12/09/2026
Existe uma ideia comum de que, quando ocupamos o lugar de quem ensina, somos nós que chegamos para transformar o outro. Mas, quanto mais ensino, mais percebo que nenhum conhecimento atravessa uma sala em uma única direção. Cada pessoa chega com sua história, suas perguntas e sua própria maneira de compreender a magia. E, quando tudo isso se encontra, aquilo que eu trouxe também se transforma. Um conhecimento que parecia familiar ganha novas camadas, novos sentidos e, muitas vezes, novas perguntas.
Há perguntas de alunas que permanecem comigo por dias, relatos que modificam minha forma de enxergar algo que estudo há anos e experiências que me lembram que nenhuma quantidade de conhecimento é capaz de esgotar o mistério. Ensinar me trouxe uma humildade que considero indispensável: conhecer profundamente algo não significa ter chegado ao fim dele. Quanto mais caminho, mais compreendo a dimensão daquilo que ainda existe para descobrir.
Por isso, não consigo olhar para todas as pessoas que passaram pelas minhas turmas, encontros e rituais apenas como pessoas às quais ensinei alguma coisa. Elas também deixaram algo em mim. A professora, a sacerdotisa e a mulher que sou hoje foram atravessadas pelas perguntas que ouvi, pelas experiências que testemunhei e pelas trocas que vivi. Cada encontro acrescentou alguma coisa à minha própria caminhada e impediu que aquilo que sei se tornasse imóvel.
Hoje, quando olho para trás, percebo algo muito bonito: enquanto acompanhei tantas pessoas em suas transformações, elas, muitas vezes sem saber, também estavam transformando a mim.