamada de ordenação. A ordem é uma idéia fundamental para a construção dos conhecimentos matemáticos e, para que as crianças tenham sua compreensão facilitada. O processo de seiação à formação de número, ele presta-se também para a introdução de vocábulos específicos, tais como: primeiro, segundo, terceiro.....
6. Inclusão: É o ato de fazer abranger um conjunto por outro. Para ser capaz de quantificar objetos é necessário que a criança coloque-os em uma relação de inclusão, ou seja, que consiga incluir mentalmente “um” em “dois”, “dois” em “três”... É preciso compreender que o número quatro, por exemplo, não é um nome que representa apenas o 4° objeto de uma coleção, mas que dentro do número quatro, temos o três, o dois e o um. Esta relação é fundamental para realizar operações, é fundamental compreender que dentro de uma determinada quantidade encontram-se outras. Exemplos; incluir idéias de laranjas e bananas como frutas; sabonete, escova de dente, pasta dental com materiais de higiene pessoal...
7. Conservação: É o ato de perceber que a quantidade não depende da arrumação, forma ou posição. A invariância numérica (conservação) só é atingida quando a criança é capaz de conceber que uma quantidade permanece a mesma, seja qual for à disposição dos elementos que a compõem. É saber que o número de um conjunto de objetos pode apenas ser mudado por adição ou subtração.
A elaboração do conceito de número efetua-se, na criança, em estreita relação com a conservação numérica e com as operações lógicas de classificação (em sua forma de classe de inclusão) e a seriação (em sua forma de relações assimétricas).
Elas interpõem-se e integram-se, num vai e vem contínuo, é esse entremeado de diferentes noções que se dá a construção do conceito de número. À medida que as experiências vão se acumulando e o pensamento vai se desenvolvendo, evolui também o raciocínio lógico-matemático.