08/12/2016
Seminário Mídia e Educação discutiu os diálogos possíveis entre comunicação e educação
O Grupo de Pesquisa Mídia, Jornalismo Audiovisual e Educação (MJAE), em parceria com o Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Cap-UFRJ), promoveu, nos dias 06 e 07 de dezembro, na Casa da Ciência da UFRJ, o Seminário Mídia e Educação. O evento colocou em evidência a centralidade da mídia, a utilização de novas tecnologias nos processos de ensino e aprendizagem, além de repensar o papel da escola e dos professores na contemporaneidade.
Na abertura, as professoras Beatriz Becker e Mônica Machado da UFRJ, idealizadoras do Seminário deram as boas-vindas aos participantes e, antes de apresentar os membros da mesa de abertura, destacaram a importância de se debater o tema, principalmente diante do atual contexto brasileiro, onde escolas de todo o país estão ocupadas. As organizadoras pontuaram ainda, a importância de se fazer uma leitura crítica das mídias com o propósito de buscar um engajamento social mais consciente e a constituição de políticas públicas mais inclusivas.
Participaram da cerimônia de abertura o Diretor da Escola de Comunicação da UFRJ, Amaury Fernandes; a Decana do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da UFRJ, Lilia Pougy; e a Diretora do Colégio de Aplicação da UFRJ, Maria Cristina Miranda.
Conferência de abertura
A palestra foi realizada pelo professor emérito da UFRJ, Muniz Sodré, um dos intelectuais mais proeminentes do Brasil, com mais de 30 livros escritos nas áreas de Comunicação, Cultura e Educação. Em sua exposição, o conferencista fez considerações acerca dos conceitos de midiatização e bios midiáticos, abordados em seu livro “Antropológica do Espelho”. Para o pesquisador os termos se referem a uma nova ambiência social provocada pelas relações entre o capital financeiro e as mídias e os modos como as lógicas inscritas nas dinâmicas de poder e nesses dispositivos intervêm na vida social, tanto nas instituições quanto nas organizações e nos cotidianos dos sujeitos. Contudo, Sodré destaca que a educação é estratégica como prática social de transformação na atualidade.
Mesa 1: O Brasil e o Rio de Janeiro na agenda da educação no século XXI
Na primeira mesa do dia, as pesquisadoras Adriana Fresquet, da Faculdade de Educação da UFRJ, e Eliana Nagamini, da Faculdade de Tecnologia de São Paulo (FATEC-SP) e coordenadora do Grupo de Pesquisa sobre Comunicação e Educação da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), apresentaram perspectivas diferentes. Eliana fez um levantamento das contribuições de pesquisadores de diferentes regiões do Brasil sobre essa temática nos últimos 10 anos e apresentou um estudo sobre os trabalhos de pesquisadores do Rio de Janeiro na Intercom. A exposição possibilitou uma visão geral sobre as abordagens, os autores referenciados e a instituições onde as articulações entre mídia e educação estão sendo pensados. Elas destacou que a linguagem audiovisual é um objeto sensível aos pesquisadores fluminenses. Entre suas conclusões, Nagamini destacou a necessidade de pensar o lugar do professor nas investigações do campo. Já a pesquisadora Adriana Fresquet trouxe parte do trabalho que vem desenvolvendo na área de extensão universitária com professores, estudantes da educação básica e cidadãos de todas as idades. A pesquisadora salientou a importância da apropriação midiática como forma de empoderamento social.
Mesa 2: O estado da arte das pesquisas em mídia e educação
As pesquisadoras Inês Vitorino, da Universidade Federal do Ceará (UFC); Paula Sibilia, da Universidade Federal Fluminense (UFF); e Rosa Maria Fischer, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), fizeram uma leitura crítica sobre o desenvolvimento das pesquisas em mídia e educação. Fischer, baseada nas análises realizadas pela Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (Anped), fez uma proposição epistemológica e sugeriu a necessidade de problematizar o tema mídia e educação ao invés de polarizar as formas de nomeação do campo. Assim, revisitou com o público contribuições importantes de estudos sobre a participação ativa das audiências e dos públicos nos processos de significação e construção de sentido. Já Inês Vitorino buscou no diretório de grupos de pesquisa no CNPq, com seu grupo de pesquisa, o GRIM, dados relevantes para construção de um mapeamento das pesquisas, sistematizados e apresentados no seminário.
Paula Sibilia, da Universidade Federal Fluminense, expôs parte de sua análise sobre a “crise da escola”. A ênfase da autora incide sobre a maneira como as novas tecnologias de comunicação, especialmente os dispositivos móveis implicam em novos estilos de vida e estão afetando o funcionamento da instituição. Em suas considerações as pesquisadoras ressaltaram a necessidade de construir uma agenda comum de investigação para o campo, e a premência de pensar a escola dentro de uma nova racionalidade onde as tecnologias são promotoras de novas subjetividades.
Mesa 3: Leitura críticas e criativas das mídias na educação: interpretando a vida social
Na quarta-feira, 07, a pesquisadora Daniela Costa, do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic), apresentou dados sobre as pesquisas Kids Online Brasil e Tic Brasil; mostrando principalmente o número de escolas conectadas no Brasil e formas que crianças e professores fazem uso das mídias, a partir da sistematização de uma análise quantitativa.
Rosália Duarte, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), refletiu sobre a função pedagógica dos jogos online. Ela destacou que a experiência dos gamers do jogo “League of Legends” corresponde a um novo modo de apreensão, interpretação, sistematização e expressão dos conhecimentos e de percepção da realidade.
Lígia K. Magalhães, da Faculdade de Educação da UFRJ, trouxe para o debate questionamentos importantes sobre a formação dos professores no século XXI frente às demandas pela adoção das mídias no processo de aprendizagem. novas tecnológicas no contexto escolar.
Mesa 4: Experiências de ensino em mídia e educação na era digital
As professoras Luana Caruso, da Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro (SEEDUC-RJ); e Izabel C. Goudart da Silva, do Colégio de Aplicação da UFRJ, duas experiências de projetos implantados em instituições de ensino do Rio de Janeiro que visam à integração de mídias digitais e tecnologias no ambiente escolar. Luana Caruso falou sobre o projeto Laboratório de Ciências Humanas, no Colégio Estadual Chico Anysio, e Izabel Goudart apresentou o projeto Aprender Brincando, realizado no Colégio de Aplicação da UFRJ. Elas a partir de suas experiências, mostraram de formas diferentes como a apropriação das mídias podem contribuir para a formação de estudantes em escolas públicas.
Herli J. de Menezes, professor da Faculdade de Educação da UFRJ, sugeriu que a potencialização dos usos das mídias nos processos de aprendizagem depende de uma compreensão das relações entre comunicação e educação capazes de afastar a perspectiva da “fetichização” tecnológica.