27/05/2021
Encontro 5: O Existencialismo não é um Nilismo, é um humanismo
O Existencialismo é um Humanismo, Jean Paul Sartre
O existencialismo como projeto de nadificação. É evidente que a natureza provocativa desse tópico frasal não abrange a totalidade do empreendimento sartriano, mas insere, dentro do corpo analitico dos nossos encontros, o conceito do nada, a brecha do ser-para-si (a consciência). Inseri-lo é, antes de mais nada, uma atitude que rompe com os pragmatismos filosóficos pregressos, os quais se insere a natureza do homem numa consciência fora dele, num ente transcendente, numa substância que explica e que gera movimento às outras. Esse é um movimento importante, uma vez que concebe ao homem uma natureza que foge do _quietismo_ da sua formação e o insere na figura de artista criador.
Tal criação é um procedimento inerente ao existencialismo. Quando o homem subverte sua natureza à sua capacidade de criação: "O homem é, não apenas como ele próprio se concebe, mas como ele quer que seja" (Existencialismo É um humanismo); ele mata a natureza ontológica de qualquer substância primeira, seja ela Deus para os deístas, seja ela a razão para os modernos. Isso é um ato revolucionário, uma vez que o homem, a partir disso, pode auto-transcender a sua configuração, sem repousá-la em um conceito primeiro (tal como os modernos faziam), mas apenas em si mesmo.
Para que Sartre configurasse tamanha envergadura, ele se apropriou, em vasta medida, da fenomenologia husserliana, que preconiza a natureza do fenômeno, como aquela responsável por construir toda e qualquer capacidade de formação do homem. O homem - e a sua capacidade cognoscível- não é um objeto metodologicamente afirmado, mas uma instância viva e única, que apreende a formação de cada acontecimento para si, ou seja, apreende o fenômeno. Esse fenômeno é um ser-em-si, ele se explica por si mesmo, se cria; no entanto, é insuficiente para conceber qualquer conhecimento ao homem. Sendo assim, Sartre coloca outros dois mecanismos capazes de explicar nossa capacidade conhecer: nossa consciência, um ser-para-si, e a alteridade, nosso ser-para-o-outro.