Orgulhamo-nos de trabalhar nesta instituição, sobretudo porque o nosso compromisso é com a defesa da universidade pública, gratuita, democrática e de qualidade. No entanto, o aprofundamento da atual crise, principalmente pela gravidade dos problemas sociais que têm produzido, vem aumentando a nossa preocupação. Presenciamos um dramático processo de precarização das condições de trabalho e desmonte
da educação pública, com a retirada de direitos, o aumento do grau de exploração e os cortes nas áreas sociais. Como se não bastasse destinar mais de 40% do orçamento ao pagamento de juros e amortizações da chamada dívida pública, para satisfação principalmente de banqueiros (enquanto destina menos de 4% para educação), o governo vem realizando constantes cortes nas áreas sociais, especialmente na educação: de 2015 até agora, por exemplo, já foram mais de R$ 15 bilhões. Além disso, há uma insuficiente realização de concursos públicos para vínculo profissional efetivo em par com o crescente processo de terceirização, sobrecarga de trabalho, paralização de obras. Falta ainda condições básicas, como acervo bibliográfico
e laboratórios, cortes de energia, precarização da assistência estudantil, dentre muitos outros. As políticas implantadas pelos órgãos de fomento à pesquisa tem garantido a subordinação da universidade à lógica do mercado e do produtivismo. Dessa forma, nós, docentes, temos nossas avaliações de desempenho associadas a critérios eminentemente quantitativos: número de publicações (considerando a qualificação das revistas científicas), de aulas (especialmente em Programas de Pós-Graduação), de projetos de pesquisa, de orientações, entre outros. Combina-se a essa lógica a ideia docente/pesquisador, que deve buscar recursos para o financiamento de pesquisa via editais, numa clara manobra de inversão em que o docente, refém dessa lógica, é quem se torna responsável por buscar e garantir as condições objetivas mínimas para a realização de pesquisas, e não o Estado. A generalização dessa lógica resulta ainda na formação aligeirada e mecanicista, que distancia a Universidade Pública da sua função social e intensifica a jornada de trabalho, amplia o trabalho realizado em casa, o controle e a vigilância, a constituição de relações de trabalho cada vez mais competitivas e opressoras e o evidente crescimento do número de casos de assédio moral. O resultado de tudo isso: estamos com sobrecarga de trabalho, adquirindo doenças que vão desde as mais evidentes, como as manifestações de lesão por esforço repetitivo, de afonismo e doenças de visão, ao afastamento e às ausências por depressão, stress, transtorno do pânico, cardiopatia entre outras. Além de tudo, diante dessa dramática realidade, a entidade sindical a que deveria representar os nossos interesses, Associação dos(as) Docentes Universitário da UFS (ADUFS), na verdade, parece ter desenvolvido
interesses próprios, bem diferente das demandas do conjunto das(os) docentes, pois não tem tocado lutas. Se autonomizou em relação à sua base, em relação àqueles que os elegeram. Não concordamos com esse estado de coisas! Na ausência de organizações que coloquem as demandas das(os) docentes como prioridade, algumas e alguns colegas acabam atuando de forma individual, estabelecendo diálogos críticos em seus grupos de pesquisa, salas de aula e espaços de atuação. No entanto, entendemos que a melhor maneira de enfrentarmos esses problemas e os desafios que se apresentam seria agirmos coletivamente, por isso, nós lançamos o Coletivo de Professores em Luta da UFS, para oferecer uma real alternativa de organização
àqueles decidiram dizer: Chega!