29/03/2022
NA BUSCA DO SUCESSO
Por Juan Droguett
«King Richard: criando campeãs» é um filme dirigido por Reinaldo Marcus Green (2021) e roteirizado por Zach Baylin. Inserido nos gêneros drama e biografia, responde aos bastidores de como Serena (Demi Singleton) e Venus (Saniyaa Sidney) Williams se converteram em duas grandes lendas esportivas. Permitindo aprofundar na chave do êxito através da figura do pai: Richard Williams, interpretado de coração por Will Smith.
A trama situa-nos no humilde bairro de Compton na Califórnia, numa família afro-americana de classe média-baixa. Um pai obcecado ao limite e uma mãe: «Orancene», Brandi Williams (Aunjanue Ellis) que não f**a atrás; cinco filhas, duas das quais se converteram nas tenistas prodígio. Como todo bom relato de superação, é essencial para que uma narração cresça em tensão e emoção; o aporte de personagens secundários comparece: Tony Goldwyn e Jon Bernthal, no papel dos treinadores Paul Cohen e Rick Macci, respectivamente.
É uma épica bem adequada ao nosso tempo, de vitória em meio a múltiplas carências, violência e racismo.
Durante longo tempo as irmãs Williams se mantiveram no topo do ranking do tênis mundial, muitos questionaram os métodos sádicos e manipuladores do pai, porém no longa-metragem este se converte no herói da trama, o cérebro por atrás do sucesso. Mostrando-se exigente, mas assertivo em relação às escolhas feitas para suas filhas.
Ainda que empresários brancos o subestimassem, gangues da própria raça quase o matassem e a Previdência Social o visitasse para constatar que não fosse um pai abusivo, ele sempre se saiu com a sua.
Se bem o filme remete aos arquivos dos grandes momentos da carreira das irmãs, a fita opta por mostrar a infância e adolescência das meninas, até que Venus em 1994 com 14 anos, enfrenta num segundo jogo profissional a número um do mundo, a espanhola Arantxa Sánchez-Vicario.
Sabia decisão do roteirista de não incluir esse episódio! Que sentido teria reconstruir algo que todo amante do tênis sabe de sobra? No entanto, como se construiu o império Williams, Richard mais do que um pai se converte em arquiteto ou engenheiro desse fenômeno.
Um romance familiar não tão conhecido exposto, além de lugares comuns do subgênero de ficção esportiva e omissões, com a destreza narrativa, notável atuações e nobreza de espírito.
COMENTÁRIOS DE TAPETE:
Na cerimônia do Oscar 2022 de ontem, Will Smith ganhou o prêmio como Melhor Ator. Porém a surpresa da noite de gala ficou por conta do Melhor Filme, outorgado ao remake de La família Bélier (2014) de Éric Lartigau, Coda ou «No ritmo do coração»: um relato entranhável e por momentos muito divertido que coloca em cena a história da filha caçula de uma família de surdos, cujo máximo sonho é fazer carreira universitária na música.
A força do filme está na interpretação carismática dos atores, destacando-se a jovem atriz Marlee Matlin.
*Na Imagem: «King Richard: criando campeãs» é inspirador, biográfico, com uma história de superação que aborda questões sociais e raciais importantes de nosso tempo
NA BUSCA DO SUCESSO
Por Juan Droguett
«King Richard: criando campeãs» é um filme dirigido por Reinaldo Marcus Green (2021) e roteirizado por Zach Baylin. Inserido nos gêneros drama e biografia, responde aos bastidores de como Serena (Demi Singleton) e Venus (Saniyaa Sidney) Williams se converteram em duas grandes lendas esportivas. Permitindo aprofundar na chave do êxito através da figura do pai: Richard Williams, interpretado de coração por Will Smith.
A trama situa-nos no humilde bairro de Compton na Califórnia, numa família afro-americana de classe média-baixa. Um pai obcecado ao limite e uma mãe: «Orancene», Brandi Williams (Aunjanue Ellis) que não f**a atrás; cinco filhas, duas das quais se converteram nas tenistas prodígio. Como todo bom relato de superação, é essencial para que uma narração cresça em tensão e emoção; o aporte de personagens secundários comparece: Tony Goldwyn e Jon Bernthal, no papel dos treinadores Paul Cohen e Rick Macci, respectivamente.
É uma épica bem adequada ao nosso tempo, de vitória em meio a múltiplas carências, violência e racismo.
Durante longo tempo as irmãs Williams se mantiveram no topo do ranking do tênis mundial, muitos questionaram os métodos sádicos e manipuladores do pai, porém no longa-metragem este se converte no herói da trama, o cérebro por atrás do sucesso. Mostrando-se exigente, mas assertivo em relação às escolhas feitas para suas filhas.
Ainda que empresários brancos o subestimassem, gangues da própria raça quase o matassem e a Previdência Social o visitasse para constatar que não fosse um pai abusivo, ele sempre se saiu com a sua.
Se bem o filme remete aos arquivos dos grandes momentos da carreira das irmãs, a fita opta por mostrar a infância e adolescência das meninas, até que Venus em 1994 com 14 anos, enfrenta num segundo jogo profissional a número um do mundo, a espanhola Arantxa Sánchez-Vicario.
Sabia decisão do roteirista de não incluir esse episódio! Que sentido teria reconstruir algo que todo amante do tênis sabe de sobra? No entanto, como se construiu o império Williams, Richard mais do que um pai se converte em arquiteto ou engenheiro desse fenômeno.
Um romance familiar não tão conhecido exposto, além de lugares comuns do subgênero de ficção esportiva e omissões, com a destreza narrativa, notável atuações e nobreza de espírito.
COMENTÁRIOS DE TAPETE:
Na cerimônia do Oscar 2022 de ontem, Will Smith ganhou o prêmio como Melhor Ator. Porém a surpresa da noite de gala ficou por conta do Melhor Filme, outorgado ao remake de La família Bélier (2014) de Éric Lartigau, Coda ou «No ritmo do coração»: um relato entranhável e por momentos muito divertido que coloca em cena a história da filha caçula de uma família de surdos, cujo máximo sonho é fazer carreira universitária na música.
A força do filme está na interpretação carismática dos atores, destacando-se a jovem atriz Marlee Matlin.
*Na Imagem: «King Richard: criando campeãs» é inspirador, biográfico, com uma história de superação que aborda questões sociais e raciais importantes de nosso tempo