16/09/2026
O rio tem sido um grande educador das crianças do Núcleo Acerola, Ciclo III. 💦💚
Dentro do Eixo Indígena, começamos com uma pergunta que abriu passagem para muitas outras: “O que é um rio?”
Nossas crias trouxeram o que já sabiam e formularam novas perguntas.
Observaram imagens, compararam rios, conversaram sobre chuva, correnteza e poluição.
O rio passou pelo corpo, quando elas assopraram tinta e acompanharam seus percursos pelo papel.
Passou pelas mãos, quando cavaram a terra com pás, criaram curvas, nascentes, afluentes e foz.
Ganhou forma na argila, recebeu água de verdade e mostrou, diante dos olhos das crianças, como o relevo conduz seu caminho.
Também virou brincadeira.
Em um rio desenhado no chão, as crianças retiraram os resíduos que “poluíam” suas águas. Quando terminaram o cuidado, quiseram entrar nele, mergulhar e brincar no espaço que haviam acabado de transformar.
A investigação foi crescendo.
Na maquete construída coletivamente, o rio encontrou árvores e começou a compor uma paisagem.
No mapa do Brasil, encontramos outros rios e conhecemos povos indígenas que vivem em diferentes partes do território.
Foi assim que chegamos ao povo Krenak e ao Watu, nome dado ao Rio Doce e também chamado de “Vovô Rio”. Conhecer essa relação ampliou uma pergunta importante para o grupo: o que muda quando pensamos o rio não somente como um recurso ou uma paisagem, mas como parte da vida, da história e da cultura de um povo?
E essa conversa também nos trouxe para perto. Olhamos para o Rio Cabeça, que atravessa o Pomar e faz parte da paisagem cotidiana das crianças.
Aprender com o rio tem sido aprender sobre água, terra, movimento e território. Mas também sobre cuidado, relações, memória e modos diferentes de estar no mundo.
No Eixo Indígena, seguimos acompanhando seu curso: um rio pode ensinar muito quando, em vez de apenas falarmos sobre ele, criamos tempo e espaço para observá-lo, experimentá-lo e escutar as histórias que passam por suas águas. 🩵