Ademilson Pzenicka

Ademilson Pzenicka Reflexões bíblicas e teológicas de temas atuais ou controversos.

26/03/2022

A perda de sentido de pecado dentro dos padrões bíblicos é notório e preocupante. Quando alguém afirma que "O" problema do cristianismo é o comunismo e emprega todas as suas forças, capacidades e recursos nesse combate sem dar-se conta que o pecado, enraizado no coração do homem, permeia todos (TODOS) os sistemas políticos, econômicos e ideológicos percebe-se que as escrituras e seu pseudocristianismo professado prostituiu-se de acordo com seus gostos ideológicos pessoais ou por orientação de seus "gurus" ou "messias" politico/ideológicos... Triste realidade...

04/11/2020

Se Adão e Eva, e até mesmo a Criação não conseguiu escapar da condenação de um pecado, como você irá escapar de todos os pecados que estão sobre a sua cabeça? E você me diz: “Ah, mas eu estou muito bem, em relação a outras pessoas!”, mas você não será julgado por padrões humanos, você será julgado por Deus, um Deus Justo e Santo, e Ele tem visto o seu coração.

Paul Washer

04/11/2020

A ANALOGIA DA FÉ

Quando os Reformadores se apartaram de Roma e proclamaram sua convicção de que a Bíblia deveria ser a autoridade suprema da igreja (Sola Scriptura), foram também muito cuidadosos em sua preocupação em definir princípios básicos de interpretação. A primeira regra de hermenêutica foi denominada "analogia da fé". Analogia da Fé signif**a que as Escrituras interpretam as Escrituras: Sacra Scriptura sui interpres (As Sagradas Escrituras são seu próprio intérprete). Em termos simples, isto signif**a que nenhuma passagem das Escrituras pode ser interpretada de tal forma que o signif**ado alcançado seja conflitante em relação ao ensino claramente exposto pela Bíblia em outras passagens. Por exemplo, se um versículo pode apresentar duas interpretações diferentes sendo que, uma delas é contrária ao ensino da Bíblia como um todo, enquanto a outra está em harmonia com este ensino, então esta última deve ser abortada e a anterior descartada.

Este princípio baseia-se numa confiança prévia e básica na Bíblia como Palavra inspirada de Deus, sendo, portanto, consistente e coerente. Uma vez assumindo o princípio de que Deus nunca se contradiria, é injurioso pensar que o Espírito Santo pudesse escolher uma interpretação que colocaria a Bíblia desnecessariamente em conflito consigo mesma. Em nossos dias tais escrúpulos têm sido largamente abandonados por aqueles que negam a inspiração das Escrituras. É comum encontrarmos intérpretes modernos que não apenas interpretam as Escrituras contra as próprias Escrituras, mas que forçam seu argumento nesta direção. Os esforços de teólogos ortodoxos para harmonizar passagens difíceis são ridicularizados e largamente ignorados.

Mesmo não se considerando a inspiração, o método da analogia da fé é uma abordagem saudável para a interpretação de qualquer literatura. A simples norma de decência comum deveria proteger qualquer autor de acusações injustif**adas de autocontradição. Se temos a opção de interpretar os comentários de alguém ou de forma coerente ou num sentido contraditório, parece-me que, em caso de dúvida, o autor deve ser considerado inocente.

Tenho sido interrogado por pessoas a respeito de passagens em meus livros nos seguintes termos: "Como pode o senhor afirmar tal coisa no capítulo seis quando, no capítulo quatro sua posição é diferente?" Após minha explicação do que eu realmente quis dizer no capítulo seis, a pessoa compreende que os dois pensamentos na realidade não estão em conflito. A perspectiva no capítulo seis é ligeiramente diferente da empregada no capítulo quatro e, à primeira vista, parecem conflitantes, mas, usando a "filosofia da segunda olhada", o problema se resolve. Todos nós já passamos por esse tipo de incompreensão e deveríamos ser mais sensíveis quanto às palavras dos outros como desejaríamos que eles o fossem a respeito das nossas.

Sem dúvida, é possível que minhas palavras sejam contraditórias, portanto, esta abordagem de maior sensibilidade e a "filosofia de considerar inocente", devem ser aplicados somente nos casos em que há dúvida. Quando está claro que houve contradição em minhas palavras, então só posso receber críticas. Em qualquer caso, quando não tentamos interpretar as palavras de forma consistente, aquilo que lemos se torna uma massa confusa. Quando tal atitude ocorre na interpretação bíblica, as Escrituras se tornam um camaleão mudando a cor de sua pele de acordo com a variação do ambiente daqueles que a estão interpretando.

Torna-se, portanto, claro que nossa consideração sobre a natureza e origem da Bíblia terá um efeito signif**ativo sobre como vamos interpretá-la. Se a Bíblia é a Palavra inspirada de Deus, então a analogia da fé não é uma opção, mas uma exigência para sua interpretação.

R. C. Sproul

Fonte: O Conhecimento das Escrituras, R. C. Sproul, Cultura Cristã, pág. 48-50.

04/11/2020

“ATÉ QUANDO, SENHOR?”

Um padre da Igreja Ortodoxa Helênica, de nacionalidade grega, foi baleado no sábado em Lyon, na França. O crime acontece dois dias depois de um tunisiano ter decapitado uma mulher e matado duas outras pessoas em Nice, e duas semanas depois que um professor de uma escola em um subúrbio de Paris foi decapitado por um checheno.
Segundo os investigadores, o padre foi atacado quando se preparava para fechar a igreja, e seu estado de saúde é grave. O tiro teria sido dado dentro do templo. O religioso de 52 anos foi atingido por dois disparos.

O presidente Emmanuel Macron convocou 3,5 mil reservistas da guarda militar para proteger lugares como templos e escolas, e ministros do governo alertaram que outros ataques de militantes islâmicos poderiam acontecer.

Diante dos constantes ataques ao cristianismo, e da inércia das autoridades e dos meios de comunicação, rendidos ao politicamente correto, os cristãos só podem suplicar: “Até quando, Senhor? [...] Até quando o meu inimigo se exaltará sobre mim?”

A resposta: “Quanto a mim, confio na tua graça; que o meu coração se alegre na tua salvação” (Salmos 13.1,2,5).

- Por Franklin Ferreira

O ERRO DA IGREJA"Se a igreja cristã de nossos dias desperdiça quase todo o seu tempo denunciando o comunismo, parece-me ...
03/11/2020

O ERRO DA IGREJA

"Se a igreja cristã de nossos dias desperdiça quase todo o seu tempo denunciando o comunismo, parece-me que o principal resultado disso é que os comunistas não se inclinarão a dar ouvidos à pregação do Evangelho. Se a igreja f**a sempre a denunciar algum segmento particular da sociedade, ela estará fechando as portas da evangelização àquele segmento.
Todavia, se adotarmos o ponto de vista do Novo Testamento sobre essas questões, teremos de acreditar que os comunistas também têm uma alma que precisa ser salva, exatamente como a alma de quaisquer outros indivíduos.
Por ser um pregador do Evangelho e o representante da Igreja, o meu deve é evangelizar toda variedade de classes de homens e de mulheres. Contudo, no instante mesmo que a igreja começa a intervir nas lides políticas, sociais e econômicas, ela já começou a atrapalhar-se, a entravar-se quanto à tarefa de evangelizadora da qual foi incumbida por Deus. A partir deste momento ela não mais poderá mais dizer que ‘não conheço a alguém segundo a carne’, e assim sendo, está pecando.
Permita-se ao crente individual desempenhar seu papel de cidadão, e que pertença a qualquer partido político que for de sua preferência. Isso é algo que só ao indivíduo cabe decidir. Todavia, como igreja que é, a igreja não pode intrometer-se e nem preocupar-se com tais questões. Nossa tarefa consiste em pregarmos o evangelho, apresentando a mensagem do evangelho a todos os homens.
Graças a Deus , os comunistas são passíveis de conversão e de salvação. À igreja compete preocupar-se com o pecado, em todas as suas manifestações, e o pecado pode ser tão abominável em um capitalista quanto é em um comunista; pode ser tão abominável em um rico como em um pobretão; e pode manifestar-se em toda as classes, em todo os tipos e em todos os agrupamentos humanos".

(Martin Lloyd-Jones. Estudos no Sermão do Monte. Editora Fiel, página 144).

02/11/2020

O QUE PENSO SOBRE SER REFORMADO?

1. Em primeiro lugar, ser reformado é ser crente (fide) em Cristo (Christus), salvo pela graça (gratia), amante das Escrituras (Scriptura) e viver de maneira que agrade a Deus (Deo Gloria).

2. Segundo, é entender bem na Escritura a diferença entre Lei e Graça a ponto de não descartar a Lei, mas viver pela Graça, sem legalismo.

3. É não confundir a Reforma Protestante com uma mera tradição humana e mais uma forma de religiosidade no grande shopping center das religiões.

4. É não identif**ar o que a Escritura ensina com usos e costumes de uma época ou uma geração; mas, ao amar o que nos foi ensinado por nossos pais, não cultuar o seu modo vida naquilo que se confundiu com a cultura do seu tempo.

5. Ser reformado é amar a Igreja na manifestação da sua própria geração a ponto de lutar por ela e contra ela a fim de cooperar na obra de Cristo, de apresentá-la diante de Deus sem mancha, ruga ou mácula.

6. É ser livre para a adoração a Deus dentro daquilo que a Escritura prescreve, sem rejeitar a tradição por conta de um espírito moderno e, ao mesmo tempo, não abraçar a tradição por conta do meu espírito tradicionalista.

7. É amar a Missio Dei e entender que dela procede toda a missão do povo de Deus, sem abraçar um conceito reducionista de missões e sem abandonar a missão em nome da conveniência.

8. Ser reformado é amar a vida na terra, amar o céu e amar a vida no novo Céu e na nova terra. Ser reformado bíblico exige de mim uma esperança que vai além do horizonte humano e se encrava na eternidade presente e futura.

9. Ser reformado é ter uma convicção bíblica tal, que me confundo com a Reforma, de modo que não preciso falar que sou reformado todos os dias, em todos os lugares e em todos os meu pronunciamentos. Aliás, aprendi de um grande professor que posso ensinar toda doutrina reformada sem jamais me referir a ela, porque ela não é distinta da doutrina bíblica.

Por fim, vou celebrar esta identidade, esta história, esta bênção, amando a Deus e amando ao próximo.

Rev. Mauro Meister

Por Que Eu Sou ProtestanteCARL R. TRUEMANA semana de 31 de Outubro, época tradicional para lembrar a Reforma, é também o...
01/11/2020

Por Que Eu Sou Protestante
CARL R. TRUEMAN
A semana de 31 de Outubro, época tradicional para lembrar a Reforma, é também o momento anual em que gosto de refletir sobre porque sou protestante.
Com o passar dos anos, ser protestante se torna cada vez mais fácil para mim. Afinal, nisso, o Papa Francisco tem sido uma dádiva constante. Com seu aparente desejo de transformar a Igreja Católica Romana na forma padrão de protestantismo liberal (um pouco mais colorido), faz com que seu programa não seja nem um pouco convincente para quem, emprestando uma frase de Newman, esteja aprofundado na história. Embora possamos nunca saber a verdade sobre sua recente suposta negação da divindade de Cristo, o fato é que essa história testemunha, de forma plausível, a falta de entendimento teológico que caracterizou seu pontif**ado desde o início. Desde os dias de glória do Renascimento, que a Igreja Católica não tem um papa que torna o protestantismo ortodoxo tão atraente.
Obviamente, o protestantismo tem seus próprios problemas. A miríade de magistérios dos inúmeros ministérios paraeclesiásticos oferece tênues esferas de influência para uma infinidade de pequenos papas. E a ortodoxia doutrinária tem um valor alto: um foco estreito na autoridade das escrituras levou a uma negligência das dimensões do credo católico sobre a fé. O teísmo clássico e o trinitarianismo estão lutando contra uma ação de retaguarda, mesmo dentro de algumas instituições e igrejas confessionais. Um biblicismo dominante e uma guilda de teólogos sem formação em teologia histórica nos deixaram vulneráveis a um socinianismo sútil, que floresce no solo do pensamento desleixado que caracteriza grande parte do cristianismo contemporâneo. E a realidade econômica da competição por um número cada vez menor de consumidores signif**a que as instituições protestantes – seminários e até igrejas – são constantemente tentadas a “mercadejar” suas diferenças denominacionais marginais como se fossem a essência da fé.
No entanto, apesar de todo o caos, muitas igrejas protestantes continuam, tranquila e modestamente, prosperando. Longe do palco dos garotos do “Big Eva”, pastores e congregações anônimas cuidam dos interesses da igreja. Na congregação onde eu adoro, o ministro prega fielmente a palavra e administra os sacramentos ao longo do ano. Os presbíteros e diáconos cuidam das almas e das necessidades materiais do povo. E os congregantes abrem suas casas para hospitalidade, cuidam um do outro, compartilham a vida um do outro.
Eles refletem as verdades básicas da Reforma Protestante: Chamada à vida pela Palavra, a igreja proclama essa Palavra e reflete o caráter de Deus para o mundo através de humildes atos de hospitalidade, amizade e bondade. E também coragem – coragem que não é demonstrada pela assinatura de alguma petição on-line sobre homossexualidade ou discursando em uma das “câmaras de eco ideológicas” on-line, mas pelo testemunho fiel da verdade em um ambiente de trabalho hostil. É aí que o cristianismo protestante é frequentemente o melhor.
No entanto, o Dia da Reforma também traz a tentação da nostalgia. Como os integralistas católicos romanos podem entrar em fantasias de uma recriação de alguma síntese mítica medieval, os protestantes podem f**ar tentados a pensar que os séculos XVI e XVII forneceram um Nirvana ao qual devemos retornar. Existem dois problemas com isso. Primeiro, os problemas protestantes de hoje existem desde o início: uma liderança egoísta, socinianos por perto, um relacionamento difícil e contencioso com a história. Tais problemas são óbvios.
Mas o segundo problema com a nostalgia cristã é que muitas vezes olhamos para as eras erradas para obter orientação para o presente. Os análogos reais para hoje não são encontrados na Alta Idade Média ou nos séculos XVI e XVII. O protestantismo da reforma ocorreu dentro do contexto cultural da cristandade. Apesar de todas as diferenças importantes entre Lutero e Leão X, Calvino e Trento, católicos e protestantes compartilhavam uma suposição comum de que alguma forma de cristianismo proporcionaria a cultura dominante.
Mas esse não é o nosso mundo hoje. Na sociedade moderna, poucos têm tempo para o cristianismo, seja lá de que tipo que for. O contexto cristão básico de nossos antepassados da Reforma já se foi e, se não completamente esquecido, é amplamente desprezado. Precisamos procurar ajuda em um tempo anterior: Especif**amente, no segundo e terceiro séculos.
Como no segundo século, o cristianismo agora é considerado não apenas absurdo, mas também imoral. Podemos não ser acusados de canibalismo e incesto, mas nossa ética sexual e nossa compreensão da individualidade são vistas como odiosas e ignorantes. E talvez pela primeira vez desde as perseguições dos séculos III e IV por Décio, Valeriano e Diocleciano, os termos de lealdade cívica e de filiação fiel à igreja estão se tornando mutuamente exclusivos.
Como os cristãos romanos antigos que tinha que escolher entre sacrif**ar ao imperador ou correr o risco de serem punidos como subversivos da sociedade civil, os cristãos ocidentais modernos estão começando a enfrentar essa escolha. Apoie o casamento gay ou tenha seu negócio boicotado. Deixe seus filhos escolherem seu próprio s**o ou os tiraremos de você. Talvez ainda não estejamos lá, mas estamos perto demais para nos mantermos confortáveis e complacentes. Quem pensa que a presidência de Trump não passa de um breve período de desaceleração nessas questões está se enganando.
Para mim, o Dia da Reforma é um bom momento para refletir sobre minhas razões para ser protestante. É o tempo, como um católico, de agradecer àqueles que, desde os apóstolos em diante, transmitiram fielmente a fé de geração em geração. Mas também é um momento para perceber que o mundo dos reformadores se foi, que vivemos agora em tempos em que os desafios, embora não sejam inéditos, não são apenas os mesmos do século XVI.
Newman declarou que se aprofundar na história é deixar de ser protestante. Mas isso depende da parte da história em que você se aprofunda. Mais especif**amente aos dias atuais: estar aprofundado na história é perceber que nós, cristãos, precisamos mais do que o final da Idade Média ou a Reforma para nos guiar e nos encorajar em um mundo que está se aproximando de nós com uma velocidade surpreendente.

01/11/2020

"(…) e à igreja que está em tua casa" (Fm 1:2)

Existe uma Igreja nesta casa? Porventura são pais, filhos, amigos, empregados, todos membros dela, ou estão alguns ainda inconversos? Vamos fazer uma pausa aqui e colocar a questão: sou eu um membro da Igreja nesta casa? Como o coração do pai pularia de alegria, e os olhos da mãe se
encheriam de sagradas lágrimas se, do mais velho ao mais novo, todos forem salvos! Oremos por essa grande misericórdia até que o Senhor a conceda a nós. Provavelmente esse tenha sido o desejo mais querido de Filemon, ter toda a sua casa salva, mas isso não foi inicialmente concedido a ele em sua plenitude. Ele tinha um servo mau, Onésimo, que, tendo-o enganado, fugiu de seu serviço. As orações de seu mestre o seguiram e, finalmente, Onésimo foi levado a ouvir a pregação de Paulo; seu coração foi tocado, e ele voltou a Filemon, não apenas para ser um servo fiel, mas um irmão amado, acrescentando um outro membro à Igreja na casa de Filemon. Porventura existe algum servo inconverso ou um filho ausente esta manhã? Faça uma súplica especial para que o retorno deles para casa possa alegrar todos os corações com a boa notícia do que a graça
tem feito! Existe alguém presente? Deixe-o participar na mesma súplica sincera. Se houver uma tal Igreja em nossa casa, vamos dirigi-la bem, e fazer toda a obra como se aos olhos de Deus. Passemos pelos negócios comuns da vida
com deliberada santidade, diligência, bondade e integridade. Mais se espera de uma Igreja do que de uma casa comum; o culto familiar deve, em tal caso, ser mais devoto e sincero; o amor interno deve ser mais quente e ininterrupto; e a conduta externa deve ser mais santif**ada e semelhante a de Cristo. Não precisamos temer que a pequenez de nosso número nos colocará fora da lista de Igrejas, pois o Espírito Santo arrolou a igreja familiar no inspirado livro memorial (Ml 3:16). Como Igreja, vamos agora nos aproximar do grande Cabeça da única Igreja universal e rogar-Lhe que nos dê a graça de brilhar diante dos homens para a glória do Seu nome.

Devocional - Spurgeon

06/04/2020
Justif**açãoJustif**ação não signif**a meramente perdão. Inclui o perdão; no entanto, é muitíssimo maior do que este. Al...
06/04/2020

Justif**ação

Justif**ação não signif**a meramente perdão. Inclui o perdão; no entanto, é muitíssimo maior do que este. Além disso, a justif**ação afirma que Deus nos declara completamente inocentes, considerando-nos pessoas que jamais pecaram. Ele nos proclama justos e santos. Agindo assim, Deus está refutando qualquer acusação que a lei faça contra nós. Não é apenas o juiz, no tribunal, asseverando que o réu está perdoado, mas declarando-o uma PESSOA JUSTA E INOCENTE. Ao justif**ar-nos, Deus nos informa que removeu nosso pecado e culpa, imputando-os, ou seja, lançando-os na conta do Senhor Jesus Cristo, castigando- os nEle. Deus também anuncia que, fazendo isso, lança em nossa conta (ou seja, imputa-nos) a perfeita justiça de seu querido Filho.

O Senhor Jesus Cristo obedeceu completamente a Lei; jamais a transgrediu em algum aspecto, satisfazendo-a em todas as suas exigências. Esta completa obediência constitui a justiça dEle. O que Deus faz ao justif**ar-nos é lançar em nossa conta (ou seja, imputar-nos) a justiça do Senhor Jesus Cristo. Ao declarar-nos justif**ados, Deus proclama que nos vê não mais como realmente somos, e sim como pessoas vestidas da justiça de Cristo. Um hino escrito pelo conde Zinzendorf expressa deste modo a justif**ação:

Jesus, tua veste de justiça É agora minha beleza; minha gloriosa vestimenta. Entre os mundos flamejantes, Envolvido em tua justiça, com alegria eu Te exaltarei.

D.M. Lloyd Jones

Soberania de EsferasAlgumas pessoas têm me perguntado: “Afinal, o que é Soberania das Esferas e onde posso aprender sobr...
04/04/2020

Soberania de Esferas

Algumas pessoas têm me perguntado: “Afinal, o que é Soberania das Esferas e onde posso aprender sobre isso”? O interesse redespertado pela teologia reformada tem trazido esse termo e conceitos à tona, junto com “cosmovisão”, “neocalvinismo” e vários outros. Soberania das Esferas é uma expressão encontrada na obra do filósofo holandês Herman Dooyeweerd (1894-1977). Seu tratado, extenso e muito técnico, não disponível em português, é chamado “Uma Nova Crítica do Pensamento Teórico” (A New Critique of Theoretical Thought, em 4 espessos volumes, tradução do original holandês publicada originalmente em inglês por H. J. Paris, em 1957).

O pensamento expresso por Dooyeweerd é complexo, mas, simplif**adamente, podemos dizer que ele os construiu sobre os conceitos já apresentados anteriormente por João Calvino (1509-1564) e, com bastante intensidade, na terminologia e escritos de Abraão Kuyper (1837-1920). Em resumo, ele ensina que cada instituição criada por Deus (a família, a escola, o estado), possui uma área específ**a de autoridade e regência, ou seja, são esferas bem delimitadas e específ**as.

Isso não signif**a que tais esferas sejam autônomas. Ainda que independentes, cada uma deve responder a Deus, o doador desta autoridade. A soberania de cada uma quer dizer que elas não devem usurpar ou interferir na autoridade da outra esfera. Cada uma dessas esferas, autoridades em si, é responsável por sua missão e pelas suas ações, na providência divina, perante Deus.

Por exemplo, no caso de uma escola cristã, ela deve entender que não usurpa a autoridade da família, nem da igreja. Muito menos substitui essas outras esferas, mas deve trabalhar conjuntamente, em colaboração e respeito. A esfera da escola, e nisso ela tem autoridade, é ministrar conhecimento, sendo responsável, perante Deus, de transmitir esse conhecimento reconhecendo o Criador em todas as áreas do saber.

Outro exemplo, ao estado não cabe legislar moralidade, mas sim, trabalhar com base em princípios universais (que procedem de Deus), reprimindo as atividades criminosas, protegendo os indivíduos de uma sociedade – essa é a sua esfera legítima. No momento em que se imiscui na esfera da família, ou da igreja (postulando o que é certo ou errado), ultrapassa a sua “soberania”. O estado não tem poder ilimitado, mas deve se reger sob uma estrutura específ**a, que emana da Graça Comum, derramada por Deus sobre todos os homens.

Essa ação abrangente da Graça Comum de Deus, além de possibilitar a existência da sociedade, é que restringe, também, o pecado na humanidade e faz com que cultura de mérito e qualidade possa surgir nos mais diversos lugares e situações. Sobre isso, Dooyeweerd diz: “Deus, em Cristo mantém a estrutura de sua criação pela graça temporal preservadora”. Demonstrando um preciso entendimento bíblico, Dooyeweerd especif**a que a Graça Comum de Deus é que “retém a completa demonização do mundo” e, como resultado, podemos observar em todas as partes “centelhas da glória de Deus, de sua bondade, verdade, justiça e beleza”, até nas “culturas idólatras” (Vernieuwing en Bezinning. Zutphen: J.B. Van Den Brink & Co., 1963, pgs. 36 e 39).

O trabalho de Dooyeweerd já foi abordado por várias obras. Uma das melhores é o resumo do seu pensamento escrito por J. M. Spier no livro, An Introduction to Christian Philosophy(Philadelphia: Presbyterian and Reformed Publishing Co., 1954), 155. Em português temos o seu excelente livro, No Crepúsculo do Pensamento Ocidental (The Twilight of Western Thought), traduzido e publicado pela editora HAGNOS, em 2010, com 304 pgs. e a Edições Vida Nova publicou, agora em 2014, “Estado e soberania: escritos sobre cristianismo e política”, do mesmo autor. Esses livros também podem servir para uma introdução ao pensamento desse grande filósofo cristão, que nos demonstra como a doutrina cristã é para ser testemunhada, vivenciada e experimentada em todas as áreas de nossa vida – incluindo o intelecto.

Solano Portela

Endereço

Rua Marcos Silva
São João Batista, SC
88240000

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