25/01/2024
Submissões abertas para nosso GT, Ana Josefina Ferrari
Gepedis - UFMA
MULHERES EM DISCURSO
Ppgl Letras Bacabal
16.Discursos, interseccionalidade e decolonialidades: processos de
dominação e resistências
Glória da Ressurreição Abreu França, Ana Josefina Ferrari
A formação social da América Latina e Caribe se sustenta pelo modo de produção
capitalista, marcado pela colonização e pelos efeitos da colonialidade que se perpetuam,
pelos cruzamentos de processos de racialização e de dominação de gênero/sexualidade
a partir dos quais se (re)produzem o racismo, o sexismo, o patriarcalismo que estruturam
as produções hegemônicas de sujeitos e de sentidos na contemporaneidade. Essas
relações, interseccionais, ou ainda, esses processos de identificação interseccionais
(Franca, 2017), podem por vezes se materializar enquanto discursos classistas, racistas,
sexistas, produzindo efeitos. Ao mesmo tempo, na América latina e no Caribe existem
inúmeros espaços de resistência habitados por diferentes populações, que nos últimos
500 anos foram subalternizadas, escravizadas, submetidas, mas que resistiram ao jugo
colonialista. Nessas condições de produção, nos parece produtivo pontuar nos estudos e
análises uma perspectiva interseccional e decolonial dentro do campo dos estudos do
discurso. Trata-se de nos filiarmos , além da Análise do Discurso, aos estudos de Lélia
Gonzalez (2020), Sueli Carneiro (2011, 2023), Enrique Dussel (2013), Luiz Antonio Simas
(2019, 2020), Aníbal Quijano (2005, 2009), dentre tantos outros que pensam, em seu
campo de estudo, os efeitos de discursos e os processos de produção dos sentidos e dos
sujeitos a partir dessas condições de produção de Brasis, de brasilidades, de latino (ladino)
amefricanidades, levando em conta suas contradições de classe, de raça, de gênero, e os
efeitos da colonialidade. Partimos do pressuposto de que nos espaços de resistência se
produzem processos de identificação interseccionais, na cidade e no campo, em
comunidades indígenas e quilombolas, na cultura e expressões populares. As
problemáticas interseccionais se materializam, desde o lugar de enunciação dos
invisibilizados, dos subalternizados, do lugar dos nadies. Assim, interessa-nos explorar e
acolher, neste grupo de trabalho, estudos que, na perspectiva discursiva, pensem e
analisem as relações de dominação e/ou de resistência que atravessam diferentes
espaços e materialidades discursivas em torno de um ou mais dos seguintes eixos, que
listamos de modo não exaustivo: discursos que se produzem na relação de classe e de
racialidade/etnicidade; processos de identificação em torno de identidades racializadas,
gendradas, interseccionais; processos de resistência por meio de lugares coletivos, como
os saberes locais, a cultura popular, os movimentos sociais da cidade e do campo; os
movimentos e expressões dos silêncios e dos silenciamentos; o funcionamento da
memória na relação com discursos oficiais na tensão com memórias e discursos outros,
que demarcam outros espaços e outras formas de textualização. Análises que abordem
as redes de filiação sócio-históricas, os antagonismos, as contradições que operam desde
lugares de enunciação e dispositivos discursivos que produzem as subjetividades em
diferentes materialidades e espaços de circulação do dizer. Em suma, acolheremos
trabalhos que problematizam as produções de sentidos e de sujeitos na
contemporaneidade questionando as condições de produção sócio históricas da formação
social da América Latina e Caribe estruturalmente atravessada pela colonização e pelos
efeitos de colonialidade, em discursos racistas, sexistas e classistas.
04/12/2023
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