A implantação do Colégio Guiné-Bissau foi fruto de uma longa luta por parte dos moradores, encaminhada também pela Ama-Alta e grupos ligados à paróquia do Bonfim, que reivindicavam um colégio de Ensino Médio (na época, 2º Grau) sendo os moradores obrigados a se deslocar para os bairros vizinhos quando quisessem continuar seus estudos. Maria Oliveira, que participou da luta pela implantação do colégio, estudou na primeira turma (também a primeira a se formar) e trabalha como secretária nele desde 1985, escreveu um relato sobre a história do colégio, do qual separamos este trecho: “Muitos em idade escolar optaram pelo trabalho, para ajudar seus pais. Alguns, com muita sorte, conseguiram boas empresas, que davam oportunidades de melhores cargos. Depois de um dia de trabalho, ninguém tinha ânimo de enfrentar condução para estudar longe de casa... Não tinha nem um Colégio próximo! Em 1984, surgiu uma luz no fim do túnel. A Associação de Moradores da Cidade Alta, composta por Carlos Guimarães, João Batista, Leda, Maria Rita, Inês e mais alguns moradores, começaram colocar em prática e correr atrás do tão sonhado Colégio. Primeiro formar equipes, ir para a feira local e recolher assinaturas dos interessados.”[1]
Vale considerar que a Cidade Alta tinha disponibilidade de cinco prédios de escolas da prefeitura. A história também é contada na forma de cordel por João Batista Melo, que foi da Ama-Alta e participou diretamente da mobilização: “Num domingo reunimos / pra formar uma comissão / e lutar por uma escola / esse era o nosso pendão / mas tudo só foi possível / porque havia união. (…) O prédio da nossa escola / de fato já existia / a prefeitura ensinava / no prédio durante o dia / fundar um curso noturno/ era o que se pretendia.”[2]
Segundo o relato de Maria Oliveira, este funcionou durante quase dois anos a partir da organização dos próprios alunos e/ou moradores. As aulas tinham periodicidade irregular, não tendo um quadro de horários completo e nem um diretor oficial, mas um ‘eleito’ pela comunidade para dar um mínimo de organização e superar a precariedade desses primeiros momentos, contado também com bom humor no cordel: “Além daquela demora / em nomear diretor / ali não tinha nem giz, / quadro negro apagador... e já faziam seis meses / que não vinha professor – Escola sem professor / é pior que sanatório / se para os bons casamentos / não precisa nem cartório/ aí os alunos botaram / um diretor provisório.”[3]
Finalmente, a partir de 1985, o colégio passou a funcionar com regularidade, com a maior parte dos professores e um diretor nomeado. Oficialmente instalado (ou reconhecido?) pelo Governo do Estado, que batizou este colégio e mais outros (Angola, Cabo Verde) com nomes de ex-colônias portuguesas que comemoravam uma década de independência.
[1] “A Criação do C.E.Rep. Relato escrito de Maria Oliveira, 2010.
[2] MELO, João Batista. “Como Nasceu uma escola.” - Literatura de Cordel.
[3] Idem.