Choro de alegria não jorra e não cava ruga.
Saudade dos amigos reunidos em volta da mesa da sala de jantar sempre repleta dos petiscos que traziam e do pão que eu fazia. Aqui cabem desculpas ao meu amigo Edgar Donato, padeiro, confeteiro, cozinheiro, banqueteiro de mão cheia, por rotular "aquilo" de pão.
Eu era o avesso do padeiro. Não tinha uma receita. O pão era sempre uma surpresa. Inclusive pra mim. Um dia o Edgar me perguntou que medidas eu usava para preparar a massa. Engoli em seco e tentei me safar da resposta.
Bem, depende...
A Su e o Luiz traziam sempre uma surpresa. Num inverno trouxeram um enorme panelão de sopa de legumes, feita com amor pela Suiang. Você não imagina nossa expressão, quando abri a porta e vimos os dois carregando o enorme caldeirão e os acopanhamentos da dita cuja. Numa outra ocasião, trouxeram um conjunto musical composto por Luiz e sua turma. Até um piano pequeno trouxeram para o terraço.
Éramos muitos. Pra mim éramos sempre todos. Comíamos muito, ríamos muito, trocávamos confidências, meditávamos, compartilhávamos nossas vivências, deixávamos uma lágrima ou outra escapar do canto do olho de vez em quando, mas tínhamos muito de tudo: amor, confiança, companhirismo, admiração, esperança, acolhimento, doação e respeito.
Tínhamos uma vez ou outra um convidado para nos descuriosar sobre os mais variados assuntos.
Os assíduos do Sarau , nome do nosso encontro, éramos Marcos, educator, pedagogo, ator, autor, diretor teatral e escritor, Suiang, jornalista, crocheteira, bordadeira, tricoteira, a Suuu. Luiz, músico, pianista, cantor e compositor, o Lu. Luciana, artista plástica e psicóloga, a Lu, ou Fofolete, a Norma, Normitcha, economista, o Michel, amigo e vizinho, a Jay...
Até meu filho Paulo veio algumas vezes de Camanducaia, em Minas Gerais para compartilhar seus conhecimentos e sua sensibilidade. Nossa! Quanta gente preciosa está comigo na memória e no coração que não perdiam um encontro, fizesse chuva ou sol.
E havia os bissextos, que quando vinham, faziam valer cada segundo da sua presença. Quanta gente convidada veio abrilhantar o Sarau, pra jorrar o que conhecia. Pelo pão (!). Pelo amor. Pela coincidência.
Uma monja budista cozinhou para nós, Ah! o nós! O pronome pessoal mais gostoso de todos.
Minha gratidãpo a todosos que vieram até mim, me oferecendo sempre o soro da vida.
Hoje me alimento de saudade.
Languages Um Dois Três
'Languages Um Dois Três é um método modular de aprendizado de idiomas, criado por mim e apresentado ao público italiano e brasileiro, em Roma.
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