30/01/2026
A famosa cadeira do amor do rei Edward VII, projetada especialmente para que o monarca pudesse fazer s**o com duas mulheres ao mesmo tempo. O soberano era um famoso libertino, desde seus tempos como príncipe de Gales. Gostava de passar seu tempo em bordéis, teatros e cassinos, na companhia de atrizes francesas, dançarinas de cancan e de cortesãs de luxo. Seu pai, o príncipe Albert, o descreveu como um depravado, expressando assim seu desapontamento com relação ao comportamento do filho. Bertie estava apaixonado pela atriz Nelly Clifden no final de 1861, quando deveria fazer proposta de casamento à princesa Alexandra da Dinamarca. Assim que seu pai soube disso, ficou encolerizado.
Albert, que teve nove filhos com a rainha Vitória e, aparentemente, lhe fora fiel em mais de 20 anos de casamento, não conseguia admitir que seu filho se igualasse aos companheiros do exército, divertindo-se na companhia de mulheres de má fama. Mesmo estando gravemente enfermo, Albert viajou até Cambridge, expondo-se a um clima ruim, para chamar Bertie ao dever. Quando retornou para Windsor, sua saúde piorou drasticamente. Ele faleceu no dia 14 de dezembro daquele ano. A rainha Vitória, por sua vez, culpou o príncipe de Gales pela morte do pai até o fim. Mesmo diante da perda, Bertie não mudou seu comportamento. A transição para a vida de casado também não conteve seu apetite sexual.
Quando estava em Paris, ele gostava de visitar o famoso bo**el "Le Chabanais", onde a cadeira foi projetada especialmente para atender sua compulsão sexual. Ela foi criada pelo fabricante de móveis Soubrier e pertence à sua família até hoje. Em 2015, chegou a ser exibida no Musée d'Orsay. A cadeira, ou poltrona, permitia que o monarca fizesse amor com duas mulheres ao mesmo tempo. Enquanto uma se acomodava no assento superior, encaixando os pés em dois pedais, um de cada lado da cadeira, outra amante ficava deitada no estofado embaixo. Bertie podia dar atenção às duas, conforme mudava de posição.
Existe uma réplica da cadeira exposta no Museu das Máquinas Se***is, em Praga. A outra foi vendida em um leilão em Nova Orleans em 2020, por 68 mil dólares. A existência do objeto ajuda a desfazer a imagem da Era Vitoriana como um período pudico e que evitava tratar abertamente de assuntos ligados a s**o e sexualidade. É justamente esse contraste que oferece uma chave para se entender o que Michel Foucault (2017, p. 14) quis dizer quando se referiu ao século XIX como “hipócrita”, uma vez que condenava e reprimia o uso de determinadas práticas se***is e espaços do desejo, embora reconhecesse a necessidade de mantê-los, devido a uma demanda do público masculino.
Texto: Renato Drummond Tapioca Neto
Rainhas Trágicas - Mulheres, Guerreiras, Soberanas