05/05/2026
O MUNDO DOS DEUSES
🧿 Os primeiros mitos brotam, pois, da projeção imaginativa que o homem faz das máximas funções da vida: nascimento, amor e morte; maternidade e paternidade; virgindade.
E sintetizam tudo o que o homem, mediante a inteligência e o sentimento, conseguiu conquistar em face de uma vida que não solicitou, de uma morte que o amedronta, de uma amor que o domina e de uma natureza cujos fenômenos (sol, chuva, vento, cataclismos, doenças) o assombram, ou o aniquilam.
A mulher que gera, já no início da narrativa mitológica, possui seu papel de destaque e que nunca perde, mesmo após várias mutações dos mitos ao longo do tempo em adequação as épocas mais modernas, torna-se também, a figuração da mãe universal, e a mesma divindade, por analogia de função, passa a presidir os nascimentos da natureza toda, e é venerada como genitora e consoladora, como Mãe Imortal.
Será Gaia, a Terra Fecunda, e posteriormente, Deméter (Ceres). De modo semelhante, a função de pai será assumida por Urano, depois Cronos (Saturno), e, finalmente Zeus (Júpiter).
As demais relações, diretas e indiretas, com a existência e com o mundo tomam a figura de outros deuses e semideuses, que habitam o Olimpo, a superfície ou as entranhas da Terra.
Ao lado dos deuses familiares surgem os da guerra e da paz, da lavoura e dos navegantes, figuras as mais variadas que se vão condensando como reflexo de desejos, necessidades, fatos históricos situações sociais e econômicas.
Elas são a expressão profunda dos aspectos básicos da condição humana em si e das dimensões que esta assume no ambiente e no tempo.
Os deuses, por isso, compartilham com os homens alegrias, ódios e outros sentimentos. Zeus, apesar de sua majestosa paternidade, mostra-se fraco em face da paixão amorosa, e ama diversas mortais. Hermes (Mercúrio), o mensageiro dos deuses, pratica furtos. Ares (Marte), o protetor de diversas cidades, estimula a guerra e carnificinas.
Afrodite (Vênus), a deusa do amor que tudo vivif**a e da beleza que tudo sublima, trai sem cerimônia constantemente seu marido Hefestos (Vulcano), deus do fogo.
A Eros (Cupido), que o mito primordial identif**a com a força ordenadora do Caos, pois a partir de seu surgimento a geração de novos seres passa a ser através do ato sexual entre o macho e a fêmea (Caos havia engendrado Gaia - Terra -, Tártaro - Profundezas da Terra -, Eros - Força Universal do Amor -, Nix - Noite - e Érebo - Morada das Sombras, a Escuridão, e Gaia engendrou o Céu Estrelado - Urano - o Ponto - Mar - e outros), opõe-se Éris, a Discórdia, que tudo desagrega.
E, para conservarem a beleza e a juventude eternas, os imortais do Olimpo alimentam-se de ambrosina e bebem do néctar divino.
Ao se afirmarem na Grécia as artes plásticas (séc. VIII-VII a. c.), essas figuras elementares, que até então flutuavam na imaginação de todos e no canto dos aedos, começaram a encontrar uma interpretação realista.
Tão forte, porém, era o símbolo que as vivif**ava, que a imagem artística, materializada no mármore ou na pintura, não eliminou a concepção transcendente da divindade; pelo contrário, perenizou-a.
E por sua própria característica, o povo helênico, os descendentes de Heleno, filho de Deucalião, filho do Titã Prometeu, o criador dos homens (com o auxílio de Atena), filho do Titã Iapeto, Titã do Leste, salvo da ira de Zeus e de seu dilúvio, juntamente com sua esposa, Pirra, filha do Titã Epimeteu, irmão de Prometeu, ou seja, Doro, ancestral dos dórios, Éolo, ancestral dos eólios e Xuto, pai de Aqueu, ancestral dos aqueus e de Íon, ancestral dos Jônios (Íonos), é essencialmente filosófico, possuindo destaques individuais e coletivos (escolas e academias) muito acima da média do ser humano normal à época, para todos os ramos do Conhecimento, notoriamente para as Artes, como Pintura, Dança, Escultura, Poesia, Música.
Esta fixação artística do mito não significou, entretanto, sua estagnação. Enquanto a civilização grega passava por transformações radicais, também o mito se modif**ava, em respostas às novas condições econômicas e psicossociais.
Explica-se assim, como um mesmo mito - ou um mesmo deus tenha, ao longo do tempo, adquirido uma multiplicidade de signif**ados e atribuições que hoje, são difíceis de compreender, ou parecem contraditórios.
Assim também nasceram ou foram importadas outras lendas, que vieram combinar-se com os mitos primitivos, tornando ainda mais complexo e mais rico o mundo mitológico dos gregos.
Percebe-se, por exemplo, que os deuses que aparecem nos grandes poemas de Homero (século IX a. c.), "Ilíada" e "Odisseia", já não são exatamente os mesmos das tradições anteriores. São mais diretamente interessados nas questões humanas e gostam de intervir nas vicissitudes dos mortais.
Assim, em Hesíodo (século VIII a. c.), autor da "Teogonia" (e também do tratado "As Obras e os Dias"), quando apresenta a genealogia dos deuses nota-se a tendência a colocar uma certa ordem na confusa família das divindades, usando como critério que muito reflete as condições econômicas e sociais da Grécia agrária daquela época.
Já em condições diversas, nos séculos VI e V a. c., quando filósofos manipulam a matéria mítica, deuses e heróis depõem o halo de superioridade de que cercara o mito primitivo.
05/05/2026
01/04/2026
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