23/07/2020
Teologia de salmos
Salmos refletem alguns aspectos da fé e da vida religiosa do povo de Israel, como segue:
1. Um retrato de Deus. Ele é retratado como único Deus, como Senhor e Rei, que domina o universo e nada pode impedir de cumprir sua vontade, que visa o bem não apenas do povo de Israel, mas de toda a humanidade. Ele cuida do mundo que criou e rege a ordem deste. Ele é nosso pastor que nos guia, guerreiro que nos salva das opressões, refúgio, nosso juiz, criador de todas as coisas, soberano, bondoso, eterno, perfeito, poderoso, paciente, justo (defensor do pobre e do oprimido), perdoador, amoroso e bom. Essas manifestações de quem Deus é partem de sua própria iniciativa, para que seu povo o conheça.
2. Um modelo de nosso relacionamento com Deus. Os salmos declaram abertamente quantas são as emoções experimentadas na vida humana, temos por exemplo: medo, amor, angústia, desânimo, alegria, impaciência, gratidão, vergonha, culpa, perdão, depressão que pode acabar virando esperança, etc. A relação entre os atos de Deus na vida de seu povo e como o povo reage aos atos de Deus é um dos pontos mais importantes. Diferente das narrativas e do relato dos profetas, o livro de salmos não possui uma fala direta de Deus, ou seja, são escritos da perspectiva humana, como autores que estão encontrando seu caminho em meio às diversas circunstâncias, o que facilita nossa entrada no texto de forma empática. Compreender os atributos de Deus, principalmente a bondade e a soberania diante do que estão vivendo é um desafio à nossa fé, mas também um impulso para crer. Isso nos mostra como nos relacionarmos com Deus e ter um relacionamento autêntico e sincero com Ele, que é compassivo, amoroso e compreensível.
3. O contraste entre o caminho do justo e o caminho do ímpio. Justo é aquele que respeita e procura obedecer a lei, estes são abençoados e guardados por Deus e terão sucesso na vida. O ímpio é aquele que usa e abusa do semelhante sem pensar em Deus. Podem ter fama, dinheiro e poder neste mundo, mas chegará o tempo de sua humilhação. Observa-se que a crença de uma vida pós morte não era algo muito claro, apesar de alguns salmos apontarem para esta ideia.