Ensaio do Aprender

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ENSAIO DO APRENDER

Meu nome é Pricila Alves e sou a idealizadora da Clínica DIÁLOGOS que busca p

22/05/2023

O trabalho de assessoria pedagógica vai além da aula. É necessário horas de estudos do caso, análises e elaborações para finalmente traçar novos objetivos que possam contemplar o aluno em suas especificidades.

22/05/2023
08/04/2021

O processo de alfabetização deve obedecer o tempo da criança. Mas e quando esse tempo demora muito para acontecer? Quando intervir?

06/04/2021

Bom dia!
O espaço Ensaio do Aprender quer saber um pouco mais de sobre suas dúvidas e necessidades em relação à assessoria pedagógica em tempos de COVID-19.
Vamos falar sobe alfabetização, produção textual, aplicativos educacionais e muito mais... Novidades e muita interação!

12/02/2020

Dia chuvoso, daqueles que tanto alunos como professores gostariam de estar em qualquer lugar menos dentro dos muros da escola, quanto mais dentro da sala de aula.

Uma coisa tenho que admitir, a recepção de um professor substituto é quase sempre calorosa. No fundo aquelas criaturinhas têm sempre a esperança de que substituto é sinônimo de algazarra.

Era minha segunda substituição naquela turma, um quarto ano do ensino fundamental, hoje com a nomenclatura de 1º ano do Ciclo II.

Essa também era a turma na qual existia um ser que eu não havia alcançado e pior, era a sala do aluno que me fez ter uma reação negativa, negativa ao ponto de ir para cima dele, já com as mão para trás a fim de não dar-lhe uns safanões... Em anos como professora, era a primeira vez que aquilo acontecera. Me senti um lixo.

Mas, estava eu lá novamente, a mesma sala com os mesmos alunos, inclusive ele.

O trabalho de um professor substituto pode ser classificado em duas formas: quando o professor titular deixa tudo explicado, inclusive quando respirar, e quando o professor titular não deixa nenhuma instrução, nada, nem mesmo uma folha branca. No primeiro caso, tento adequar minha forma de lecionar, nada tradicional, aos conteúdos que me são deixados para passar à turma, já no segundo caso, fico entusiasmada e me divirto muito, afinal posso trabalhar por mim mesmo.

Voltando ao dia chuvoso, primeira aula de ciências e segundo as especificações da professora titular eu deveria escrever na lousa dez questões para que os alunos respondessem de acordo com o livro didático. E assim o fiz, nada como iniciar a aula com um pé no tradicionalismo, por mais que aqueles minutos de total silêncio gritassem dentro do meu ser "Que absurdo é esse??", deixei para ver até onde ia...Por fim comecei uma correção ao meu estilo "Fulano, leia a resposta da questão 1", para fazê-los entender que o que eu queria era nada mais nada menos do que eles haviam entendido e não uma cópia idêntica do que havia no livro. Mas e o tal, aquele que me tirou do meu centro, da minha zona de conforto, do meu pedestal de "a professora substituta mais legal", ele simplesmente me ignorou, não fez nada, e se recusou a fazer o dizendo em bom tom, me desafiando, medindo forças. Tive ímpetos de chacoalhar-lhe pegando-o pelos braços... mas me limitei a dizer em bom tom também, que iríamos conversar fora da sala. E assim o fiz, fomos os dois, ele de cabeça erguida, mas com um certo medo, por certo pensou que mais uma vez, mais uma professora iria lhe dar um sermão, ou na melhor das hipóteses que ira passear na diretoria, eu com cara de derrotada, também com um certo medo, por não ter ideia do que fazer com aquela criatura. Uma coisa era certa, eu teria que surpreendê-lo... Pedi para que ele me encarasse, sabia que só surtiria algum efeito se ele conseguisse manter contato visual comigo. Fiquei ali diante dele quase que pedindo uma iluminação divina, foram longos cinco minutos até que senti que ele sorriu com os olhos, e eu retribui e disse:

- Não sei o que você está passando em casa. Não sei o que você está passando aqui. Não sei se voltarei aqui. Só sei que não vou te punir sem saber o que acontece com você. Só sei que não vou desistir de você. Se precisar de ajuda, pode me chamar, eu vou te ajudar, se eu estiver nesta escola, me procure, estarei aqui por você. Agora me abraça, acho que estamos precisando de um abraço.

E ele me abraçou e se permitiu ser abraçado, se permitiu ser desarmado. Entramos na sala com um certo ar de cumplicidade, a mim cabia não contar para sala o que acontecera, a ele, tentar entender o porquê do ocorrido. Espero que ele tenha compreendido. O fato é que pude perceber uma mudança grande naquele garoto. Não só fez toda a lição de matemática, como também se destacou nas atividades. Perdi a conta de quantas vezes ele foi até a minha mesa para pedir ajuda e mostrar se estava no caminho certo com sua atividade.

A minha maior recompensa foi ver o sorriso dele e ter certeza que se algo estiver errado que ele irá me procurar. E eu estarei lá por ele.

12/02/2020

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