O grupo nasceu em 2006 por iniciativa do ator Sérgio Zanck e da musicista Viviane Louro. Ambos com muita experiência na área artística se uniram com o intuito de promoverem um trabalho inovador e diferenciado dos demais no campo da inclusão. Viviane, na época trabalhava em várias instituições e Ongs na área da deficiência e percebia que todas eram demasiadamente assistencialista e que tratavam a pessoa com deficiência sempre como alguém que precisa de cuidado, não promovendo assim autonomia delas. Ela tinha diversos alunos de música nessas instituições muito talentosos e com vontade de se profissionalizarem em arte, mas devido a essa postura da instituição e muitas vezes da família, via que eles não se desenvolviam. Por outro lado, Sérgio Zanck, nessa mesma época, terminava seu curso de formação profissional em uma importante instituição de artes do ABC paulista. Por um fantástico acaso, Sérgio e Viviane se conheceram num curso e conversando começaram a traçar uma bela amizade, que se tornaria mais tarde um trabalho forte na área de arte e inclusão. Ele precisava de um grupo para aplicar sua pesquisa de música e teatro e Viviane queria ver se fora de uma instituição seus alunos com deficiência se desenvolveriam melhor artisticamente. Viviane então propôs que montassem um grupo experimental com seus alunos com deficiência para que Sérgio aplicasse sua pesquisa. Ele concordou na hora e começaram então a discutir os parâmetros que seguiriam. Viviane ligou para seus alunos mais interessados e através de Fabiana Louro, sua irmã e também atriz, conseguiram um espaço emprestado numa escola pública em S. Caetano do Sul, para as aulas. No início eram somente 7 alunos e 6 professores: Viviane Louro, Sérgio Zanck, Fabiana Louro, Daniel Inamorato, Maria Silvia e Alessandro Arten. Daniel (pianista), Maria (atriz) e Alessandro (pedagogo) foram convidados para entrarem nesse experimento pois se interessaram pela proposta. Dos alunos, um era autista e os demais tinham deficiência mental. Logo no início das aulas, Viviane conheceu uma senhora, de 70 anos que se interessou em entrar para o grupo como aluna. Então decidiram encaram mais esse desafio: introduzir a terceira idade. O propósito inicial era promoverem 3 meses de oficinas unindo música e teatro, mas ao término desse tempo o primeiro espetáculo do grupo já ganhava forma e por isso resolveram continuar. Assim surgiu o primeiro espetáculo: O Andarilho In-cantador, baseado num cordel do psicólogo e amigo do grupo Flávio Gonzales. Daí em diante o grupo nunca mais parou e recebeu cada vez mais novos integrantes e orientadores, como Alex de Andrade, pedagogo que colaborou com o grupo por 5 anos e Letícia Salis, que integrou o corpo docente por 2 anos. Resolveram então batizar o grupo. A ideia pelo nome Trupe do Trapo veio dos próprios integrantes do grupo devido a dois fatores importantes: o primeiro, ao fato de que boa parte do figurino do primeiro espetáculo era formado por panos coloridos, que lembravam trapos. O segundo fato é que o grupo tinha surgido do nada e tomado uma grande força através da união do que cada um podia dar, ou seja, o grupo juntou seus “trapos” para que tudo fosse criado, pois não tinham (e ainda não têm) apoio financeiro de ninguém para a construção de seus espetáculos. Foi assim que surgiu a Trupe do Trapo, um grupo que acredita que a arte pode e deve ser para todos e que trabalha com o que cada um tem de potencial. A proposta pedagógica do grupo é a união da música ao teatro, tendo como base a psicomotricidade e adaptações musicais para seus integrantes. O grupo, nesses 6 anos de atividade montou 3 espetáculos, fez mais de 50 apresentações em quase todo SP e em MG, AL e PR. Ganhou dois prêmios do Ministério da Cultura (MINC), foi contemplado por vários editais de incentivo à cultura, lançou um CD, publicou um livro e agora se prepara para lançar dois DVDs e um documentário sobre seu trabalho. Infelizmente o grupo sofreu e sofre muito preconceito ainda por serem formados por pessoas com deficiências e terceira idade e até agora não conseguiu nenhum tipo de colaboração do poder público e privado de sua cidade, Santo André, apesar de tentarem por muitos anos. A Trupe ensaia atualmente na escola Américo Brasiliense, que abriu as portas após saírem da escola de S. Caetano e passarem também por um local em S. Bernardo. Os ensaios acontecem todos os sábados. O grupo é formado atualmente por 20 pessoas, sendo essas: 17 integrantes e 3 professores. Dos integrantes, que compreendem a faixa etária de 14 à 75 anos, há 11 pessoas com deficiências (mental, visual, física, problemas psiquiátricos, problemas neurológicos, problemas psicomotores e de aprendizagem e autismo). 4 pessoas sem deficiência e 2 pessoas da terceira idade ( 65 e 75 anos). Os professores continuam sendo Sérgio Zanck e Viviane Louro e desde 2008, Danielle Burghi que entrou no grupo como estagiária e agora é professora. O trabalho de todos é absolutamente voluntário, nenhum dos professores ganham pelas aulas e os alunos não pagam pelo curso. A verba para montagem dos espetáculos vem de cachês de apresentações e contribuições dos integrantes do grupo quando possível. A ARTE É SIM PARA TODOS, A TRUPE É PROVA DISSO !!!!