07/09/2026
Pelo fim do vestibular
Mais um ano, mais uma prova da UERJ e a mesma história. Milhares de pessoas vão prestar. A maioria não vai passar. E vai ter gente dizendo que quem não passou é porque não estudou o bastante.
Pensa em duas pessoas fazendo a mesma prova no mesmo dia.
Uma estuda numa escola onde os 200 dias letivos quase nunca acontecem inteiros. Tem operação policial, tem falta de professor, tem sala virando forno porque o ventilador quebrou e ninguém veio consertar, tem quadro sem pincel. A outra passou a vida em sala climatizada, com professor para cada disciplina, laboratório, biblioteca, redação corrigida toda semana.
As duas sentam na mesma carteira e respondem as mesmas 60 questões. Alguém acha mesmo que essa disputa é justa?
Mas tem uma pergunta antes
dessa. Mesmo que as condições fossem iguais, por que só uma parte pode entrar? Por que universidade pública tem que ser prêmio de quem venceu uma competição, em vez de direito de quem terminou o ensino médio?
Os números do Inep dizem o tamanho disso. Dos que concluíram o ensino médio em 2022, 27% entraram na educação superior em 2023. Entre os concluintes da rede federal, foram 58%, número parecido com o das escolas privadas, 59%. Entre os da rede estadual, 21%. E, dos mais de 4,9 milhões que ingressaram na graduação em 2023, só 11,4% entraram na rede pública. O resto foi para a rede privada, quase tudo em EaD. (INEP)
Isso é falta de vaga pública
, porque gente querendo estudar tem.
É por isso que a gente defende o fim do vestibular. E defender isso não é querer facilitar nada. Acabar com a prova sem abrir vaga só troca o nome do funil. O que a gente quer é vaga para todo mundo que terminar o ensino médio, junto com escola pública com estrutura, salário digno para professor e salário digno também para quem limpa, cozinha e segura a secretaria, porque escola é feita por essa gente toda.
Enquanto isso não vem, a gente segue dando aula. Sem esquecer que cursinho popular é remendo. A gente não devia precisar existir.