20/06/2026
Há uma beleza que mora nas entrelinhas do brincar.
Duas crianças disputando um tronco de árvore.
E que linda é essa disputa.
Não pela posse.
Mas pelo desejo de alcançar o alto,
de experimentar o corpo,
de medir as próprias possibilidades.
Uma sobe.
Equilibra-se.
Sorri por dentro.
Sente-se gigante.
E, quando o encantamento da conquista a preenche,
o tronco deixa de ser seu.
Sem que ninguém ensine,
ela se afasta.
E, muitas vezes, espera.
Observa.
Estende a mão.
Agora é a vez do outro.
E eu, por ser amante da poesia,
vejo poesia nesse percurso,
nesse convívio,
nesse encontro.
Não há como contemplar uma poesia
e não desejar construir outra.
Porque aquele tronco nunca foi apenas madeira.
É montanha.
É aventura.
É coragem.
É amizade nascendo e se firmando em silêncio.
E ali, entre pés descalços,
mãos estendidas
e risos que cabem no vento,
a natureza oferece o que nenhuma loja vende:
a alegria de descobrir,
a beleza de compartilhar
e a delicadeza de perceber
que o mundo é mais bonito
quando o encantamento cabe em coisas simples.
Talvez seja isso a infância.
Uma poesia escrevendo outra poesia,
todos os dias,
sobre um simples tronco de árvore.
Enquanto muitos enxergam apenas um tronco de árvore, eu vejo a humanidade sendo delicadamente escrita pelas mãos da infância.