12/09/2026
Quando escolhi a Enfermagem, disseram que eu aprenderia a verif**ar sinais vitais, administrar medicamentos, realizar procedimentos e registrar cada cuidado.
Mas ninguém contou sobre tudo aquilo que acontece entre um procedimento e outro.
Ninguém avisou que, muitas vezes, eu precisaria confortar uma mãe que se culpa pelo sofrimento do filho.
Que teria de ser a voz daquele paciente que está com medo demais para falar.
Que aprenderia a entender silêncios, olhares e até aquele “está tudo bem” que, na verdade, esconde medo, dor ou insegurança.
Também não disseram que eu me tornaria um protetor.
Protetor da intimidade.
Do respeito.
Da dignidade de alguém em um dos momentos mais vulneráveis da vida.
Há dias em que participamos da alegria de uma recuperação.
Em outros, permanecemos ao lado de alguém quando já não existem palavras capazes de aliviar a dor.
A Enfermagem nos coloca diante de histórias que poucas pessoas conhecem.
Vemos lágrimas, esperança, despedidas, reencontros, medo e uma força que surge justamente quando alguém acredita que não consegue continuar.
Nada disso aparece na descrição de uma vaga.
Não existe uma linha dizendo:
“Você estará ao lado de pessoas em alguns dos momentos mais difíceis de suas vidas.”
Mas estará.
Porque Enfermagem nunca foi apenas cumprir tarefas.
É assumir diariamente papéis que não aparecem nos protocolos, nos manuais ou no contrato de trabalho.
É orientar.
Acolher.
Defender.
Escutar.
Proteger.
Consolar.
E, muitas vezes, simplesmente permanecer ali.
Mesmo quando ninguém percebe tudo o que carregamos por trás do uniforme, continuamos chegando.
Continuamos cuidando.
Porque quem olha de fora talvez nunca compreenda completamente o que existe por trás de um plantão.
Mas nós sabemos.
Ser da Enfermagem exige conhecimento técnico.
Mas também exige coragem, sensibilidade, presença e coração.
E isso, definitivamente, nunca coube em nenhuma descrição de cargo.