Glauco Landim - Educação e Gestão

Glauco Landim - Educação e Gestão Educador, Gestor Escolar e Palestrante. Formando equipes e construindo rotinas educacionais de excelência.

Educador e gestor com trajetória em escolas, projetos sociais e culturais. Mestre em Gestão Educacional, com foco em iniciativas de impacto e inovação. Neste espaço, compartilho reflexões, experiências e projetos voltados à transformação pela educação.

Acabei de ler "Por que gritamos", da Elisama Santos . Embora seja um livro muito procurado por quem busca orientação par...
24/09/2026

Acabei de ler "Por que gritamos", da Elisama Santos . Embora seja um livro muito procurado por quem busca orientação parental, o que falou mais alto para mim foi uma lição que vai muito além de como educar uma criança. A leitura me fez pensar bastante sobre a urgência do nosso próprio autoconhecimento.

​Nós passamos a vida inteira tentando acertar nas relações com as pessoas, mas muitas vezes esquecemos que as nossas reações, impaciências ou dificuldades de conexão nascem de traumas e medos que ainda não tivemos a coragem de encarar. A obra deixa muito claro que precisamos enfrentar a nossa própria história para conseguirmos ser pessoas melhores.
​Isso é um movimento de dentro para fora. Precisamos exercitar o autoconhecimento e curar as nossas feridas para sermos melhores para nós mesmos em primeiro lugar. Só a partir desse ponto de equilíbrio interno é que teremos a condição real de sermos melhores para os outros, especialmente para aqueles que mais amamos.

​Nesse processo de cura, aprendemos uma premissa fundamental. Não podemos colocar a responsabilidade de nos fazer felizes nos ombros de ninguém. Cada um é responsável pela minha própria felicidade. O descontrole emocional, a exaustão ou a falta de empatia quase sempre são um encontro com as nossas próprias projeções. Enquanto a gente não olhar para dentro com honestidade, continuaremos cobrando do mundo e das pessoas ao nosso redor uma paz e uma completude que nós mesmos ainda não construímos.

​Recomendo imensamente a leitura. Não apenas para quem tem filhos, mas para qualquer pessoa que deseja construir relações mais saudáveis, autênticas e maduras, começando pela relação que temos com nós mesmos.

Nesta sexta-feira convido vocês a uma reflexão sobre um aspecto muitas vezes subestimado na gestão educacional: o clima ...
21/08/2026

Nesta sexta-feira convido vocês a uma reflexão sobre um aspecto muitas vezes subestimado na gestão educacional: o clima emocional da escola.

​Recentemente, em um bom-dia com os nossos alunos, abordei um fato importante da biografia de São João Bosco. Ainda jovem, enquanto estudante na cidade de Chieri, João Bosco fundou com seus amigos a Sociedade da Alegria. O objetivo era simples, mas revolucionário para a época: unir a juventude em torno de atividades saudáveis, amizade sincera, cumprimento do dever e uma alegria genuína que nascia da fé.

​Anos mais tarde, no Oratório de Valdocco, um jovem aluno, Domingos Sávio, absorveu essa lição tão profundamente que sua célebre frase tornou-se um pilar salesiano: "Nós fazemos consistir a santidade em estar sempre muito alegres e no cumprimento exato dos nossos deveres".

​O que Dom Bosco entendia empiricamente no século XIX, a neurociência e a psicologia positiva confirmam hoje: o cérebro aprende melhor em ambientes seguros e felizes. O medo e a tensão bloqueiam a cognição; a alegria abre as portas do aprendizado.

​Trazer esse insight para a educação hoje não significa abrir mão do rigor acadêmico ou da disciplina. Pelo contrário: significa que, como gestores e educadores, devemos fomentar rituais de pertencimento. O pátio, o recreio, os momentos de convivência são tão pedagógicos quanto a sala de aula.

​Também é necessário dar sentido ao dever. O aluno cumpre seu dever não por medo da punição, mas porque compreende sua importância e encontra sentido nele, aplicando a Razão do Sistema Preventivo.
​Por fim, devemos construir um ambiente acolhedor. O erro deve ser visto como parte do processo de aprendizado, e não como motivo de humilhação.

​A verdadeira inovação na educação pode estar em resgatar essências antigas: uma escola onde se aprende muito, mas onde também se é muito feliz.

Ótimo final de semana!

12/08/2026
No contexto do Dia do Estudante, celebrado ontem, 11 de agosto, e na semana que recordamos o nascimento de Jean Piaget, ...
12/08/2026

No contexto do Dia do Estudante, celebrado ontem, 11 de agosto, e na semana que recordamos o nascimento de Jean Piaget, em 9 de agosto, vale a pena refletir sobre o legado deste pensador fundamental para a educação.

​Piaget não foi apenas um biólogo ou psicólogo. Ele foi o arquiteto que nos ajudou a compreender como o conhecimento humano se forma. Sua teoria, o construtivismo, nos ensina que o aprendizado não é uma transferência passiva do professor para o aluno. O conhecimento é uma construção ativa. O estudante interage com o objeto, experimenta, erra e refaz suas concepções.

​Na gestão de uma escola confessional, essa visão é indispensável. Nosso papel não é apenas "dar conteúdo", mas criar o ambiente propício para que o aluno possa descobrir, questionar e crescer. Respeitar o tempo de desenvolvimento de cada um, incentivando a autonomia e a criatividade, é a nossa forma de honrar a vocação de educar.

Assisti recentemente à série documental "A Vida no Nosso Planeta", na Netflix Brasil , e ela me fez refletir bastante. C...
10/08/2026

Assisti recentemente à série documental "A Vida no Nosso Planeta", na Netflix Brasil , e ela me fez refletir bastante. Com produção executiva de Steven Spielberg e a narração inconfundível de Morgan Freeman, a obra é uma verdadeira superprodução que narra a épica batalha da vida pela conquista e sobrevivência no nosso planeta.

​Visualmente, a série é deslumbrante, mas o que mais me impactou não foram apenas os efeitos visuais. O grande mérito é mostrar a extraordinária força da vida de se recomeçar após crises profundas. O documentário detalha os eventos de extinção em massa que apagaram do mapa inúmeras espécies de uma forma avassaladora. Mas, onde tudo parecia fim, a vida encontrou caminhos para a reinvenção, evoluindo e prosperando em formas antes inimagináveis.

​Fica evidente o quanto o dinamismo e a capacidade de transformação são as marcas da existência no nosso planeta. Não é sobre manter as coisas como sempre foram, mas sobre o fluxo contínuo de evolução que se nutre do próprio caos para criar o novo. Uma lição poderosa sobre a natureza do crescimento e da mudança.

​Se você aprecia história natural, ciência ou simplesmente uma boa narrativa cinematográfica, esta série é uma excelente indicação. É uma verdadeira aula sobre como o fluxo da vida é imparável.

No calendário litúrgico da Igreja no Brasil, agosto é consagrado como o Mês Vocacional. Cada domingo nos convida a refle...
09/08/2026

No calendário litúrgico da Igreja no Brasil, agosto é consagrado como o Mês Vocacional. Cada domingo nos convida a refletir sobre um chamado específico. Não por acaso, este segundo domingo é dedicado à vocação da família, coincidindo providencialmente com o Dia dos Pais.

​Na tradição cristã, a vocação nunca é um dever imposto. É um chamado ao amor. E olhar para a paternidade sob essa ótica muda tudo. Ser pai não é apenas um título ou uma contingência biológica. É uma decisão diária de ser presença, de orientar e de acolher.

​A liturgia nos ensina que a paternidade humana deve ser um reflexo, ainda que imperfeito, do amor providente de Deus. Um amor que não sufoca e não corta as asas, mas que ampara e dá segurança para o voo. A verdadeira autoridade paterna não se impõe pela força, mas se constrói pela amabilidade, pelo testemunho e por aquela assistência constante sobre a qual refletimos nos últimos dias.

​Educar e amar são verbos que se conjugam no mesmo tempo e espaço. A paternidade é, sem dúvida, a vocação mais desafiadora e bela que um homem pode assumir.

​Um feliz e abençoado Dia dos Pais a todos os que abraçam esse chamado com coragem e coração.

Nas últimas semanas, mergulhamos nas bases do Sistema Preventivo: Razão, Religião e Amorevolezza. Refletir sobre essa te...
07/08/2026

Nas últimas semanas, mergulhamos nas bases do Sistema Preventivo: Razão, Religião e Amorevolezza. Refletir sobre essa teoria é inspirador, mas o verdadeiro desafio, para qualquer educador, é fazer isso funcionar na vida real da escola.

​Na tradição salesiana, a engrenagem que coloca esse tripé em movimento se chama "assistência educativa", que em termos simples é a força da presença. Para entender a urgência disso, recorro a um momento histórico do próprio Dom Bosco. Em 1884, ele escreveu uma famosa carta de Roma ao perceber que as suas escolas estavam perdendo a alma. O motivo era simples e muito atual: os educadores haviam deixado o pátio. Eles começaram a agir como superiores distantes, administrando regras de longe, em vez de estarem no meio dos jovens.

​Foi diante dessa distância que ele cravou uma de suas máximas mais profundas, afirmando que não basta que os jovens sejam amados, é preciso que eles saibam que são amados. E a principal forma de demonstrar isso é por meio do nosso tempo e do nosso convívio.

​Confesso que essa é uma das reflexões que mais me acompanham e me desafiam hoje. Na correria dos nossos dias, com tantas demandas, burocracias e telas, é muito fácil cairmos no automático e agirmos apenas de forma reativa para apagar incêndios. O peso da rotina, muitas vezes, tenta nos empurrar de volta para a postura do "superior distante".

​Olhar para a pedagogia da presença nos lembra que a verdadeira autoridade não nasce da imposição. É um exercício diário de descer das nossas certezas e caminhar ao lado dos estudantes e dos colegas de trabalho. O resgate do sentido do educar passa por essa disposição de tentar estar inteiro onde estamos, construindo vínculos antes que os conflitos surjam.

Nesta semana, no dia 9 de agosto, lembramos a morte de Edith Stein, também conhecida como Santa Teresa Benedita da Cruz....
05/08/2026

Nesta semana, no dia 9 de agosto, lembramos a morte de Edith Stein, também conhecida como Santa Teresa Benedita da Cruz. Para além da sua imensa estatura espiritual, ela foi uma das mentes filosóficas mais precisas e brilhantes do século XX.

​Antes da sua conversão e entrada no Carmelo, Edith trabalhou ao lado de Edmund Husserl, sendo uma figura central no desenvolvimento da fenomenologia. O aspecto do seu trabalho que considero mais impactante para o nosso dia a dia na educação é a sua tese sobre a empatia.

​Na filosofia de Stein, a empatia não é reduzida a um sentimentalismo superficial. Ela a define como um ato cognitivo profundo: a capacidade estruturada de reconhecer o outro como um sujeito livre, compreendendo a sua vivência sem perder a própria identidade.

​Trazendo isso para a realidade da gestão escolar, essa premissa muda tudo. Liderar equipes, atender famílias e orientar estudantes exige exatamente esse movimento contínuo de sair de si mesmo. A verdadeira mediação de conflitos nasce quando conseguimos olhar para a demanda do outro com a honestidade intelectual proposta por ela. Não se trata de concordar com tudo, mas de validar a existência e a perspectiva de quem está à nossa frente.

​A sua trajetória de vida, culminando no martírio em Auschwitz, é o testemunho definitivo de alguém que buscou a Verdade de forma implacável e que viveu os seus ideais até as últimas consequências.

​Estudar Edith Stein é um convite direto para sermos profissionais mais inteiros e gestores mais conscientes do nosso papel na formação humana.

Quem vive o chão da escola sabe que mediar a convivência e o respeito mútuo é o básico do nosso trabalho. Foi justamente...
04/08/2026

Quem vive o chão da escola sabe que mediar a convivência e o respeito mútuo é o básico do nosso trabalho. Foi justamente buscando aprimorar esse olhar para o cotidiano que decidi ler "Comunicação Antirracista", da jornalista Midiã Noelle , já com a intenção de aplicar o conteúdo na nossa realidade educativa.

​O público-alvo original da obra são jornalistas e estudantes da área. O objetivo da autora é dar um basta na reprodução do racismo estrutural pela mídia, mostrando que a comunicação não é neutra e tem o poder de promover dignidade ou de reforçar preconceitos.

​Conforme a leitura avançava, fui traduzindo essas lições para a rotina escolar. O livro é uma aula essencial, pois nos ajuda a corrigir posturas, falas e a nossa forma de agir diante dos conflitos diários.

​Para nós, educadores, a reflexão é urgente. Precisamos desse conhecimento não apenas para aprimorar a nossa própria convivência, mas principalmente para saber como abordar esses temas com a garotada com a seriedade que merecem.

​A escola tem uma responsabilidade inegociável: contribuir para a construção de uma sociedade que seja, gradualmente, mais antirracista. E a palavra é a nossa principal ferramenta nessa missão. Recomendo muito a leitura!

No Evangelho deste domingo, os discípulos tentam dispensar a multidão faminta. É a clássica lógica da escassez. Diante d...
02/08/2026

No Evangelho deste domingo, os discípulos tentam dispensar a multidão faminta. É a clássica lógica da escassez. Diante de um desafio imenso, o instinto humano é recuar e delegar. Mas a resposta de Cristo é desconcertante: Ele pede que os discípulos resolvam a situação com o pouco que têm (cinco pães e dois peixes).

A arte clássica capturou essa dinâmica de forma brilhante. No mosaico do século VI da Basílica de Sant'Apollinare Nuovo, em Ravenna (imagem deste post), Cristo não distribui o alimento diretamente. Ele o entrega nas mãos dos apóstolos. A obra bizantina traduz visualmente a nossa responsabilidade como líderes e educadores. A graça divina opera a multiplicação, mas exige a nossa ação.

Na gestão da vida e das pessoas, quantas vezes achamos que o nosso tempo, a nossa estrutura ou a nossa paciência são pequenos demais para as demandas?

A sabedoria de Santo Inácio nos ensina a agir como se tudo dependesse de nós e a confiar como se tudo dependesse de Deus. É o movimento de oferecer o nosso melhor. Da mesma forma, Dom Bosco construiu uma obra grandiosa para a juventude partindo do nada, movido pela certeza de que a Providência daria conta do resto.

A transformação que desejamos ver no trabalho, nas famílias ou na nossa maturidade começa quando paramos de focar no que nos falta e entregamos com generosidade o que temos nas mãos. O que parece insuficiente para a nossa régua humana é a matéria exata que a graça precisa para operar.

Um domingo de paz e renovação a todos.

Endereço

São Paulo, SP

Notificações

Seja o primeiro recebendo as novidades e nos deixe lhe enviar um e-mail quando Glauco Landim - Educação e Gestão posta notícias e promoções. Seu endereço de e-mail não será usado com qualquer outro objetivo, e pode cancelar a inscrição em qualquer momento.

Atalhos

Compartilhar