Contando Histórias

Contando Histórias Divulgação de histórias contadas nas rodas que participo.

NO SUPERMERCADO Eu estava no supermercado com minha mãe, uma tarde, quando vi um casal discutindo. Minha mãe percebeu qu...
12/01/2012

NO SUPERMERCADO

Eu estava no supermercado com minha mãe, uma tarde, quando vi um casal discutindo. Minha mãe percebeu que fiquei observando a discussão e, discretamente, me chamou a atenção, perguntando:

- O que você vai comprar, Júlia: biscoitos de chocolate ou saquinhos de lixo?
Franzi a testa diante do absurdo da pergunta! É claro que ela sabia que sou louca por biscoitos de chocolate! Além do mais, para que eu precisaria de saquinhos de lixo? Talvez mamãe precisasse para a casa, mas não eu...

- Biscoitos de chocolate, mãe! - respondi: você sabe, né?!

- Ótima escolha, filha.

E continuamos a fazer as compras do mês. Mas mamãe tornou a falar, pegando alguns produtos das prateleiras.

- A vida também se parece com um supermercado: há muitas coisas para a gente escolher nas “prateleiras”. Resta aprendermos a decidir o que é melhor e o que realmente precisamos.

E, indicando com um olhar o casal que discutia, completou:

- Nessas prateleiras, também estão expostas as atitudes das pessoas: leve para casa sempre as melhores, as que lhe serão úteis. As outras, simplesmente deixe no supermercado.

A lição valeu. Hoje, quando olho uma pessoa, admiro o que ela tem de melhor, e tento desenvolver as mesmas virtudes em mim. E, se percebo nela alguma dificuldade, penso qual é a utilidade de saber disso, porque todos nós temos dificuldades a vencer!

Letícia Müller

O B***O DE CARGAEra uma vez um b***o de carga que vivia na cocheira de um famoso palácio real.Cavalo Árabe: Ora! Veja só...
10/01/2012

O B***O DE CARGA


Era uma vez um b***o de carga que vivia na cocheira de um famoso palácio real.

Cavalo Árabe: Ora! Veja só se pode uma coisa dessas. Eu, que já ganhei vários prêmios, um velocista da melhor estirpe, qui, dividindo a mesma cocheira com esse b***o. Olhe só para ele! Cheio de cicatrizes no lombo. E esse pêlo maltratado. Mas que triste sina a sua hein? Não tem inveja da minha posição?

E o b***o ficava quietinho no seu canto, nem resmungava.

Potro inglês: Pudera! Como conseguirá um b***o entender o brilho das apostas e o gosto da caça?

Cavalo alemão: Há dez anos vi esse b***o sendo amansado por um homem muito rude. Esse miserável é tão covarde que nem reagia, nem mesmo com um coice. Nasceu só para cargas e pancadas. É vergonhoso suportar-lhe a companhia.

Jumento espanhol: Lastimo que esse b***o seja um parente próximo...É um animal fraco e inútil. Não sabe reagir aos insultos. Obedece a tudo que lhe mandam fazer. Que vergonha!

Mas, um dia, na cocheira do famoso palácio real, o Rei, na companhia do chefe das cavalariças apareceu e falou...

Rei: Preciso de um animal para um serviço de grande responsabilidade. Que seja dócil, educado e que mereça absoluta confiança...

Chefe das cavalariças: Temos esse belo Cavalo Árabe.

Rei: Não, não. É muito altivo e só serve para corridas em festejos oficiais sem maior importância.

Chefe das cavalariças: Não quer o potro inglês?

Rei: De modo algum? É muito irrequieto e não vai além das extravagâncias da caça.

Chefe das cavalariças: E o Alemão??

Rei: Não, não. É muito bravo, sem qualquer educação. É apenas um pastor de rebanhos.

Chefe das cavalariças: Já sei, então, vossa majestade. O Jumento Espanhol.

Rei: De maneira nenhuma. É manhoso e não merece confiança.

Depois de alguns instantes pensando o soberano perguntou.

Rei: Onde está o meu B***o de Carga?

Para decepção de todos, o próprio Rei puxou carinhosamente o B***o de Carga. Mandou que lhe colocassem as mais belas mantas com o brasão do Reino e confiou a ele o filho, ainda criança, para longa viagem.

Baseado no livro Alvorada Cristã, do Espírito Neio Lúcio, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB.

PRESENTE DE DEUSNaquela tarde de sábado, o sol escondeu-se e as nuvens tomaram conta do céu. A chuva caía e o vento bala...
10/01/2012

PRESENTE DE DEUS

Naquela tarde de sábado, o sol escondeu-se e as nuvens tomaram conta do céu. A chuva caía e o vento balançava as árvores de um lado para outro.

Dona Esmeralda estava sentada no sofá da sala com seus três filhos: Emília, Luciana e Rafael. Falava da importância da vida.

Rafael, o mais velho, perguntou:

Mamãe, o que é a morte?

A morte acontece quando nossa alma precisa deixar o corpo para habitar outro lugar que Deus preparou para ela.

Como a alma deixa o corpo, mamãe? Perguntou Emília.

Vocês lembram do sabiá, que estava preso na gaiola, ontem à tarde e que fugiu rápido, quando encontrou a porta aberta? Assim é a alma saindo da gaiolinha, que é o corpo.

Então, só morre o corpo? Perguntou Luciana, que brincava com um ursinho.

Isso mesmo, filhinha, somente o corpo se destrói. A alma continua a sua caminhada.

Rafael ainda tinha perguntas para fazer.

A morte é igual para todas as pessoas, mamãe?

Sabe, filho, depende de cada um, de cada pessoa. Quem só pensa nas coisas materiais, é muito agarrado às coisas da Terra tem maiores dificuldades. Quem sabe dar o justo valor a cada coisa e pensa em si mesmo como um Espírito imortal que é, enfrenta a morte com mais tranqüilidade.

E, para exemplificar, Dona Esmeralda contou para os filhos algumas passagens da vida de Chico Xavier, sua dedicação em fazer o bem a todos que o buscavam, o carinho que tinha com os animais e como foi tranqüila a sua desencarnação.

E depois de toda aquela explicação, mãe e crianças foram para a cozinha estourar pipocas, e se deliciaram comendo-as, enquanto olhavam a chuva molhando as flores do lindo jardim.

Elza Pereira Dalla Costa

10/01/2012

O MENINO QUE MENTIA

Em uma bela colina, um menino pastor costumava levar seu rebanho para comer a grama verde e fresca que brotava. Um dia resolveu pregar uma peça nos vizinhos.

- Socorro! Socorro! Um lobo! Ele vai comer minhas ovelhas! Alguém me ajude!

Os vizinhos largavam tudo que estavam fazendo, e saíam correndo para socorrer o pequeno pastor. Mas que surpresa! Chegando à colina e viam-no a gargalhar! Não havia nenhum lobo, era só uma peça que queria pregar em todos.

Ainda outra vez o menino fez a mesma brincadeira. – Socorro! Ajudem-me! O lobo vai devorar minhas ovelhas! Socorro!

E todos iam novamente correndo ajudar. E ele caçoou de todos! E saiu gargalhando outra vez!

- Ha, ha, ha. Enganei todos vocês, não tem lobo algum!

Mas um dia, o lobo apareceu de verdade, e começou a atacar as belas ovelhas do menino mentiroso. Morrendo de medo, o pastor saiu gritando:

- Socorro, socorro! Alguém ajude! Um lobo, um lobo feroz!

Só que desta vez, os vizinhos ouviram a gritaria, mas pensaram:

- Ah! É só uma brincadeira.

E ninguém socorreu e o menino pastor perdeu todo seu rebanho.

Assim é: Ninguém acredita quando o mentiroso fala a verdade.

Esopo

A DESCULPAFui, em pequena, uma menina muito estabanada.Num só dia, conseguia quebrar a tesoura de mamãe, arrancar os cab...
10/01/2012

A DESCULPA

Fui, em pequena, uma menina muito estabanada.

Num só dia, conseguia quebrar a tesoura de mamãe, arrancar os cabelos de minha boneca ao trepar em uma árvore com ela ao colo, e, finalmente, quebrar um prato valioso, ao ajudar a enxugar a louça.

Depois de cada um desses desastres, corria para minha mãe e dizia depressa:

- Desculpe, mamãe!

E estava crente de que, pronunciando essa senha mágica, obtinha completa absolvição.

No dia seguinte a uma dessas estrepolias, aconteceu-me derramar café na toalha da mesa.

- Desculpe, mamãe! disse eu logo.

Mas mamãe, sorrindo, tomou uma toalha e enrolou-a em minha cabeça, como um turbante. E pôs-me na mão uma varinha que, propositadamente, deixara por perto. E disse bem humorada:

- Você agora é um mágico, com uma varinha de condão. Diga as palavras mágicas: “Desculpe, mamãe!”, dez vezes, sobre essa mancha de café.

Eu repeti as palavras enquanto o resto da família me olhava fingindo seriedade e sopitando um acesso de riso.

Quando terminei, tomada de intensa curiosidade, perguntei a minha mãe:

- E a mancha? Desapareceu?

- Não! ela respondeu com naturalidade.

Caindo em mim, comentei chorando de decepção:

- E não podia mesmo desaparecer, embora eu dissesse mil vezes “Desculpe!”

- Então, disse mamãe, isso significa que “Desculpe!” não é uma palavra mágica. Não é interessante? Um “Desculpe!” não pode fazer desaparecer, em dois minutos, uma mancha de café que a gente, com apenas dois segundos de atenção, pode evitar. Bem, você quer que eu encha sua xícara outra vez?

E minha mãe não precisou, nunca mais, repreender-me por qualquer estouvamento.

Quantas vezes eu penso ter esquecido a lição, volta-me à lembrança aquele turbante de toalha e a varinha de condão improvisada.

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Rio De Janeiro, RJ

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