07/02/2022
𝐎 𝐂𝐎𝐋𝐄𝐆𝐈𝐀𝐃𝐎 𝐃𝐄 𝐏𝐄𝐃𝐀𝐆𝐎𝐆𝐈𝐀 𝐍𝐀𝐎 𝐐𝐔𝐄𝐑 𝐐𝐔𝐄 𝐕𝐎𝐂𝐄 𝐄𝐒𝐓𝐔𝐃𝐄!
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Aparentemente existem assuntos que são tabus para o Colegiado de Pedagogia da UEL. Um deles é a tolerância - que talvez seja o assunto que mais importe aos pedagogos em formação hoje.
No final do ano passado o professor Gabriel Giannattasio enviou uma proposta de disciplina especial, intitulada "História da tolerância e tolerância na história" para ser ofertada aos cursos de História, Direito, Filosofia, Comunicação e Pedagogia. A disciplina seria ministrada neste primeiro semestre de 2022.
Porém, assim que foi enviada para apreciação do Colegiado de Pedagogia a proposta foi prontamente negada sob o argumento de que “já havia um número elevado de disciplinas especiais sendo ofertadas” e que “não haveria alunos interessados”. Ainda que considerássemos que o Colegiado de Pedagogia fosse composto por profetas ou viajantes do tempo e realmente não houvesse alunos interessados, isso seria motivo para declinar da oferta da Disciplina Especial? É claro que o Colegiado possui autonomia para decidir quais Disciplinas Especiais ofertar, mas não ficou evidente quais os critérios de seleção destas disciplinas e quais os dados que comprovam o desinteresse dos alunos em uma disciplina que sequer chegou a ser ofertada. Baseado em que eles acreditam que os estudantes não iriam procurar a Disciplina Especial?
Esta resposta não está de acordo com a expectativa dos estudantes. O primeiro sentimento que temos é que o Colegiado está censurando a Disciplina Especial de forma prévia por se tratar do professor Gabriel Giannattasio.
A tolerância hoje se mostra um dos temas que mais devem ser debatidos e discutidos, mas nenhum espaço tem sido aberto, uma evidência concreta disto é a própria recusa do Colegiado sem nenhuma justificava plausível. É indiscutível que tanto na educação básica quanto na superior há uma hegemonia de certo modo de pensar, ou melhor um “pensar certo”. Não existem verdades estabelecidas, a menos que estas sigam a cartilha. A histeria que vemos crescer dentro do DCE e CA’s da Universidade é fruto justamente desta falta de tolerância no ambiente acadêmico.
Relembremos o fatídico dia 3 de abril de 2019 com a exibição do filme “1964, O Brasil entre armas e livros”, foi um verdadeiro espetáculo de intolerância e falta de respeito, com direito até a cuspida no rosto de uma mulher. Antes mesmo do evento ser realizado, ameaças eram enviadas aos organizadores e um evento no Facebook foi organizado para “expulsar os fascistas da UEL”. Em uma sociedade saudável, que de fato respeitasse as diferentes opiniões, eventos como estes aconteceriam? A diversidade de concepções ideológicas não é garantida constitucionalmente?
O tema da tolerância em nossa sociedade não é só necessário, mas urgente e deve ser incentivado desde a mais tenra idade! Daí a importância das futuras pedagogas exercerem a tolerância desde seus dias de graduação, como será possível o exercício da docência sem a tolerância?
Pô, Colegiado de Pedagogia, deixa as mina estudar!
https://www.folhadelondrina.com.br/colunistas/paulo-briguet/1964-em-defesa-da-liberdade-2937111e.html
https://www.folhadelondrina.com.br/politica/evento-tido-como-revisionista-sobre-o-golpe-militar-gera-tumulto-na-uel-2937346e.html