21/09/2020
A aprendizagem, depende do trânsito entre uma postura (aprendente) e outra (ensinante), ou seja, ser ensinante implica abrir espaços para que a aprendizagem aconteça. O aprendente precisa de adulto (pais, professores...) que acreditem em seu potencial, que lhe proporcione autonomia e autoria (FERNÁNDEZ, 2001a).
O texto a seguir traz algumas reflexões a cerca da Ensinagem e Aprendizagem de acordo com Alicia Fernández formada em Psicopedagogia e Psicologia pela Universidade de El Salvador em Buenos Aires. Internacionalmente conhecida, é uma referência fundamental para a Psicopedagogia, pois analisou questões importantes que envolvem as dificuldades de aprendizagem:
“Nós humanos, aprendemos a partir de identificações com nossos ensinantes,. Inicialmente em um ambiente familiar, e depois, no escolar e social, que nos aceite como seres pensantes. Um ambiente que permita e favoreça nossas perguntas, dê lugar à diferença, que favoreça a autoria de pensamento. A inteligência e a atividade de pensamento se constrói, como também a atenção e a capacidade de se prestar atenção.” (FERNÁNDEZ, 2008a)
Para Alicia Fernández (1991) no processo de aprendizagem, o sujeito põe em jogo o seu organismo (o corpo, construído a partir da relação com o outro), sua inteligência e seu desejo de ordem inconsciente. Ou seja, precisamos permitir que o sujeito que está em processo de aprendizagem, possa mostrar o que já sabe, através de suas hipóteses a respeito do conteúdo que está sendo ensinado. Em contra partida, o “ensinante” precisa reconhecer o conhecimento deste sujeito, o caminho que o levou a suas hipóteses, para então regular a sua ação. Neste processo, ambos aprendem e ensinam, visto que é a partir da interpretação dos "ensinantes" sobre as ações dos "aprendentes", que estes (alunos) poderão ir se constituindo como sujeitos autores.