25/09/2026
Sucot: Zman Simchateinu
Sucot, o tempo da nossa alegria
Ao longo do mês de Tishrei, percorremos uma importante jornada. Passamos pela introspecção de Rosh Hashaná, pela expiação de Iom Kipur e, antes de concluirmos e recomeçarmos o ciclo de leitura da Torá, chegamos a Sucot, a festa das cabanas, conhecida como Zman Simchateinu - o tempo da nossa alegria.
Durante este chag, lemos Cohelet (Eclesiastes), obra cuja autoria é tradicionalmente atribuída ao Rei Salomão. Etimologicamente, a palavra Cohelet deriva de Cahal (comunidade, congregação, público). Logo na abertura, o texto nos provoca ao apontar a impermanência de tudo o que nos cerca: “Futilidade das futilidades, tudo é fútil” (Eclesiastes 1:2).
Ao integrar essa reflexão ao espírito de Sucot compreendemos que a vida é feita de ciclos e transformações. A própria Sucá, com seu teto de folhagens através do qual contemplamos as estrelas e sentimos o vento, é a tradução viva dessa mensagem.
Ela nos lembra de que não temos o controle absoluto sobre o tempo ou as circunstâncias, mas podemos escolher como atravessar cada momento.
Pode parecer um paradoxo ler uma reflexão sobre a brevidade da vida no chag que nos convoca à exaltação da alegria. Contudo, longe de ser um livro pessimista, Cohelet é fonte de inspiração. Ao nos lembrar que cada instante deve ser plenamente vivido em seu devido tempo, ele mostra que o aprendizado do presente constrói as bases para acolher o futuro com plenitude.
Durante todo o ano, vivemos sob tetos rígidos que nos transmitem uma ilusão de segurança. Em sua estrutura que não tem portas, a Sucá, por essência, é um convite para reunir. Assim como o Lulav une quatro espécies de plantas completamente diferentes, a vida comunitária só se estabelece quando acolhemos o outro em sua singularidade. Nossa maior proteção não vem de paredes inabaláveis, mas da flexibilidade, da empatia e do encontro genuíno entre as pessoas.
A verdadeira alegria não nasce do controle, mas da sabedoria de reconhecer o que é essencial: caminhar lado a lado, valorizar o presente e acolher cada tempo com esperança, união e propósito.
Chag Sucot Sameach!