01/08/2015
NOTA DE REPÚDIO À DEMISSÃO DE PROFESSORES CONTRATADOS DA FAETEC
A Associação de Trabalhadores da FAETEC torna público, por este instrumento, o seu veemente repúdio à decisão despótica do Presidente da FAETEC, Wagner Granja Victer, de demitir professores contratados da rede em plena metade do ano letivo de 2015, ignorando o acordo firmado no dia 11 de maio entre a Comissão de Educação da ALERJ e a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação, segundo o qual todos os contratos seriam cumpridos até o fim da vigência de cada um.
Com uma gestão marcada pelo desrespeito ao trabalho docente, pelo desmonte e sucateamento do nosso ensino técnico, Victer, que não é professor, tampouco funcionário de carreira da FAETEC, não enxerga os profissionais de educação em suas especificidades. Dentro de sua "linha de produção" somos todos meras engrenagens, peças de reposição ou descarte. Neste último grupo enquadram-se os contratados, os professores mais explorados da rede FAETEC, profissionais com os mesmos deveres dos demais professores, mas que não têm direito sequer a receber vale-transporte para trabalhar. A covardia de Victer está conduzindo estes professores ao desemprego inesperado, pois muitos destes contratados, que trabalharam no limite ou excedendo a carga horária máxima permitida, foram demitidos durante o recesso, no apagar das luzes, sem direito a indenização, a absolutamente nada. A covardia, porém, não é o único traço característico de Victer neste processo. Parece evidente constatar, também, a insubordinação do Presidente da FAETEC frente ao acordo firmado na SECTI entre o Secretário Gustavo Tutuca e a Comissão de Educação. Um acordo cujo conteúdo foi amplamente divulgado na página da referida Secretaria de Estado na internet e, também, nas páginas do próprio Secretário Tutuca e dos Deputados Flávio Serafini e Tio Carlos, membros da mencionada Comissão.
Victer, no entanto, não agiu sozinho. Com idêntica veemência, portanto, a ATFAETEC repudia a subserviência associada ao oportunismo de alguns diretores de unidades escolares que, ao indicar professores contratados para serem demitidos em plena metade do ano letivo, sem perspectiva profissional imediata dada a escassez de oportunidades neste período, estão virando as costas definitivamente aos profissionais que ajudaram a explorar. Estes diretores estão, consequentemente, convertendo-se em opressores dentro de sua própria classe. No ISERJ, a direção geral, incluindo a direção do CAp, amparada pela política de precarização da atual gestão da rede, compartilhou do despotismo de Victer de maneira evidentemente oportunista para demitir a professora Marcela Almeida, militante ativa, representante dos contratados na ATFAETEC e membro de nossa Coordenação Provisória. A demissão da professora Marcela, entretanto, apesar de não ser a única na unidade, diferencia-se das demais pois possui uma clara motivação política. Visa atingir a profissional que, desde sua entrada na FAETEC, participou das todas as atividades de luta e das greves da categoria, representando na Associação a luta dos profissionais contratados contra a exploração de sua mão de obra.
A demissão da professora Marcela busca atingir, ainda, a própria ATFAETEC, uma entidade de natureza sindical surgida a partir da união de setores combativos da categoria que, dentre inúmeros outros pontos, acredita ser necessário defender todos os trabalhadores da Fundação contra os ataques do governo, independente do seu vínculo funcional. Defendemos e sempre defenderemos a realização de um concurso público com vagas suficientes para cobrir todas as carências da rede. Mas defendemos e sempre defenderemos que prazos e acordos sejam cumpridos e que trabalhadores não sejam tratados como peças de descarte. Certamente, se hoje a FAETEC é uma referência no ensino técnico do nosso Estado, isso se deve à força de trabalho conjunta de estatutários, contratados e terceirizados.
A ATFAETEC não silenciará diante das demissões. Tampouco silenciará em relação à demissão da companheira Marcela. Nós denunciaremos estes desmandos em todos os espaços possíveis, agindo jurídica e politicamente para que as demissões sejam revertidas e para que a dignidade dos trabalhadores atingidos seja restaurada.
FORA, VICTER! E LEVE CONSIGO SEUS DIRETORES SUBSERVIENTES!